Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin, foi detido e liberado nos EUA por questão migratória. O ICE comunicou à PF que ele pode aguardar em liberdade a conclusão de seu pedido de asilo, frustrando a expectativa brasileira de extradição.
Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, foi detido por agentes de imigração dos Estados Unidos em Orlando, Flórida. A detenção, ocorrida na segunda-feira, foi por uma "questão migratória", e ele foi liberado na quarta-feira. Ramagem, figura próxima ao ex-presidente Bolsonaro, declarou ter entrado nos EUA de forma regular em setembro do ano passado com documentos válidos e que seu pedido de asilo confere status de permanência regular, ainda sob análise. Ele agradeceu o apoio de aliados e da "mais alta cúpula" do governo Donald Trump por sua soltura, e em um vídeo divulgado, se referiu à Polícia Federal brasileira como 'polícia de jagunços'.
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA comunicou à Polícia Federal (PF) que Alexandre Ramagem possui direito à permanência provisória nos Estados Unidos e pode aguardar em liberdade a conclusão de seu pedido de asilo. Esta decisão administrativa explica a soltura de Ramagem e frustra a expectativa da PF, que esperava que ele permanecesse detido para facilitar sua vinda ao Brasil, onde é considerado foragido e foi condenado a 16 anos por envolvimento em uma "trama golpista". A liberação ocorreu antes de uma reunião agendada entre ICE e PF para discutir o caso, e a PF lamentou a revisão do caso, expressando preocupação com a aplicação das regras.
No Brasil, Ramagem é considerado foragido da Justiça, condenado pelo STF e teve seu mandato de deputado federal cassado. Ele deixou o Brasil clandestinamente em 2025, e o Ministério da Justiça solicitou sua extradição aos EUA. O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, o que levou à sua detenção inicial. Autoridades brasileiras agora preparam um relatório para tentar acelerar a deportação de Ramagem e impedir a concessão de asilo político, destacando sua saída clandestina do Brasil com apoio de organização criminosa.
Em resposta à situação, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quinta-feira (16) um requerimento para enviar uma missão oficial aos Estados Unidos. O objetivo é acompanhar a situação de brasileiros que solicitaram asilo político no país, com o caso do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) sendo citado como um dos motivos para a iniciativa. O requerimento, de autoria do senador Jorge Seif, foi aprovado simbolicamente na CRE, com registro de presença de 15 senadores em uma sessão de cinco minutos, mas a missão só ocorrerá se for aprovada pelo plenário do Senado. Os objetivos da missão incluem verificar assistência consular, visitar instalações de custódia do ICE e dialogar com autoridades americanas, com o senador Seif justificando a visita para fortalecer o diálogo e proteger os direitos dos cidadãos brasileiros no exterior.
G1 Política • 16 abr, 21:31
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