Visão geral
Rodrigo Bacellar é um político brasileiro filiado ao União Brasil, eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Afastado do cargo em dezembro de 2025, tornou-se figura central em investigações da Polícia Federal (PF) por suspeitas de obstrução de justiça, ligações com crime organizado e compra de votos. Sua prisão temporária e mensagens trocadas com o desembargador Macário Júdice Neto atraíram atenção pública, revelando relações pessoais e políticas próximas. O inquérito contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em fase decisiva após a conclusão do relatório da PF em março de 2026, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliando os próximos passos.
Contexto histórico e desenvolvimento
Bacellar assumiu interinamente o governo do Rio de Janeiro em julho de 2025, durante viagem do governador Cláudio Castro, demitindo o secretário de Transportes, Washington Reis, o que rompeu a aliança entre ambos. Desde então, não se comunicam. Acusado de montar esquema de R$ 1 bilhão para pagamento de cabos eleitorais em 2024, beneficiando 18 mil pessoas via folha secreta da CEPERJ, incluindo vulneráveis e falecidos, responde ação no Tribunal Superior Eleitoral.
Em 3 de dezembro de 2025, foi preso na Superintendência da PF no Rio, com R$ 90 mil apreendidos em seu carro. A Alerj votou pela soltura em 8 de dezembro (42 a 21). No dia 9, ministro Alexandre de Moraes (STF) revogou a prisão, impondo medidas cautelares: afastamento da presidência da Alerj, tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e fins de semana, proibição de comunicação com investigados, entrega de passaportes e suspensão de porte de arma. Em 10 de dezembro, licenciou-se por 10 dias.
Na Operação Unha e Carne (2ª etapa, 16/12), PF apreendeu três celulares de Rui Bulhões, chefe de gabinete de Bacellar, e prendeu Macário Júdice Neto (TRF-2), suspeito de vazar operação contra TH Joias. Mensagens de Bacellar e Macário revelam afeto ('Te amo', 'Sou teu fã') e favores, como ingressos para jogo do Flamengo. PF acessou celulares de ambos e de Bulhões em 17/12, investigando obstrução e ramificações do Comando Vermelho na Alerj.
Em 3 de março de 2026, o relatório da Polícia Federal sobre o caso foi concluído e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O inquérito, que tramita no STF por conexão com a ADPF 635 (ADPF das Favelas), que trata de operações policiais no Rio, entrou em fase decisiva. A Procuradoria-Geral da República (PGR) é a próxima a se manifestar, podendo oferecer denúncia, pedir novas diligências ou solicitar o arquivamento. Especialistas consideram remota a possibilidade de perda do foro por prerrogativa de função de Bacellar, mantendo o caso no STF, visto que as suspeitas se referem a fatos ocorridos no exercício do mandato e em razão dele.
Linha do tempo
- Julho de 2025: Rompimento com Cláudio Castro após demissão de Washington Reis.
- 4 de novembro de 2025: Macário tenta mediar crise; Bacellar ameaça 'beber sangue' do governador.
- 3 de dezembro de 2025: Prisão na PF-RJ; apreensão de R$ 90 mil.
- 8 de dezembro de 2025: Alerj vota soltura (42 sim, 21 não).
- 9 de dezembro de 2025: Moraes revoga prisão e impõe cautelares.
- 10 de dezembro de 2025: Licença de 10 dias da Alerj.
- 16 de dezembro de 2025: Operação Unha e Carne; prisão de Macário e apreensão de celulares de Bulhões.
- 17 de dezembro de 2025: PF acessa celulares de Bacellar, Macário e Bulhões.
- 3 de março de 2026: Relatório da Polícia Federal sobre Bacellar é concluído e enviado ao STF.
Principais atores
- Rui Bulhões: Chefe de gabinete de Bacellar, apelidado 'Rui Bilhões' pela oposição; alvo de buscas.
- Macário Júdice Neto: Desembargador do TRF-2, preso por obstrução; articulador político próximo a Bacellar.
- Cláudio Castro: Governador do RJ (PL); ex-aliado, rompimento em 2025.
- Alexandre de Moraes: Ministro do STF; autorizou prisões e cautelares.
- Washington Reis: Ex-secretário demitido por Bacellar.
- Instituições: Alerj, PF, STF, TRF-2, Procuradoria-Geral da República (PGR).
Termos importantes
- Alerj: Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
- Operação Unha e Carne: Investigação da PF sobre obstrução e crime organizado.
- União Brasil: Partido de Bacellar.
- TRF-2: Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
- TH Joias: Ex-deputado alvo de operação vazada.
- ADPF 635 (ADPF das Favelas): Argumentação de Descumprimento de Preceito Fundamental que determinou medidas para operações policiais no Rio e que justifica a competência do STF no caso Bacellar.
- PGR: Procuradoria-Geral da República, órgão responsável por analisar o relatório da PF e decidir sobre denúncia, novas diligências ou arquivamento do inquérito.
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