O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi detido na segunda-feira (13) e liberado na quarta-feira (15) nos Estados Unidos, em Orlando, Flórida, por questões migratórias. A detenção, realizada pelo ICE (serviço de imigração americano), durou dois dias. Ramagem é considerado foragido da justiça brasileira, tendo sido condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o Brasil clandestinamente em 2025, com a Polícia Federal investigando sua saída do país, que teria ocorrido por Roraima, atravessando a fronteira com a Guiana e embarcando para os EUA com apoio de uma organização criminosa.
As razões para sua soltura pelas autoridades norte-americanas não foram divulgadas oficialmente. A Polícia Federal (PF) brasileira não foi formalmente informada sobre a soltura e aguarda esclarecimentos e informações oficiais. O governo federal esperava que Ramagem permanecesse preso para negociações sobre sua vinda ao Brasil e pretendia mantê-lo sob custódia nos EUA para avançar com sua deportação. Autoridades brasileiras preparavam um dossiê com informações sobre a situação judicial de Ramagem para o serviço de imigração americano e um relatório para acelerar o processo de deportação e impedir a concessão de asilo político, que já foi solicitado por Ramagem. No entanto, aliados de Ramagem, como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, comemoraram a libertação e atribuíram o ocorrido a integrantes do governo Trump e ao próprio presidente. O influenciador Paulo Figueiredo afirmou que a situação imigratória de Ramagem é regular e que não houve necessidade de fiança. Rebeca Ramagem, esposa de Alexandre, publicou um vídeo falando sobre a prisão e alegando perseguição política.
Em janeiro, o Ministério da Justiça do Brasil encaminhou um pedido formal de extradição ao governo norte-americano. A detenção de Ramagem foi facilitada após o ministro Alexandre de Moraes determinar a inclusão de seu nome na lista da Interpol. Uma reunião entre a PF e o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA estava prevista, mas sua realização é incerta após a liberação de Ramagem. Além da condenação, Ramagem teve seu mandato de deputado federal cassado pela Câmara dos Deputados, seu passaporte diplomático cancelado e seus vencimentos parlamentares bloqueados por ordem do STF.
Ele é um delegado da Polícia Federal que chefiou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão Bolsonaro e é investigado no caso da "Abin Paralela", sendo apontado como integrante do núcleo central da trama para manter Jair Bolsonaro no poder.
InfoMoney • 16 abr, 10:59
G1 Política • 16 abr, 08:50
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