Lula e Trump se reuniram na Casa Branca por três horas para discutir combate ao crime organizado, tráfico de drogas, Cuba, terras raras e a reforma do Conselho de Segurança da ONU, com o presidente brasileiro expressando satisfação com o encontro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram na Casa Branca por cerca de três horas, em Washington, na primeira visita oficial de Lula durante a gestão Trump. O encontro, que gerou dividendos políticos para Trump ao reforçar sua imagem de pragmatismo internacional, abordou o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Lula defendeu que o enfrentamento dessas questões exige superação de temas tabus e uma estratégia internacional que inclua alternativas econômicas, em vez de focar apenas em ações militares. Ele argumentou que não se pode exigir que países deixem de produzir drogas sem oferecer opções econômicas viáveis à população local, criticando a abordagem histórica dos EUA em focar em bases militares sem atacar a raiz econômica do problema. Durante o encontro, Lula afirmou que a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas, como o PCC e o Comando Vermelho, não foi pauta de discussão. O presidente brasileiro propôs a criação de um grupo de trabalho internacional para combater o crime organizado, com a participação de países da América do Sul e Latina, ressaltando a experiência brasileira e mencionando que armas nos EUA e esquemas de lavagem de dinheiro envolvem estados americanos. Ele defendeu que um esforço coordenado e transparente pode trazer resultados mais rápidos do que as estratégias atuais.
Além do combate ao crime, Lula relatou que Trump afirmou não ter intenção de invadir Cuba, apesar de declarações anteriores do presidente americano em sentido contrário. Lula considerou a declaração um "grande sinal" para o diálogo e se colocou à disposição de Trump para discutir assuntos relacionados à ilha. A reunião também abordou a retomada das relações Brasil-EUA, o potencial brasileiro em terras raras, com Lula defendendo a exploração com agregação de valor e parcerias internacionais sem preferência ideológica. O presidente brasileiro expressou a visão do Brasil sobre guerras, defendendo o diálogo e a diplomacia, e reiterou a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU para refletir a geopolítica atual, propondo a inclusão de novos membros permanentes.
Lula expressou grande satisfação com o encontro, classificando-o como "muito otimista" e importante para o Brasil e os Estados Unidos. Trump elogiou Lula como "dinâmico" e "muito produtivo", destacando discussões sobre comércio e tarifas. Os presidentes também abordaram temas como comércio e tarifas, com a proposta de criação de um grupo de trabalho para discutir divergências comerciais. A delegação brasileira buscou evitar novas tarifas e formar parceria no combate ao crime organizado, antecipando-se à possível designação de facções brasileiras como terroristas. Trump, por sua vez, busca reduzir o preço da carne e ter acesso privilegiado a minerais críticos brasileiros, como terras raras. Lula explicou a nova lei brasileira sobre minerais críticos e entregou a Trump uma lista de autoridades brasileiras sob sanção dos EUA e o acordo de não proliferação nuclear de 2010 com o Irã.
Apesar das expectativas e da presença do ministro Dario Durigan na comitiva, o tema do PIX não foi abordado por nenhum dos lados durante a reunião. Lula declarou que Trump não mencionou o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, e brincou que espera que o presidente americano um dia desenvolva um sistema similar. O PIX tem sido alvo de investigações comerciais e relatórios da Casa Branca desde 2025, que o apontam como prejudicial a gigantes de cartão de crédito americanas, em um contexto de embate com big techs e discussões sobre alternativas ao dólar. A coletiva de imprensa conjunta foi cancelada, e Lula deve falar com jornalistas na embaixada brasileira.
G1 Política • 8 mai, 00:00
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