Líbano e Israel iniciaram negociações diretas, com um encontro agendado nos EUA para a próxima terça-feira, apesar da oposição do Hezbollah e da intensificação dos ataques que causaram centenas de mortes e agravaram a crise alimentar.

O Líbano, por meio de seu presidente Joseph Aoun, solicitou e aceitou iniciar negociações de paz diretas com Israel, apesar da intensificação dos ataques e da oposição do Hezbollah. A decisão ocorre após um mês de conflito que resultou em mais de um milhão de libaneses deslocados e um dos dias mais letais, com mais de 300 mortos e 1.150 feridos em ataques israelenses. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aceitou o pedido e instruiu seu governo a iniciar negociações o mais rápido possível. Líbano e Israel já realizaram um contato virtual entre seus embaixadores em Washington, com a participação do embaixador dos EUA no Líbano, e agendaram uma primeira reunião presencial para a próxima terça-feira, 14 de abril, no Departamento de Estado dos EUA, sob mediação americana, para discutir um cessar-fogo. A informação foi confirmada pelo gabinete de imprensa da Presidência do Líbano.
O Hezbollah, que tem retaliado com disparos de foguetes contra Kiryat Shmona e ataques a soldados do IDF, rejeita as negociações diretas, defendendo que o governo libanês deve exigir um cessar-fogo e a retirada das tropas israelenses antes de qualquer outra medida. A oposição do grupo levanta dúvidas sobre a implementação de um cessar-fogo e a viabilidade de um acordo duradouro, já que o desarmamento do Hezbollah é um ponto central e difícil nas negociações, devido ao risco de conflito interno e à percepção de que a comunidade xiita se sente cercada por inimigos. O secretário-geral do Hezbollah, Sheikh Naim Qassem, atribui os bombardeios israelenses ao fracasso em avançar por terra e ameaça com mais baixas para Israel. A inclusão do Líbano no cessar-fogo é um dos maiores impasses, com Netanyahu e Trump defendendo que a frente libanesa não se aplica ao acordo, enquanto o Paquistão afirma o contrário.
Israel intensificou seus ataques aéreos e avanços terrestres contra o Hezbollah, resultando em cerca de 1.700 mortes e mais de um milhão de desalojados. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram ter atingido mais de 100 centros de comando e instalações militares do Hezbollah, incluindo a morte de Ali Yusuf Harshi, secretário pessoal do líder do Hezbollah, Naim Qassem. Israel também destruiu a última ponte sobre o rio Litani e implantou forças adicionais, declarando a área ao sul do rio "desconectada do Líbano" e uma "zona de contenção". Em resposta, o Líbano apresentará uma queixa urgente ao Conselho de Segurança da ONU, classificando os ataques israelenses como "violação flagrante" do direito internacional. Apesar disso, Israel está se preparando para reduzir a intensidade de seus ataques no Líbano nos próximos dias, embora o Exército israelense afirme que a operação continua. Especialistas militares avaliam que a campanha de bombardeios de Israel não é eficaz para destruir o Hezbollah, visando mais a população civil, e que Israel teria dificuldade em manter uma posição ao sul do Rio Litani devido às baixas e à resistência do Hezbollah. Um acordo de trégua anterior entre Israel e Hezbollah, mediado por Washington em 2024, foi rompido em março de 2026.
Paralelamente, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou que o Líbano enfrenta uma crise de segurança alimentar, exacerbada pela ofensiva israelense. A interrupção no fornecimento de produtos e o aumento dos preços estão tornando os alimentos inacessíveis para muitas famílias, com os preços de vegetais e pão subindo significativamente desde 2 de março. Embora o Ministério da Economia e do Comércio do Líbano afirme que os estoques nacionais são suficientes para três a quatro meses e as cadeias de suprimentos funcionam normalmente, alguns mercados, especialmente no sul do Líbano, entraram em colapso, e os de Beirute estão sob crescente pressão.
InfoMoney • 10 abr, 19:31
G1 Mundo • 10 abr, 17:17
Agência Brasil - EBC • 10 abr, 16:04
22 abr, 11:08
17 abr, 03:01
14 abr, 13:01
13 abr, 10:06
8 abr, 12:04
Carregando comentários...