O dólar fechou e abriu abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, impulsionado por negociações de paz no Oriente Médio, dados domésticos favoráveis e desaceleração da atividade econômica brasileira.
O dólar fechou e abriu abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, registrando o quarto dia consecutivo de queda frente ao real e atingindo o menor valor desde março de 2024. A desvalorização da moeda americana é reflexo das incertezas geradas pela política externa do presidente dos EUA, Donald Trump, e da retomada das esperanças de um acordo de paz entre EUA e Irã, além das negociações de cessar-fogo no Oriente Médio. Negociações entre Washington e Teerã estão em andamento, segundo a Reuters, e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, expressou a expectativa de que o Irã avance na abertura do Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o comércio global de energia, responsável por um quinto das remessas. Embaixadores de Líbano e Israel também se reúnem em Washington para discutir um cessar-fogo, com mediação dos EUA, embora Israel não negocie com o Hezbollah e os confrontos continuem intensos.
A moeda norte-americana iniciou a terça-feira (14) com leve desvalorização, mantendo-se abaixo de R$ 5 e recuando frente à maioria das divisas internacionais. Este cenário tem levado investidores a buscar alternativas de alocação de capital fora do mercado norte-americano, valorizando moedas como o real brasileiro. A queda do petróleo no exterior, influenciada pelas expectativas de trégua no Oriente Médio, também contribui para a fraqueza global do dólar. Especialistas indicam que a fraqueza da moeda americana é um movimento global, beneficiando moedas emergentes e melhorando a percepção de risco para o Brasil. Um câmbio mais baixo contribui para aliviar a inflação em itens dolarizados e impacta positivamente a curva de juros, apesar de pressões inflacionárias ainda existirem.
A alta taxa de juros no Brasil, a abundância na exportação de commodities, os dados positivos do setor de serviços e as projeções de uma safra recorde também contribuem para a valorização do real. A Pesquisa Mensal de Serviços de fevereiro, que mostrou um crescimento de apenas 0,1%, indica uma desaceleração da atividade econômica brasileira. Economistas interpretam essa moderação como um reforço para a expectativa de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central, o que também impacta positivamente o mercado de juros. Em linha com a melhora do apetite por risco, as taxas dos títulos do Tesouro Direto, tanto prefixados quanto atrelados à inflação, registraram queda generalizada, e o Ibovespa atingiu um novo recorde histórico, superando 199 mil pontos.
A queda do dólar favorece uma rotação na Bolsa, com setores domésticos como varejo, consumo e logística ganhando destaque, pois se beneficiam de juros mais baixos e renda mais estável, enquanto empresas exportadoras ou fortemente dolarizadas podem perder tração relativa no curto prazo. Analistas veem o patamar atual como uma boa oportunidade de compra, mas alertam para a volatilidade do cenário, aconselhando a compra fracionada da moeda para mitigar riscos. A preocupação no Brasil é o impacto da guerra sobre os combustíveis e o bloqueio do Estreito de Ormuz.
InfoMoney • 14 abr, 10:21
Folha de São Paulo - Mercado • 14 abr, 09:37
InfoMoney • 14 abr, 09:16
6 mai, 18:10
5 mai, 10:04
23 abr, 10:05
16 abr, 10:03
9 abr, 15:02
Carregando comentários...