Os presidentes Lula e Trump se encontram em Washington para discutir relações bilaterais, incluindo comércio, segurança, crime organizado e geopolítica, em um momento político delicado para ambos.
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se encontrarão nesta quinta-feira em Washington, em um evento intermediado pelo empresário Joesley Batista, do grupo J&F. Lula desembarcou nos Estados Unidos para a reunião na Casa Branca, que busca normalizar as relações comerciais entre Brasil e EUA e evitar a imposição de novas tarifas comerciais. Antes da viagem, Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 40 minutos, em uma ligação descrita como "amistosa", onde Trump expressou admiração pela trajetória de Lula. A presença de Joesley e Wesley Batista nos Estados Unidos é sugerida por um voo de jato da J&F do Colorado para Washington, evidenciando a influência de líderes empresariais na política.
Este será o segundo encontro formal entre os dois líderes, sendo o primeiro realizado em outubro na Malásia, após um período de imposição de tarifas e sanções dos EUA ao Brasil. O encontro, planejado desde janeiro, foi adiado devido à atenção da Casa Branca na guerra no Irã e outros episódios diplomáticos. A pauta inclui economia, cooperação contra o crime organizado — com os EUA considerando classificar facções brasileiras como terroristas, o que Lula tenta evitar propondo maior cooperação no combate ao crime organizado, lavagem de dinheiro e tráfico de armas —, minerais críticos, segurança, geopolítica, as eleições no Brasil e temas como ataques de Trump ao Pix. O PIX é um ponto de atrito, com os EUA investigando o sistema como barreira comercial, enquanto o Brasil defende sua soberania. A exploração de terras raras e minerais críticos, com o Brasil defendendo controle nacional e parcerias estratégicas, é outro tema importante, embora o governo Lula não espere um acordo imediato.
Analistas como Regiane Bressan e Oliver Stuenkel concordam que a visita de Lula é uma estratégia eleitoral para desvincular a política externa brasileira da imagem de alinhamento apenas com governos progressistas. A foto com Trump pode ser valiosa para Lula neutralizar a narrativa da direita e demonstrar sua capacidade de dialogar com qualquer líder, independentemente da ideologia, apesar de atritos diplomáticos recentes como a prisão de Alexandre Ramagem nos EUA. Lula buscará um compromisso de não interferência dos EUA nas eleições brasileiras de outubro, visando fortalecer sua imagem política interna, além da suspensão de tarifas remanescentes e o fim de investigações comerciais contra o Pix. O Brasil também busca manter um canal direto com Trump para diminuir a influência bolsonarista nos EUA.
Ambos os presidentes buscam ganhos políticos e diplomáticos com a reunião, que ocorre em um momento doméstico delicado para cada um em seus respectivos países. Lula lida com derrotas no Congresso, enquanto Trump enfrenta baixa popularidade devido à guerra no Irã e inflação. Trump visa reduzir o preço da carne e garantir acesso privilegiado a reservas de minerais brasileiros. Tensões persistem sobre o comércio digital (bloqueio da moratória tarifária da OMC pelo Brasil) e as altas tarifas brasileiras sobre produtos como o etanol. A JBS, controlada pela J&F, possui operações substanciais nos EUA, e sua subsidiária Pilgrim’s Pride contribuiu com US$5 milhões para o comitê de posse de Trump em 2025, ressaltando os interesses do grupo nas relações bilaterais. Fontes diplomáticas veem a reunião como um ponto de partida para futuros acordos, não um ponto final, e especialistas apontam que a relação entre Lula e Trump tem sido produtiva, apesar do histórico imprevisível do presidente americano.
InfoMoney • 7 mai, 07:28
NYTimes World • 7 mai, 06:03
G1 Mundo • 7 mai, 05:06
8 mai, 13:36
7 mai, 19:06
7 mai, 12:02
5 mai, 20:03
4 mai, 13:03
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