A oposição húngara, liderada por Péter Magyar, conquistou uma vitória significativa nas eleições parlamentares, pondo fim a 16 anos de governo de Viktor Orbán. O premiê Orbán, que estava no poder desde 2010 e era um ícone da ultradireita global, reconheceu a derrota de seu partido, o Fidesz, marcando o fim de uma era política caracterizada pela autocratização do país, com o aparelhamento do Judiciário e o controle da mídia através de aliados. Em seu discurso de vitória, Magyar prometeu uma mudança radical na política externa do país, buscando uma aliança forte com a União Europeia e a OTAN, distanciando-se da postura crítica anterior e favorável à Rússia.
Magyar, um advogado conservador e ex-aliado de Orbán, ganhou destaque ao criticar casos de corrupção e defender a reaproximação da Hungria com a União Europeia. A ascensão de Magyar, do partido Tisza, foi impulsionada por questões como o alto custo de vida, corrupção e autoritarismo, superando o apoio internacional que Orbán recebia de figuras como Donald Trump e Vladimir Putin. Com 138 dos 199 assentos no Parlamento e 53,56% dos votos, o novo governo tem a capacidade de reverter as políticas ultranacionalistas implementadas anteriormente, com uma participação recorde de 79,50% no pleito, especialmente entre os mais jovens. A derrota de Orbán, o 'mago do populismo', é atribuída à sua desconexão com a realidade econômica dos húngaros e à insistência em um discurso focado em propaganda e medo, ignorando problemas como saúde, educação e custo de vida, o que distanciou a 'televisão' (propaganda) da 'geladeira' (realidade). A queda de Orbán gerou repercussões e divisões na direita e ânimo na esquerda no Brasil.
A vitória de Magyar é vista como um revés para a extrema direita na Europa e foi celebrada pela União Europeia, que considerava Orbán um obstáculo para acordos e sanções. A UE interpretou o resultado como uma escolha da Hungria pela Europa. O principal objetivo do novo governo é reintegrar a Hungria ao sistema judicial da União Europeia e fortalecer suas alianças com o bloco e a OTAN, com Budapeste se tornando um parceiro próximo das instituições ocidentais. Essa reaproximação pode resultar no desbloqueio de 19 bilhões de euros em fundos europeus, que estavam retidos devido às medidas autocráticas do governo anterior, marcando um realinhamento geopolítico para o país. Apesar de sua oposição a Orbán, Magyar, um conservador, compartilha algumas posições com a ultradireita, como a oposição à adesão da Ucrânia à União Europeia e a defesa de políticas anti-imigração.
Magyar prometeu ainda alterar a Constituição para limitar mandatos de primeiro-ministro a dois e restaurar o estado de direito e a democracia, solicitando ao presidente Tamás Sulyok uma rápida transferência de poder. A eleição representa um desafio para a mudança e um risco de revanche política, considerando que, durante seus quatro mandatos, o sistema eleitoral foi remodelado para favorecer Orbán. A derrota de Orbán também reforça a percepção de que Donald Trump tem um histórico de apoiar candidatos perdedores em eleições mundiais, com exceção da América Latina. O fim da era Orbán e o futuro da coalizão internacional da extrema-direita foram temas de discussão em análises sobre as implicações da vitória da coalizão de centro-direita Tisza.
G1 Mundo • 14 abr, 00:30
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