Três pessoas morreram e seis casos de hantavírus foram identificados ou estão sob investigação após um surto no navio MV Hondius, que partiu da Argentina, conforme relatado pela OMS.
Três pessoas morreram e seis casos de hantavírus foram identificados ou estão sob investigação após um surto no navio de cruzeiro MV Hondius. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a notícia no domingo, informando que um caso de infecção foi confirmado em laboratório, enquanto outros cinco permanecem sob suspeita, totalizando seis pessoas afetadas. A embarcação, operada pela Oceanwide Expeditions e com capacidade para cerca de 170 passageiros e 70 tripulantes, partiu da Argentina e navegava pelo Oceano Atlântico com destino a Cabo Verde. O navio, que transporta aproximadamente 150 passageiros, está atualmente parado perto de Cabo Verde, aguardando assistência para lidar com a situação de saúde a bordo.
Um casal holandês, de 70 e 69 anos, foi identificado como duas das vítimas fatais, sendo o passageiro de 70 anos a primeira vítima. As autoridades de saúde estão monitorando a situação para determinar a origem e a propagação do vírus a bordo. Um cidadão britânico de 69 anos está internado na UTI em Joanesburgo, África do Sul, e há outros dois casos ativos no navio, que estão sendo tratados como parte de um cluster de infecções.
As infecções por hantavírus são comumente associadas a roedores, suas fezes, urina e saliva, mas a transmissão entre humanos é rara. O vírus pode causar a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS), que é a forma mais comum nos EUA e no Brasil (conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus - SCPH) e tem uma taxa de mortalidade de 38% se sintomas respiratórios se desenvolverem. Outra manifestação é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), mais grave e que afeta principalmente os rins, registrando cerca de 150 mil casos anuais globalmente, com mais da metade na China. No Brasil, entre 1993 e 2024, foram confirmados 2.377 casos de hantavirose, resultando em 937 mortes, com 70% das infecções ocorrendo em zonas rurais.
Não há tratamento específico para infecções por hantavírus; o manejo foca nos sintomas, incluindo oxigenoterapia e ventilação mecânica. A prevenção envolve evitar o contato com roedores, vedar pontos de entrada em residências e usar equipamentos de proteção individual ao limpar áreas contaminadas. A OMS, que confirmou as informações à Agence France-Presse, está coordenando a evacuação médica de passageiros, a cooperação entre os países envolvidos e a operadora do navio, além de avaliar os riscos à saúde pública. O incidente levanta questionamentos sobre como uma doença transmitida por roedores, considerada rara e grave, se espalhou em um ambiente de navio de cruzeiro.
ABC News US World • 4 mai, 08:52
NYTimes World • 4 mai, 06:38
G1 Mundo • 4 mai, 06:40
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