Daily Journal
Daily Journal

Moraes nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro; Itamaraty convoca embaixada dos EUA

O ministro Alexandre de Moraes negou a visita de Darren Beattie, assessor de Trump, a Bolsonaro, após alerta do Itamaraty sobre ingerência indevida, levando à convocação da Embaixada dos EUA.

Daily Journal
Foto: InfoMoney
||
12/03 às 18:02 · atualizado 13/03 às 09:00

Pontos principais

  • Alexandre de Moraes negou a visita de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, a Jair Bolsonaro na prisão.
  • O ministro Mauro Vieira, do Itamaraty, alertou o STF sobre a visita, classificando-a como possível ingerência indevida.
  • A decisão de Moraes foi baseada na falta de comunicação diplomática e por não estar na agenda oficial de Beattie no Brasil.
  • O Itamaraty convocou Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA, para esclarecer a visita de Beattie.
  • O Itamaraty soube da viagem de Beattie pela imprensa, sem comunicação prévia, o que gerou a convocação diplomática.
  • A Embaixada dos EUA tentou organizar uma reunião de Beattie com o chanceler Mauro Vieira de forma improvisada, via WhatsApp.
  • O visto de Beattie foi autorizado para uma conferência sobre minerais críticos e reuniões oficiais, não para visitas prisionais.
  • A repercussão da visita de Beattie a Bolsonaro fez com que parceiros do fórum de terras raras cancelassem participação, alegando caráter político.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie, assessor do governo Trump, que está detido no 19° Batalhão da Polícia Militar. A decisão de Moraes reverte uma autorização inicial e ocorre após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressar preocupação com a visita, classificando-a como uma possível ingerência indevida nos assuntos internos do Brasil.

Em ofício enviado ao STF, Vieira alertou que a visita de um funcionário estrangeiro a um ex-presidente em ano eleitoral poderia ser interpretada como uma intervenção indevida. A decisão de Moraes foi baseada na falta de comunicação diplomática da visita e por não estar na agenda oficial de Beattie no Brasil. O Itamaraty informou que o pedido de visita, solicitado pela defesa de Bolsonaro, não constava no objetivo original do visto de Beattie e não havia tramitado pelo Ministério.

Diante da situação, o Itamaraty convocou Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA, para prestar esclarecimentos sobre a visita de Beattie ao Brasil. O Ministério das Relações Exteriores soube da viagem do assessor de Trump pela imprensa, sem comunicação prévia, o que motivou a convocação diplomática. A Embaixada dos EUA chegou a tentar organizar uma reunião de Beattie com o chanceler Mauro Vieira de forma improvisada, via WhatsApp, sem seguir o protocolo diplomático.

O visto de Beattie foi autorizado para uma conferência sobre minerais críticos e reuniões oficiais, não para visitas prisionais. A embaixada dos EUA havia comunicado que Beattie estaria no Brasil para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos em São Paulo, sem mencionar compromissos fora da agenda oficial. A repercussão da tentativa de visita a Bolsonaro fez com que parceiros do fórum de terras raras cancelassem participação, alegando caráter político.

Comentários

Carregando comentários...