Donald Trump expressou insatisfação com as negociações nucleares com o Irã, que considera insuficientes, enquanto Teerã rejeita 'exigências excessivas' dos EUA e insiste no caráter pacífico de seu programa, em meio a tensões e ameaças militares.
A terceira rodada de negociações nucleares indiretas entre Estados Unidos e Irã em Genebra foi concluída com 'progressos significativos', conforme relatado pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, que mediou as conversas. No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou insatisfação com o andamento das negociações, afirmando que o Irã não quer ir 'longe o suficiente' e declarando: 'Não estou feliz'. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, por sua vez, intensificou os contatos diplomáticos e solicitou que os EUA abandonem 'exigências excessivas' para um acordo nuclear, enfatizando a necessidade de seriedade e realismo por parte de Washington. Apesar dos avanços relatados pelo mediador e pelo Irã, o site Axios informou que os enviados dos EUA, Jared Kushner e Steve Witkoff, saíram 'desapontados' da reunião, e a imprensa americana reportou a insatisfação da Casa Branca com o progresso.
Trump tem acusado o Irã de retomar suas 'ambições nucleares sinistras' e de reconstruir seu programa nuclear, reiterando a possibilidade de ataques militares caso as conversas falhem. Ele deu ao Irã um prazo de 10 a 15 dias para um acordo, sob ameaça de um possível ataque, e utilizou seu discurso sobre o Estado da União para justificar uma eventual ação militar, citando o programa nuclear, o desenvolvimento de mísseis capazes de atingir os EUA e o apoio a grupos terroristas. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, expressou otimismo sobre as negociações, mas negou que o país esteja desenvolvendo armas nucleares, citando uma fatwa do líder supremo Ali Khamenei que proíbe tais atividades. O Irã possui urânio enriquecido a 60%, próximo do nível militar, mas alega que seu programa tem fins pacíficos, e Trump sugeriu que o Irã propôs reduzir o enriquecimento para 20%, embora os EUA defendam a interrupção total.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã negou as acusações de Trump sobre a busca por armas nucleares e mísseis, classificando-as como 'grandes mentiras'. Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, comparou Trump a Joseph Goebbels, acusando o governo dos EUA de uma 'campanha de desinformação'. Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, reforçou a postura do país, afirmando que os EUA podem escolher a diplomacia ou enfrentar a ira do Irã, e que bases militares americanas na região seriam alvos legítimos em caso de ataque. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reiterou que o Irã não desenvolverá armas nucleares e que seu programa é pacífico, com fins civis e para defesa.
Os EUA buscam a interrupção do enriquecimento de urânio, restrição de mísseis balísticos iranianos e o fim do apoio a grupos armados no Oriente Médio. O Irã, por sua vez, insiste que as negociações devem se limitar à questão nuclear e à remoção de sanções, propondo reduzir o enriquecimento de urânio em troca do fim das sanções. As tensões são agravadas pela falta de acesso de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao estoque de urânio iraniano e aos danos às instalações de enriquecimento há mais de oito meses. Agências de inteligência dos EUA avaliam que o Irã ainda não retomou um programa de armas nucleares, mas está em posição de fazê-lo se desejar, adicionando urgência às negociações e à retórica de ambos os lados, em meio ao maior contingente militar dos EUA no Oriente Médio em décadas.
Trump, apesar de afirmar que não deseja uma ação militar, ressaltou que 'às vezes é necessário', com fontes indicando que ele considera ataques limitados ou uma campanha mais ampla para derrubar o governo iraniano, enquanto o Irã promete uma resposta 'feroz' a qualquer ataque. As movimentações militares, com o envio de porta-aviões e reforço de bases pelos EUA, e exercícios conjuntos entre Irã, Rússia e China, sublinham a gravidade da situação. Equipes técnicas devem se reunir em Viena, na sede da AIEA, para discutir detalhes de um possível acordo, incluindo a suspensão de sanções, mantendo a esperança de uma solução diplomática, apesar da insatisfação expressa por Trump.
G1 Mundo • 27 fev, 18:33
InfoMoney • 27 fev, 14:23
G1 Mundo • 27 fev, 14:47
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