Irã e EUA progridem em negociações nucleares em Genebra, apesar de exercícios em Ormuz
Irã e EUA progridem em negociações nucleares em Genebra, com Teerã condicionando o diálogo à redução de sanções, enquanto exercícios militares ocorrem no Estreito de Ormuz.
Pontos principais
- O ministro iraniano Abbas Araqchi se reuniu com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, em Genebra, antes das negociações com os EUA.
- Irã e EUA alcançaram acordo sobre princípios orientadores na segunda rodada de negociações nucleares em Genebra.
- Araqchi destacou o progresso, mas ressaltou que ainda há trabalho a ser feito, com "ideias concretas" mas sem "submissão a ameaças".
- O Irã condiciona as negociações nucleares à redução das sanções internacionais lideradas pelos Estados Unidos.
- A Guarda Revolucionária do Irã realizou exercícios militares no Estreito de Ormuz, fechando-o parcialmente, para testar a prontidão do país.
- Os EUA exigem o fim dos programas nuclear e de mísseis do Irã, enquanto Teerã se dispõe a negociar apenas o nuclear em troca do fim das sanções.
- O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial, por onde passa 30% do volume mundial de petróleo.
- Negociações anteriores fracassaram após um conflito de 12 dias entre Israel e Irã, que incluiu bombardeios americanos a instalações iranianas.
Apesar das tensões elevadas e dos exercícios militares iranianos no Estreito de Ormuz, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, anunciou progresso nas negociações nucleares com os Estados Unidos em Genebra. Antes da segunda rodada de conversas indiretas com os EUA, Araqchi se reuniu com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, expressando que estava em Genebra com "ideias concretas para alcançar um acordo justo e equitativo", mas sem "submissão diante de ameaças". Paralelamente, a mídia estatal iraniana confirmou o fechamento temporário de parte do Estreito de Ormuz para manobras da Guarda Revolucionária, visando testar a prontidão do país contra ameaças de segurança. Este contexto de avanço diplomático e demonstração de força militar sublinha a complexidade da relação entre os dois países.
As negociações em Genebra, mediadas por Omã e com a participação de enviados norte-americanos como Steve Witkoff e Jared Kushner, ocorrem em um cenário de profundas divergências. O Irã aceita negociar o tema nuclear sob a condição de que haja redução das sanções internacionais lideradas pelos Estados Unidos. Os EUA, sob a presidência de Donald Trump, continuam a exigir o fim tanto do programa nuclear quanto do programa de mísseis do Irã, chegando a mencionar a possibilidade de uma "mudança de regime". Por sua vez, Teerã se mostra disposto a negociar apenas seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções, com o líder supremo Ali Khamenei rejeitando categoricamente qualquer tentativa de derrubar seu governo. A sensibilidade do Estreito de Ormuz, por onde transita 30% do petróleo mundial, adiciona uma camada de urgência e preocupação internacional a qualquer incidente na região. Negociações anteriores já haviam fracassado após um conflito de 12 dias entre Israel e Irã, que incluiu bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas.
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