O mercado automotivo brasileiro é um setor dinâmico que registrou crescimento significativo em 2025, impulsionado por vendas de veículos novos e o programa "Carro Sustentável". A crescente presença de montadoras chinesas, como BYD e GWM, está redefinindo a competitividade ao oferecer tecnologia e qualidade a preços acessíveis, impactando tanto o mercado de novos quanto o de usados. Modelos como Fiat Strada e Volkswagen Polo lideram as vendas, enquanto novos lançamentos como Toyota Yaris Cross e Nissan Kait intensificam a disputa, especialmente no segmento de SUVs compactos. Este cenário, aliado à valorização atípica de veículos usados, reflete a constante evolução e os desafios do setor no Brasil.
O mercado automotivo brasileiro é um setor dinâmico e em constante evolução, caracterizado pela presença de grandes montadoras globais e, mais recentemente, pela crescente entrada de marcas chinesas. Este cenário impulsiona a competitividade e a oferta de veículos com diferentes tecnologias, desde motores a combustão até modelos eletrificados e elétricos. A indústria automotiva no Brasil abrange a produção, importação e comercialização de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, sendo um importante pilar da economia nacional. Em 2025, o mercado registrou um crescimento de 16,59% nas vendas de veículos novos em comparação com 2023, totalizando 2.689.179 unidades (incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus), o melhor resultado em seis anos. Este resultado superou a projeção inicial da Fenabrave, que previa um aumento de 5% para o ano, mas ficou aquém de uma projeção revisada de 3% devido a fatores como o impacto de um vendaval na fábrica da Toyota. A produção nacional de veículos em 2025 atingiu 2,644 milhões de unidades zero km, um aumento de 3,5% em relação a 2024, impulsionado principalmente por veículos leves, enquanto a produção de pesados retraiu 9,9%. Este foi o maior patamar de produção desde 2019 e a segunda alta consecutiva. A chegada de novos modelos, como o Toyota Yaris Cross e o Volkswagen Taos 2026, e a estratégia de preços competitivos, incluindo versões de entrada e descontos para PCD, continuam a moldar a dinâmica do mercado. Além disso, o mercado de veículos usados tem apresentado um fenômeno atípico de valorização, com alguns modelos mais que dobrando de preço em quatro anos, contrariando a depreciação usual de veículos. A disputa no segmento de SUVs compactos se intensifica com a chegada de novos modelos como o Nissan Kait, que busca competir com o Volkswagen Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian, trazendo modernidade e otimização de custos. A crescente presença de montadoras chinesas como BYD e GWM, que em 2025 foram responsáveis por quase 40% dos veículos importados emplacados no Brasil, está redefinindo a competitividade no mercado de veículos novos e pode influenciar a precificação de seminovos, devido à sua estratégia de oferecer tecnologia e qualidade a preços mais competitivos.
Historicamente, o mercado automotivo brasileiro foi dominado por montadoras tradicionais ocidentais. No entanto, a partir dos anos 2000, houve uma intensificação da presença de marcas asiáticas, especialmente as chinesas, que inicialmente focaram em veículos comerciais leves e, posteriormente, expandiram para o segmento de automóveis de passeio e SUVs. A Caoa, um grupo automotivo brasileiro, tem desempenhado um papel fundamental na introdução e consolidação de algumas dessas marcas no país, como a Chery e, mais recentemente, a Changan, através de parcerias estratégicas que incluem a produção local e a importação de veículos. Em 2025, o programa "Carro Sustentável", que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos populares, desempenhou um papel crucial no impulsionamento das vendas, sendo considerado um fator positivo para o segmento. A Fenabrave avalia que a ampliação deste programa para outros segmentos, incluindo veículos híbridos e elétricos, poderia sustentar o crescimento em anos futuros. Montadoras como a Toyota também adotam estratégias de preços agressivas, como o lançamento de versões de entrada mais acessíveis para SUVs como o Yaris Cross, visando ampliar a participação de mercado e atender a públicos específicos, como pessoas com deficiência (PCD). Em 2025, a importação de veículos no Brasil atingiu o maior volume dos últimos 11 anos, com 497.765 unidades, e a China superou a Argentina como principal país exportador para o Brasil, com a entrada de seis novas marcas chinesas no mercado nacional. Quase 40% dos veículos importados emplacados no Brasil em 2025 vieram da China, superando pela primeira vez os países do Mercosul e o México. A competitividade no segmento de SUVs médios, exemplificada pelas vendas do Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, tem levado montadoras como a Volkswagen a realizar atualizações significativas em modelos como o Taos, buscando alavancar suas vendas e modernizar o design e a conectividade. Paralelamente, o mercado de veículos usados tem sido impactado por diversos fatores que levaram a uma valorização atípica de certos modelos, com alguns carros mais que dobrando de valor em um período de quatro anos, um fenômeno que desafia a lógica de depreciação automotiva. A Nissan, por sua vez, redefiniu sua estratégia no segmento de SUVs compactos com o lançamento do Kait, que substitui o antigo Kicks e é produzido no Complexo Industrial de Resende (RJ), visando o mercado brasileiro e a exportação para mais de 20 países da América Latina. A chegada de montadoras chinesas como BYD e GWM, com modelos que entregam tecnologia e qualidade a preços competitivos, tem forçado as montadoras tradicionais a reposicionar seus produtos e preços, impactando a dinâmica de todo o mercado.
Um fenômeno notável no mercado automotivo brasileiro é a valorização atípica de veículos usados. Em um período de quatro anos, vinte modelos de carros mais que dobraram de preço, com alguns registrando aumentos de até R$ 170 mil em seu valor de mercado. Essa tendência contraria a depreciação usual que os veículos sofrem ao longo do tempo e pode ser atribuída a uma combinação de fatores, como a escassez de veículos novos, o aumento dos custos de produção e a demanda aquecida por carros seminovos e usados. Este cenário impacta tanto consumidores que buscam adquirir um veículo quanto aqueles que possuem um carro e observam seu patrimônio se valorizar. A chegada de carros chineses mais competitivos no mercado de novos pode reajustar para baixo os preços dos seminovos, embora o acesso facilitado ao crédito para carros novos possa dificultar a negociação de veículos usados. A decisão entre um carro chinês zero km e um usado depende da condição socioeconômica do consumidor, considerando os custos de manutenção, peças e impostos, visto que a compra de um carro é muitas vezes uma decisão emocional, mas os custos a longo prazo podem ser altos.
O cenário geopolítico global, como o conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, pode gerar incertezas no mercado automotivo brasileiro. O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, por exemplo, pode prejudicar o envio de combustível e peças, afetando tanto a produção de carros na China quanto as montadoras no Brasil. No entanto, especialistas avaliam que é prematuro prever fortes efeitos no preço de combustíveis ou de carros no Brasil, dada a volatilidade do mercado e o fato de o Brasil ser um exportador de petróleo. Uma menor oferta de combustível pode, inclusive, beneficiar o setor petrolífero nacional. Apesar das incertezas, a maior entrada de frotas eletrificadas ou híbridas chinesas e com preços competitivos ainda não é um indicativo de que o consumidor brasileiro recorreria massivamente a esses modelos, especialmente porque a maior parte da frota brasileira de automóveis é movida a combustível fóssil, e o mercado de usados, geralmente mais acessível, é dominado por carros flex.