Alexandre Ramagem foi detido nesta segunda-feira (13) nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Orlando, Flórida. A Polícia Federal brasileira confirmou a cooperação policial internacional no caso, que incluiu um delegado da PF atuando como oficial de ligação junto ao ICE em Miami. Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira, tendo sido condenado a mais de 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito. Ele teve seu mandato cassado e passaporte diplomático cancelado no Brasil antes de fugir para os EUA.
Autoridades dos EUA confirmaram que o visto de turista de Ramagem permitia sua permanência legal apenas até 10 de março, tornando-o sujeito à deportação. Um documento do Departamento de Segurança Interna dos EUA revelou que o ex-deputado federal estava com o visto expirado. A investigação da PF aponta que Ramagem entrou nos EUA com documentos falsos e estava em Miami desde setembro de 2025. A localização de Ramagem foi possível após a Polícia Federal brasileira rastrear o carro que ele usou para buscar a esposa no aeroporto, identificando sua residência em Orlando. A detenção ocorreu em via pública, com agentes do ICE abordando-o sob pretexto de infração de trânsito, confirmando a irregularidade migratória com passaporte vencido. O Brasil já havia apresentado um pedido formal de extradição em dezembro do ano passado.
A investigação da PF indica que a fuga e permanência de Ramagem nos EUA foram facilitadas pela família do garimpeiro Rodrigo Cataratas (também conhecido como Rodrigo Martins de Mello), que o auxiliou com moradia, suporte financeiro e documentos falsos. A PF afirma que a atuação da família de Cataratas evidencia o intuito de financiar a organização criminosa investigada por tentativa de golpe de Estado. Sua rota de fuga incluiu a saída do Brasil por Roraima, cruzando a fronteira para a Guiana e, posteriormente, para os Estados Unidos. Celso Rodrigo de Mello, filho de Cataratas, foi preso em Manaus por decisão do ministro Alexandre de Moraes, relacionado ao caso.
A detenção de Ramagem gerou reações políticas no Brasil e discussões sobre seu futuro, além de ampla repercussão na imprensa internacional. Veículos estrangeiros como The Guardian, The Washington Post, Al Jazeera, Reuters e Deutsche Welle destacaram o contexto político de sua condenação, as circunstâncias da prisão pelo ICE e a cooperação entre autoridades brasileiras e americanas. A cobertura internacional enfatizou que a prisão, embora oficialmente por questões migratórias, é vista como resultado dessa articulação. Enquanto bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro (PL-SP), inicialmente minimizaram o ocorrido, políticos de esquerda e da base governista ironizaram a prisão e defenderam a deportação do ex-deputado federal. O senador Jorge Seif (PL-SC) solicitou asilo político para Ramagem nos EUA, alegando perseguição política. Especialistas apontam três cenários possíveis: deportação por questões migratórias, extradição solicitada pelo Brasil ou a concessão de asilo político. Um pedido de asilo político, se concedido, pode suspender tanto a deportação quanto a extradição. A defesa deve pedir asilo político, enquanto autoridades brasileiras buscam demonstrar que o caso é de execução de pena por crimes comuns para extradição.
G1 Política • 14 abr, 10:06
BBC Brasil • 14 abr, 09:48
InfoMoney • 14 abr, 09:38
16 abr, 15:02
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