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EUA formalizam acusação de homicídio contra Raúl Castro

O governo Trump intensifica a pressão sobre Havana com o indiciamento de Raúl Castro e a oferta de US$ 100 milhões em ajuda humanitária à população.

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Foto: WSJ World
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20/05 às 06:31 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O Departamento de Justiça dos EUA formalizou a acusação de homicídio e conspiração contra Raúl Castro em tribunal federal.
  • O indiciamento está relacionado à derrubada de aeronaves civis em 1996, com o procurador-geral interino buscando a detenção do ex-mandatário.
  • A administração Trump condicionou US$ 100 milhões em ajuda humanitária à distribuição por grupos independentes.
  • O governo cubano rejeita as sanções americanas, classificando-as como violações da soberania nacional.
  • Relatos indicam que Cuba busca reforçar sua defesa militar com a aquisição de drones da Rússia e da China.
  • O Secretário de Estado Marco Rubio, conhecido por sua oposição histórica ao regime, lidera a estratégia de transformação política na ilha.
  • Donald Trump declarou que os EUA não tolerarão um 'estado pária' próximo ao seu território, enquanto especialistas debatem riscos de escalada militar.

O governo do presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre o regime cubano após a formalização de acusações de homicídio e conspiração contra Raúl Castro em um tribunal americano. O indiciamento, que remete à derrubada de aeronaves civis em 1996, marca uma escalada significativa na estratégia jurídica da administração, que agora busca a detenção do ex-líder cubano. Em paralelo, o presidente Trump afirmou que os Estados Unidos estão trabalhando para 'libertar Cuba', reforçando a postura rigorosa contra o que classificou como um 'estado pária' próximo ao território americano. A tensão foi ainda mais elevada com a imposição de um embargo petrolífero e novas sanções econômicas, enquanto o governo cubano repudia as ações como uma afronta à soberania nacional.

À frente desta política está o Secretário de Estado, Marco Rubio, cuja trajetória pessoal e política é marcada por uma oposição de décadas ao governo de Havana. Filho de imigrantes cubanos, Rubio tem utilizado sua posição para impulsionar mudanças estruturais no regime, tratando a transformação política e econômica de Cuba como um projeto central de sua carreira. Para mitigar o impacto das sanções sobre a população, o Secretário anunciou uma proposta de ajuda humanitária de US$ 100 milhões em alimentos e medicamentos, condicionada à gestão por organizações independentes, visando contornar a estrutura estatal cubana.

Enquanto Washington busca isolar a liderança política, Cuba tenta fortalecer suas capacidades militares com a importação de drones da Rússia e da China. O cenário de instabilidade tem gerado especulações entre especialistas sobre a possibilidade de intervenções militares, dado o histórico recente da gestão Trump em crises na Venezuela e no Irã. A combinação da pressão jurídica, sanções econômicas e a agenda de mudança estrutural de Rubio sinaliza um período de alta volatilidade diplomática no continente, com o governo americano demonstrando disposição para alterar o status quo em Cuba através de múltiplas frentes de atuação.

Fontes primárias

U.S. Department of Justice

Superseding indictment — Raul Castro e cinco corréus (abate de aeronaves do Brothers to the Rescue, 1996)

O DOJ anunciou a abertura (unsealing) de uma denúncia substitutiva contra Raul Modesto Castro Ruz, 94, de Holguín, e mais cinco corréus do regime cubano pelo abate, em 24/02/1996, de duas aeronaves civis desarmadas operadas pelo Brothers to the Rescue (Hermanos al Rescate) sobre águas internacionais. As acusações: conspiração para matar cidadãos dos EUA, duas de destruição de aeronave e quatro de homicídio. Segundo a denúncia, agentes de inteligência cubanos infiltraram a ONG desde o início dos anos 1990 e repassaram detalhes das operações de voo; em 24/02/1996, caças militares sob a cadeia de comando supervisionada por Raul Castro dispararam mísseis ar-ar contra dois Cessna (N2456S e N5485S), destruindo-os sem aviso fora do território cubano e matando quatro nacionais americanos, sendo três cidadãos: Carlos Costa, Armando Alejandre Jr., Mario de la Peña e Pablo Morales. Se condenados, os réus podem pegar morte ou prisão perpétua nas acusações de homicídio e conspiração. O procurador-geral interino Todd Blanche afirmou que, pela primeira vez em quase 70 anos, a alta cúpula do regime cubano é acusada nos EUA: 'se você mata americanos, nós vamos atrás de você'.

U.S. Department of State

Mensagem do Secretário Rubio ao povo cubano no Dia da Independência

Em vídeo ao povo cubano no Dia da Independência (20/05), o Secretário de Estado Marco Rubio atribui o sofrimento da população à GAESA, o conglomerado das Forças Armadas cubanas, que segundo ele detém US$ 18 bilhões em ativos e controla 70% da economia: 'Cuba não é controlada por nenhuma revolução. Cuba é controlada pela GAESA.' Rubio diz que o presidente Trump oferece um novo relacionamento entre EUA e Cuba, mas diretamente com o povo cubano, não com a GAESA. Anuncia US$ 100 milhões em alimentos e remédios, a serem distribuídos pela Igreja Católica ou outras instituições de caridade confiáveis, 'não roubados pela GAESA'. Descreve uma 'nova Cuba' em que o cubano comum, e não só a GAESA, possa ter um posto de gasolina, loja, restaurante, banco ou construtora, votar em seus governantes e reclamar de um sistema falho sem medo de prisão ou de exílio forçado.

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