Um navio de cruzeiro com surto de hantavírus e três mortes foi impedido de atracar em Cabo Verde, enquanto a operadora busca desembarque nas Ilhas Canárias.
Cabo Verde negou permissão para o navio de cruzeiro MV Hondius atracar em seus portos após a morte de três passageiros e a suspeita de um surto de hantavírus a bordo. A operadora Oceanwide Expeditions confirmou a "situação médica grave" no navio, que está isolado na costa de Cabo Verde, no Oceano Atlântico, com 149 pessoas de 23 nacionalidades, incluindo quatro cidadãos australianos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que três pessoas morreram e outras três ficaram doentes devido ao hantavírus. As mortes incluem dois cidadãos holandeses, um alemão e um britânico, e a conexão com o hantavírus ainda não foi confirmada para todas as vítimas. Dois casos de hantavírus foram laboratorialmente confirmados, com outros cinco casos suspeitos e três pessoas doentes, uma delas em terapia intensiva na África do Sul. Dois tripulantes, um britânico e um holandês, também apresentam sintomas respiratórios agudos e necessitam de cuidados médicos urgentes, com o Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos considerando a repatriação. O cruzeiro partiu da Argentina e tinha como destino final Cabo Verde.
A Oceanwide Expeditions, operadora do navio, busca autorização para desembarcar os passageiros nas Ilhas Canárias, após Cabo Verde negar a entrada para proteger sua população. Medidas rigorosas de precaução, como isolamento e protocolos de higiene, estão sendo implementadas a bordo, com passageiros instruídos a permanecerem em suas cabines. As ilhas de Las Palmas ou Tenerife são consideradas alternativas para o desembarque e tratamento médico. Um criador de conteúdo de viagens, Jake Rosmarin, havia publicado um vídeo mostrando o interior do cruzeiro MV Hondius antes da confirmação das mortes e casos suspeitos.
Hantavírus são vírus zoonóticos transmitidos por roedores, podendo causar doenças graves e fatais em humanos, como a síndrome cardiopulmonar nas Américas e febre hemorrágica com síndrome renal na Europa e Ásia. A transmissão ocorre por contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados, e raramente entre humanos em contato próximo e prolongado. Não há vacinas ou medicamentos específicos para o hantavírus, e o tratamento se limita ao alívio dos sintomas. A prevenção envolve a redução do contato com roedores e a manutenção de ambientes limpos e vedados.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o risco de contaminação por hantavírus para a população geral é baixo, apesar do surto suspeito. A OMS está monitorando os casos, realizando testes e sequenciamento do vírus, além de coordenar a assistência aos passageiros e tripulantes, facilitando a evacuação médica de passageiros sintomáticos e a avaliação de risco à saúde pública. Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, enfatizou que não há necessidade de pânico ou restrições de viagem, pois o hantavírus é uma doença respiratória rara, transmitida principalmente por roedores e não facilmente entre pessoas.
NPR World • 5 mai, 02:49
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