Visão geral
A Operação Barco de Papel é uma ação da Polícia Federal (PF) deflagrada em 23 de janeiro de 2026, que investiga irregularidades financeiras envolvendo o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) e o Banco Master. A operação visa apurar a suspeita de gestão fraudulenta e desvio de recursos em aplicações de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência no Banco Master, que se encontrava em processo de liquidação extrajudicial.
Contexto histórico e desenvolvimento
As investigações da Operação Barco de Papel tiveram início após a identificação de operações financeiras consideradas irregulares realizadas pelo Rioprevidência com o Banco Master. Entre novembro de 2023 e julho de 2024, o fundo de previdência dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro teria aplicado R$ 970 milhões na instituição financeira. A Polícia Federal apontou que essas operações expuseram o patrimônio da autarquia a um risco elevado e incompatível com sua finalidade, podendo resultar em um calote que afetaria os 235 mil servidores do Rio e seus dependentes.
Em 23 de janeiro de 2026, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal, no Rio de Janeiro. Os alvos incluíram a residência do então presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, onde foram apreendidos um veículo de luxo blindado, R$ 7 mil, um pen drive, um relógio e documentos. A operação também atingiu as residências do ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência, Eucherio Lerner Rodrigues, e do ex-diretor interino de Investimentos, Pedro Pinheiro Guerra Leal. Na casa de Rodrigues, foram encontrados R$ 3,5 mil, além de um veículo de luxo, celular, notebooks, pen drive e HDs. Os crimes investigados incluem gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.
No mesmo dia da deflagração da operação, Deivis Marcon Antunes anunciou sua renúncia ao cargo de diretor-presidente do Rioprevidência. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, publicou o ato de exoneração no Diário Oficial em 23 de janeiro de 2026, formalizando a saída de Antunes.
O Rioprevidência, por sua vez, negou as irregularidades, afirmando que agiu dentro da legalidade e que os valores estão resguardados por determinação judicial. A instituição também assegurou que os pagamentos a aposentados e pensionistas não foram afetados e que o investimento está sendo quitado por meio da retenção de valores de empréstimos consignados que seriam repassados ao Banco Master.
Linha do tempo
- Novembro de 2023 – Julho de 2024: Período em que o Rioprevidência teria aplicado R$ 970 milhões no Banco Master.
- 23 de janeiro de 2026: Deflagração da Operação Barco de Papel pela Polícia Federal, com cumprimento de mandados de busca e apreensão. Deivis Marcon Antunes renuncia ao cargo de diretor-presidente do Rioprevidência e é exonerado pelo governador Cláudio Castro.
Principais atores
- Polícia Federal (PF): Órgão responsável pela investigação e pela deflagração da operação.
- Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro): Instituição cujos executivos são alvo da investigação por supostas aplicações irregulares.
- Banco Master: Instituição financeira que recebeu as aplicações do Rioprevidência e que está em processo de liquidação extrajudicial.
- Deivis Marcon Antunes: Ex-presidente do Rioprevidência, alvo de mandado de busca e apreensão, que renunciou e foi exonerado do cargo.
- Eucherio Lerner Rodrigues: Ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência, alvo de mandado de busca e apreensão.
- Pedro Pinheiro Guerra Leal: Ex-diretor interino de Investimentos do Rioprevidência, alvo de mandado de busca e apreensão.
- Banco Central: Órgão que decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
- Cláudio Castro: Governador do Rio de Janeiro, responsável pela exoneração de Deivis Marcon Antunes.
Termos importantes
- Rioprevidência: Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, responsável pela gestão da previdência dos servidores públicos estaduais.
- Liquidação extrajudicial: Processo de encerramento das atividades de uma instituição financeira, determinado pelo Banco Central, geralmente devido a problemas financeiros graves.
- Gestão fraudulenta: Ato de administrar uma instituição de forma desonesta, com o intuito de obter vantagens ilícitas ou causar prejuízo a terceiros.
- Desvio de recursos: Utilização indevida de fundos ou bens que deveriam ter outro destino, em benefício próprio ou de terceiros.
- Fraude à fiscalização ou ao investidor: Ações que visam enganar órgãos reguladores ou investidores sobre a real situação financeira ou operacional de uma entidade.
