O Itamaraty revogou o visto de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, que visitaria Bolsonaro na prisão, após Lula condicionar sua entrada à liberação de vistos para autoridades brasileiras nos EUA, usando o princípio da reciprocidade.
O Itamaraty confirmou a revogação do visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos EUA Donald Trump, que tinha planos de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão de Papudinha. A decisão do governo brasileiro segue uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que condicionou a entrada de Beattie no Brasil à liberação de vistos para autoridades brasileiras pelos Estados Unidos. Em agosto do ano anterior, os EUA haviam cancelado os vistos da esposa e filha do ministro da Saúde Alexandre Padilha, gerando um impasse diplomático. O visto do ministro, já vencido, foi posteriormente concedido para uma reunião na ONU.
A revogação do visto de Beattie foi justificada pelo governo brasileiro com base no princípio internacional de reciprocidade, também adotado pelos EUA, e pela omissão e falseamento de informações relevantes sobre o motivo da visita na solicitação do visto. O Ministério das Relações Exteriores argumentou que Beattie pode ter mentido ao solicitar o visto, já que a visita a Bolsonaro não estava no contexto diplomático inicial e não foi comunicada previamente. O governo Lula avalia que Beattie ocultou a verdadeira intenção de sua viagem ao Brasil, que seria para um evento sobre minerais, mas planejava reuniões políticas não informadas, transformando a visita em um ato político. A tentativa de Bolsonaro de receber Beattie na prisão evidenciou o caráter político da visita, segundo o governo.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia negado o pedido da defesa de Bolsonaro para a visita do assessor americano, citando possível ingerência externa e reforçando a impossibilidade do encontro. Moraes, inclusive, revogou sua própria autorização para a visita após o Itamaraty informar que o visto de Beattie era para um evento específico e não incluía a visita ao ex-presidente. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou Moraes que a visita de Beattie poderia configurar 'indevida ingerência' em assuntos internos do Brasil, especialmente em ano eleitoral. Flávio Bolsonaro criticou a negativa do STF, classificando a decisão de Moraes como 'paranoia de interferência' e acusando o ministro de criar tensão diplomática desnecessária.
Beattie, que já atuou na Casa Branca, é conhecido por suas posições alinhadas a Trump e críticas ao governo brasileiro e ao Judiciário. A imprensa internacional, incluindo Reuters, Washington Post e Bloomberg, repercutiu o caso como um novo capítulo de tensão diplomática, destacando que a nomeação de Beattie, crítico do governo brasileiro, já indicava a delicadeza das relações bilaterais. O Washington Post enquadrou o caso como retaliação mútua e o situou no contexto da corrida presidencial brasileira, mencionando Flávio Bolsonaro como adversário de Lula. A Bloomberg contextualizou o histórico diplomático recente, incluindo pressões do governo Trump sobre o STF e sanções revertidas.
A recusa dos EUA em regularizar a situação de vistos para diversas autoridades brasileiras, incluindo Padilha, ministros do STF e ex-juízes eleitorais, desde a condenação de Jair Bolsonaro, foi um fator motivador para a decisão brasileira. O incidente adiciona um novo capítulo à disputa política entre o Planalto e o bolsonarismo, gerando tensão diplomática. A revogação do visto é vista como uma resposta política às investidas de assessores de Trump e à doutrina 'America First', visando contrapor uma possível associação entre bolsonaristas e trumpistas em ano eleitoral no Brasil. O episódio ocorre em um momento delicado das relações bilaterais, às vésperas de uma reunião entre Lula e Trump em Washington, e é visto como um elemento da disputa narrativa pré-eleitoral de 2026.
G1 Política • 14 mar, 00:00
InfoMoney • 13 mar, 17:30
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