Os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Lula e Trump, encontraram-se na Casa Branca para uma visita de trabalho, abordando temas de interesse bilateral, mas cancelaram a entrevista à imprensa.

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, realizaram um encontro na Casa Branca, em Washington D.C., para uma reunião de trabalho e almoço. Esta foi a segunda reunião presencial entre os líderes, que já haviam conversado por telefone antes da viagem, sendo a primeira ocorrida na Malásia, após um período de imposição de tarifas e sanções dos EUA ao Brasil. A agenda, classificada como uma 'visita de trabalho' e menos formal que uma reunião bilateral tradicional, teve início previsto para as 12h, horário de Brasília, e visou fortalecer as relações entre as duas nações, buscando normalizar as relações comerciais e diplomáticas. Lula solicitou a inversão da ordem da agenda, priorizando uma conversa reservada antes da imprensa, o que gerou um atraso de mais de uma hora e foi confirmado pelo secretário de Imprensa, Lércio Portela Delgado. O pedido de Lula foi motivado por um desconforto em um encontro anterior com Trump na Malásia. Além disso, o presidente brasileiro orientou sua comitiva a falar apenas português durante a reunião, mesmo aqueles fluentes em inglês, contando com a presença de intérpretes, uma medida que visava reforçar a posição brasileira na negociação.
Durante o encontro, que durou cerca de três horas, foram discutidos temas de interesse bilateral, como economia, segurança, combate ao crime organizado, minerais críticos e terras raras – destacando sua importância estratégica para tecnologia e transição energética –, o sistema de pagamentos PIX e seu impacto em empresas americanas, comércio bilateral e tarifas de importação. A pauta também incluiu a pressão dos EUA para classificar facções brasileiras como terroristas, a defesa do PIX pelo governo brasileiro, e divergências sobre questões internacionais como Venezuela, Irã e o papel dos EUA em conflitos globais. Lula buscou um compromisso informal de não interferência dos EUA nas eleições brasileiras de outubro e reforçar sua imagem internacional, em um contexto de tensões internacionais como a guerra no Oriente Médio.
O primeiro contato entre os líderes foi descrito como tranquilo e marcado por suavidade e gentileza, segundo análise de Marcelo Lins. Diferente de outras ocasiões, o presidente Trump não utilizou seu famoso 'aperto de mão de urso' com Lula, optando por uma interação mais suave, com perguntas e respostas em inglês e português. Deputados democratas, por sua vez, alertaram sobre possíveis impactos negativos na relação Brasil-EUA caso facções brasileiras como PCC e CV sejam designadas como organizações terroristas, um ponto de pressão por parte dos EUA. O almoço servido na Casa Branca incluiu salada, filé grelhado com purê de feijão-preto e panna cotta de sobremesa. Após o encontro, a entrevista conjunta à imprensa, inicialmente prevista no roteiro, foi cancelada. Trump descreveu o encontro como "muito bom" e mencionou discussões sobre comércio e tarifas, enquanto Lula publicou registros do encontro em suas redes sociais.
Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua para combater o tráfico internacional de armas e drogas. Esta parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões aduaneiras para investigar padrões e rotas ilícitas, reforçando a colaboração no combate ao crime organizado transnacional. A comitiva brasileira que acompanhou o presidente Lula incluiu cinco ministros – das Relações Exteriores, Justiça, Fazenda, Desenvolvimento, Minas e Energia – e o diretor-geral da Polícia Federal. A comitiva norte-americana contou com o vice-presidente, chefe de Gabinete e secretários. Novas conversas entre representantes dos dois países estão previstas para avançar em pontos estratégicos.
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