A Hungria realiza eleições neste domingo para escolher os 199 deputados da Assembleia Nacional, que posteriormente elegerão o primeiro-ministro. O pleito é marcado pela disputa entre o atual primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán, no cargo há 16 anos, e seu principal rival, Peter Magyar, do partido de centro-direita Tisza. Orbán, conhecido por sua aliança com Donald Trump e Vladimir Putin, enfrenta um cenário de estagnação econômica, aumento do custo de vida e insatisfação popular, o que comprometeu sua imagem e abriu caminho para a ascensão de Magyar. Há denúncias de interferência estrangeira, com o apoio de Trump a Orbán e alegações de atuação russa na campanha, enquanto Orbán é criticado por restringir liberdades e enfraquecer instituições, mantendo, contudo, apoio popular com políticas nacionalistas. A participação eleitoral na primeira hora foi recorde na história pós-socialista da Hungria, quase o dobro da registrada em 2022.
Peter Magyar, ex-aliado de Orbán, rompeu com o partido Fidesz e lidera as pesquisas independentes, representando a maior ameaça ao regime de Orbán desde 2010. Sua ascensão é impulsionada pela insatisfação dos húngaros com a corrupção sistêmica e a gestão de Orbán, criticada por controlar a Constituição, o Judiciário, a mídia e as instituições, sendo descrita como uma autocracia eleitoral. Magyar promete combater a corrupção, reformar o país, liberar fundos congelados da União Europeia, restaurar o Estado de Direito, a independência dos tribunais, a liberdade de imprensa e das universidades, além de reconstruir laços com a UE e distanciar a Hungria da Rússia. Ele também propõe limite de mandatos para primeiros-ministros.
As projeções indicam que o Tisza pode conquistar uma ampla maioria no Parlamento, superando o Fidesz de Orbán e ameaçando o projeto de "democracia iliberal" de Orbán. Pesquisadores apontam que alterações no sistema eleitoral foram feitas para beneficiar o Fidesz, dificultando a vitória da oposição. A eleição é vista como crucial para o futuro da Hungria e atrai a atenção de toda a Europa devido às suas possíveis implicações geopolíticas. Analistas preveem que um governo Tisza aumentaria a confiança de investidores e melhoraria as relações com a União Europeia.
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