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Operação Unha e Carne

A Operação Unha e Carne é a investigação da Polícia Federal, supervisionada por Alexandre de Moraes no STF, sobre elos entre políticos, policiais e o crime organizado no Rio. Começou em 3 de dezembro de 2025 com a prisão de Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, e apura vazamento de operações, fraudes na Educação, o jogo do bicho e postos que teriam lavado R$ 7,6 bilhões. A 8ª fase, em 15 de outubro de 2026, prendeu Márcio Canella.

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Foto: TV ALERJ / CC BY 3.0

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O que é a Operação Unha e Carne

A Operação Unha e Carne é uma investigação da Polícia Federal, sob supervisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre a ligação entre políticos, policiais e o crime organizado no Rio de Janeiro. Começou em 3 de dezembro de 2025 com a prisão do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, suspeito de vazar informações sigilosas de outra operação, e chegou à 8ª fase em 15 de outubro de 2026, com a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella.

Ao longo das fases, a investigação passou a apurar vazamento de operações contra o Comando Vermelho, fraudes em contratos da Secretaria de Educação do estado, pagamentos do jogo do bicho a políticos e uma rede de postos de combustíveis que, segundo a PF, lavou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. As ações fazem parte da força-tarefa Missão Redentor II. Nenhum dos investigados citados abaixo foi condenado na operação.

Como começou

O ponto de partida é a Operação Zargun, de setembro de 2025, que prendeu o então deputado estadual TH Joias, acusado de envolvimento com o Comando Vermelho. A PF passou a investigar quem vazou informações dessa operação, e a suspeita recaiu sobre Bacellar. As prisões e buscas são autorizadas por Moraes, relator do caso no STF. Em maio de 2026, a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, que a Alerj não pode rever as prisões de deputados determinadas na operação, depois de a Assembleia ter derrubado a primeira prisão de Bacellar.

As fases da operação

  • 1ª fase, 3 de dezembro de 2025: A PF prende Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, suspeito de vazar dados da Operação Zargun. Moraes o afasta da presidência da Casa. A Alerj revoga a prisão dias depois.
  • 2ª fase, 16 de dezembro de 2025: É preso o desembargador Macário Júdice Neto, do TRF-2, relator do caso TH Joias.
  • 3ª fase, 27 de março de 2026: Bacellar, já sem mandato, é preso de novo, em Teresópolis.
  • 4ª fase, 5 de maio de 2026: A PF prende o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de participar de fraudes em contratos de reforma de escolas da Secretaria de Educação. O dinheiro desviado, segundo a PF, era lavado em postos de combustíveis.
  • 5ª fase, 2 de julho de 2026: Os alvos são Bacellar, o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como chefe da máfia do cigarro, e o pastor e empresário Márcio Poncio, que foi preso. Há buscas contra o ex-deputado Marco Antônio Cabral.
  • 6ª fase, 7 de julho de 2026: A PF mira a rede de postos de combustíveis. Márcio Canella, então pré-candidato ao Senado, é preso em flagrante com um fuzil no carro, e o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim é alvo de buscas. Canella é solto em julho.
  • 7ª fase, 22 de setembro de 2026: Buscas no Rio encontram dois fuzis e uma submetralhadora irregulares, e o alvo é preso em flagrante.
  • 8ª fase, 15 de outubro de 2026: São presos Canella, eleito deputado estadual 11 dias antes, e Marcus Amim, entre 6 mandados de prisão e 16 de busca.

A rede de postos de combustíveis

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PF prende Marcus Vinicius Amim e Márcio Canella por suspeita de lavagem de dinheiro em postos no RJ

É a frente que a 6ª e a 8ª fases investigam. Segundo a PF, o grupo usava 96 postos na Região Metropolitana do Rio para misturar dinheiro legal e ilegal e repassá-lo a empresas de fachada, com movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos, número que vem de relatório do Coaf. A Justiça mandou sequestrar bens e suspender as atividades de 112 empresas. A investigação apura organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e cartel.

Na representação ao STF, a PF descreve Canella como "patrono político" do grupo. Em 16 de outubro de 2026, veio a público que a PF identificou R$ 80 milhões em emendas de comissão destinadas a Belford Roxo na gestão dele; a representação não comprova que o dinheiro das emendas tenha ido para o esquema. A defesa de Canella disse que só vai se manifestar depois de ter acesso aos autos.

Quem são os investigados

Foto: Aline M Vieira / CC BY-SA 4.0
  • Rodrigo Bacellar: ex-presidente da Alerj (União Brasil), preso na 1ª e na 3ª fases. Teve o mandato cassado, e o TRE-RJ refez a totalização dos votos para deputado estadual em abril de 2026. Segundo a PF, aparece nas planilhas do bicheiro Adilsinho com o codinome "Barba".
  • Márcio Canella: ex-prefeito de Belford Roxo, deputado estadual eleito em 2026 pelo União Brasil, preso na 8ª fase.
  • Marcus Amim: delegado, ex-secretário de Polícia Civil do Rio e ex-presidente do Detran-RJ, preso na 8ª fase.
  • Thiago Rangel: deputado estadual (Avante), preso na 4ª fase. A defesa nega as acusações.
  • Macário Júdice Neto: desembargador do TRF-2, preso na 2ª fase.
  • Adilsinho e Márcio Poncio: o bicheiro e o pastor e empresário da 5ª fase. Moraes mandou Poncio para prisão domiciliar em julho de 2026, por motivo de saúde.

Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro

O ex-governador Cláudio Castro não é alvo da operação. Uma lista atribuída a Adilsinho e encontrada pela PF cita uma doação de R$ 3,2 milhões à campanha de reeleição de Castro em 2022, segundo o g1. Canella era aliado do senador Flávio Bolsonaro, que apoiava a pré-candidatura dele ao Senado em 2026, com a mãe de Flávio, Rogéria Bolsonaro, como suplente; a chapa foi desfeita depois da 6ª fase. Em 15 de outubro de 2026, Lula, adversário de Flávio no 2º turno, ligou o senador a Canella ao comentar a prisão.

Linha do tempo

  • Setembro de 2025: A Operação Zargun prende TH Joias.
  • 3 de dezembro de 2025: 1ª fase, prisão de Rodrigo Bacellar.
  • 16 de dezembro de 2025: 2ª fase, prisão do desembargador Macário Júdice Neto.
  • 27 de março de 2026: 3ª fase, Bacellar é preso de novo.
  • 5 de maio de 2026: 4ª fase, prisão de Thiago Rangel.
  • Maio de 2026: A Primeira Turma do STF decide que a Alerj não pode rever as prisões.
  • 2 de julho de 2026: 5ª fase, Adilsinho e Márcio Poncio.
  • 7 de julho de 2026: 6ª fase, rede de postos; Canella é preso em flagrante.
  • 22 de setembro de 2026: 7ª fase.
  • 15 de outubro de 2026: 8ª fase, prisão de Canella e Marcus Amim.

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