Viktor Orbán, que esteve no poder por 16 anos e era visto como inspiração para a direita radical, aliado de Donald Trump e Vladimir Putin, admitiu a derrota nas eleições parlamentares da Hungria, descrevendo o resultado como "claro e doloroso". Ele parabenizou o partido vitorioso e afirmou que servirá a nação húngara a partir da oposição. O resultado marca o fim de um longo período de governo do nacionalista eurocético. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou o resultado, afirmando que a Hungria "escolheu a Europa", e outros líderes europeus, como Emmanuel Macron, Ulf Kristersson, Friedrich Merz e Jonas Gahr, também parabenizaram Magyar, enfatizando a cooperação e um novo capítulo para a Hungria.
O partido oposicionista Tisza, liderado por Peter Magyar, anunciou a vitória em sua conta oficial do Facebook, afirmando ter recebido os parabéns de Orbán. O Tisza está projetado para conquistar uma supermaioria no Parlamento, com 137 a 138 das 199 cadeiras, superando o Fidesz de Orbán, que ficaria com 54 ou 55 cadeiras. Pesquisas recentes já indicavam a vitória do Tisza, com projeções do instituto Medián apontando 55,5% dos votos para o Tisza contra 37,9% para o Fidesz, o que poderia render entre 131 e 139 assentos. A participação eleitoral foi recorde, atingindo 77% dos eleitores, o maior nível desde o fim do regime comunista na Hungria, refletindo a crescente insatisfação com a estagnação econômica e o aumento do custo de vida no país.
Magyar, ex-aliado de Orbán, ganhou força ao prometer reaproximação com a União Europeia e a OTAN, além de combater a corrupção. Ele ganhou notoriedade após sua ex-esposa, Judit Varga, renunciar a cargos políticos devido a um escândalo de indulto, e desde então acusa o Fidesz de corrupção e propaganda, buscando reorientar o país para o Ocidente, acabar com a dependência energética russa e desbloquear fundos da UE. Magyar afirmou que representará todos os húngaros e responsabilizará os que "fraudaram" o país. A celebração da vitória da oposição foi marcada por um político húngaro, Zsolt Hegedus, que roubou a cena com uma dança.
A Capital Economics avalia que a vitória do Tisza representa o melhor cenário para a perspectiva macroeconômica da Hungria. Os mercados devem reagir positivamente, esperando melhoria na qualidade institucional e o restabelecimento das relações com a União Europeia. A supermaioria do Tisza pode reverter mudanças constitucionais da era Orbán, acelerar reformas de governança e facilitar o acesso a fundos da União Europeia. A Capital Economics prevê que isso apoiará a redução dos prêmios de risco soberano e um crescimento mais forte do PIB a médio prazo. Fiscalmente, não se espera um aperto agressivo no curto prazo, mas uma trajetória de consolidação crível a médio prazo, com o déficit orçamentário podendo diminuir para 3,5% a 4,0% do PIB.
Uma vitória da oposição pode ter implicações significativas para a União Europeia e a Rússia, potencialmente mudando o papel da Hungria no bloco e abrindo caminho para um empréstimo de 90 bilhões de euros da UE para a Ucrânia, anteriormente bloqueado por Orbán. A derrota de Orbán ocorre em um cenário de atritos com a União Europeia devido a violações de padrões democráticos, incluindo restrições à liberdade de imprensa e enfraquecimento do Judiciário. Magyar, com formação em direito e experiência diplomática, adota uma estratégia de campanha popular, visitando redutos rurais e apelando ao patriotismo, similar a Orbán.
G1 Mundo • 13 abr, 07:40
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