A economia da Venezuela, fortemente dependente do petróleo e suas vastas reservas, enfrenta incertezas devido a eventos políticos recentes e sanções internacionais. Com a intervenção dos EUA na gestão do petróleo venezuelano, há negociações para a reconstrução da infraestrutura energética e a possível liberação de ativos congelados. A situação econômica impacta mercados globais e gerou uma crise humanitária, mas há esforços diplomáticos para atrair investimentos estrangeiros e estabilizar o país, com o petróleo sendo crucial para sua recuperação.
A economia da Venezuela é um tema de relevância global, frequentemente associado a impactos em mercados internacionais, como as ações europeias, e a flutuações no preço do petróleo. Sua situação econômica é um fator que pode influenciar a estabilidade de outros mercados e a percepção de risco em investimentos globais. Eventos políticos recentes, como a mudança de liderança, libertações de prisioneiros e a intervenção direta dos Estados Unidos na gestão do petróleo venezuelano, intensificam a incerteza. Sob um novo arranjo, o governo dos EUA passou a intermediar as negociações do petróleo bruto do país, estabelecendo que as receitas sejam depositadas em contas controladas por Washington e destinadas à compra de produtos fabricados nos EUA, como itens agrícolas e médicos. Atualmente, o setor atrai o interesse de grandes petroleiras americanas, que avaliam o retorno ao país em meio a um cenário de alto risco, enquanto os dois governos iniciam diálogos para a reconstrução da infraestrutura energética local. O agravamento da crise política e militar também gerou um impacto humanitário significativo, consolidando os venezuelanos como a principal nacionalidade estrangeira em países vizinhos como o Brasil. Em um desenvolvimento notável dessa cooperação, em 10 de janeiro de 2026, a Venezuela anunciou o retorno de um navio petroleiro, uma operação que o então presidente Donald Trump atribuiu a um "grande acordo energético" entre os dois países. Em 11 de janeiro de 2026, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, indicou a possibilidade de ampliar a retirada de sanções contra a Venezuela, incluindo a liberação de cerca de US$ 5 bilhões em ativos monetários venezuelanos congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI). Bessent também mencionou planos de se reunir com o FMI e o Banco Mundial para discutir a retomada das relações com a Venezuela, com a possibilidade de suspensão de sanções adicionais já na próxima semana. No entanto, as sanções americanas continuam a impactar as rotas comerciais do petróleo venezuelano, com as exportações para a China, um dos principais destinos, previstas para cair devido ao bloqueio que limita os carregamentos. Em 15 de janeiro de 2026, o presidente Donald Trump expressou apoio à permanência da Venezuela na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), embora tenha questionado o benefício para os EUA e afirmado que a decisão não foi discutida com o país sul-americano. No mesmo dia, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, propôs uma reforma da lei de hidrocarbonetos para facilitar investimentos estrangeiros, especialmente dos EUA, no setor petrolífero. Ela destacou que a medida visa incorporar novos fluxos de investimento em setores sem infraestrutura e destinar os fundos do petróleo para trabalhadores e serviços públicos. O governo americano já contabiliza US$ 500 milhões gerados pela venda de petróleo venezuelano, depositados em uma conta controlada pelos EUA, localizada no Catar. Em 16 de janeiro de 2026, o reaparecimento do superpetroleiro Marbella na costa venezuelana, após mais de um ano desaparecido, sinalizou o ressurgimento da "frota fantasma" de navios utilizada para exportar petróleo clandestinamente e contornar sanções, indicando possíveis mudanças no cenário político e econômico após a destituição de Nicolás Maduro. Em 18 de janeiro de 2026, a captura de Nicolás Maduro por tropas dos Estados Unidos e as declarações de Donald Trump sobre a riqueza petrolífera do país destacaram a importância das reservas venezuelanas no cenário internacional. Em 22 de janeiro de 2026, o governo Trump autorizou a China a comprar petróleo venezuelano, sob a condição de que não fosse vendido a preços "injustos e rebaixados", visando garantir um preço justo para o povo venezuelano, em contraste com as vendas a preços baixos anteriores à remoção de Nicolás Maduro. A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 300 bilhões de barris, embora esse número seja questionado por especialistas que apontam que a produção potencial difere da real e que o conceito de "reserva comprovada" implica 90% de probabilidade de recuperação econômica e técnica.
Contexto histórico e desenvolvimento
A economia venezuelana tem sido historicamente dependente do petróleo, commodity que desempenha um papel central em suas finanças e na sua relação com o cenário econômico mundial. A presença de empresas estrangeiras no setor passou por grandes transformações nas últimas décadas; enquanto a Chevron manteve operações no país, outras gigantes como Exxon e ConocoPhillips deixaram a Venezuela há quase 20 anos. Mudanças recentes na liderança política, incluindo a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, em operação ordenada pelo presidente Donald Trump para ser julgado por acusações de tráfico de drogas, e a manutenção de Delcy Rodríguez no poder por decisão do Tribunal Supremo de Justiça, contribuem para a volatilidade nos mercados. Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina dez dias antes de 15 de janeiro de 2026. Em 8 de janeiro de 2026, Rodríguez discursou em uma cerimônia em homenagem a militares e seguranças venezuelanos e cubanos que morreram durante a operação dos EUA para capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
O governo americano anunciou que refinará e venderá até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano. Além da comercialização, os EUA e a Venezuela iniciaram conversas para cooperar na reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás do país em uma escala moderna. O mercado global de energia tem reagido a esses eventos com altas nos preços do WTI e do Brent, à medida que investidores avaliam os riscos de suprimento global e a possibilidade de uma normalização diplomática que facilite operações industriais de larga escala. Em 10 de janeiro de 2026, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para proteger as receitas do petróleo venezuelano, depositadas em contas do Tesouro dos EUA, de serem confiscadas por tribunais ou credores. A medida, baseada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 e na Lei de Emergências Nacionais de 1976, visa garantir que esses fundos sejam usados na Venezuela para promover. No mesmo dia, a Venezuela anunciou o retorno de um navio petroleiro, um evento que Donald Trump destacou como resultado de um "grande acordo energético" entre as nações, sinalizando um avanço tangível na cooperação energética bilateral. Em 11 de janeiro de 2026, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mencionou a avaliação de ampliar a retirada de sanções contra a Venezuela, com a possível liberação de aproximadamente US$ 5 bilhões em ativos monetários venezuelanos que estão congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI). Bessent também afirmou que planeja se reunir com o FMI e o Banco Mundial para tratar da retomada de relações com a Venezuela, e que a suspensão de sanções adicionais pode ocorrer já na próxima semana. Em 14 de janeiro de 2026, foi noticiado que as exportações de petróleo venezuelano para a China, um de seus principais destinos, devem sofrer uma queda significativa devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que limita os carregamentos. Em 15 de janeiro de 2026, Donald Trump declarou à agência Reuters seu apoio à permanência da Venezuela na Opep, embora tenha ressaltado que a decisão não foi discutida com o país e questionou se seria benéfica para os Estados Unidos. No mesmo dia, a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou que apresentará uma proposta para reformar a lei de hidrocarbonetos do país, visando atrair investimentos dos EUA e incorporar novos fluxos de investimento em setores não explorados. Ela também buscou diplomacia com os EUA, marcando uma mudança na retórica. O discurso de Rodríguez ocorreu pouco depois de a líder da oposição, Maria Corina Machado, se encontrar com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Trump elogiou a cooperação de Rodríguez e manteve a visão de que Machado não é uma alternativa realista para a Venezuela, enquanto Machado afirmou que ela e seus apoiadores podiam contar com Trump. Os fundos provenientes da venda de petróleo, que já somam US$ 500 milhões, estão depositados em contas controladas pelos EUA, com a principal localizada no Catar. Em 16 de janeiro de 2026, o superpetroleiro Marbella, que estava desaparecido há mais de um ano, ligou seu transponder e foi localizado na costa venezuelana. Este evento sugere o ressurgimento da "frota fantasma" de petróleo da Venezuela, composta por navios que operam sem identificação para contornar sanções e exportar petróleo de forma clandestina, e indica possíveis mudanças nas operações após a destituição de Nicolás Maduro. Em 18 de janeiro de 2026, a captura de Nicolás Maduro e as declarações de Donald Trump sobre a riqueza petrolífera da Venezuela trouxeram o petróleo venezuelano para o centro das atenções internacionais. Em 22 de janeiro de 2026, o governo Trump autorizou a China a comprar petróleo venezuelano, com a condição de que o preço não seja "injusto e rebaixado", garantindo que o povo venezuelano receba um valor justo pelo seu petróleo, em contraste com as práticas anteriores à remoção de Maduro.
Após a prisão de Maduro, os EUA assumiram o controle da indústria petrolífera venezuelana. Em 6 de janeiro de 2026, Trump anunciou que o governo de Delcy Rodríguez entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, a serem vendidos a preços de mercado, com a receita controlada por Washington para beneficiar os povos venezuelano e americano. No dia seguinte, 7 de janeiro de 2026, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) confirmou o início das negociações para a venda de petróleo venezuelano, indicando que o mecanismo seria aplicado indefinidamente. A estatal petrolífera venezuelana, PDVSA, confirmou as negociações, descrevendo-as como uma transação comercial com critérios de legalidade, transparência e benefício mútuo. As empresas Vitol e Trafigura, duas das maiores comercializadoras de commodities do mundo, foram escolhidas para executar e fornecer apoio financeiro a essas vendas, adquirindo o petróleo a preços abaixo do Brent e o oferecendo a refinarias na Costa do Golfo dos EUA. Este mecanismo de curto prazo foi implementado para estabilizar o país e garantir que as receitas beneficiem o povo venezuelano, evitando o financiamento de sistemas corruptos do passado. Em 14 de janeiro de 2026, a primeira venda de petróleo bruto venezuelano, avaliada em US$ 500 milhões, foi anunciada. O dinheiro é depositado em uma conta do Banco Central da Venezuela no JP Morgan e transferido para um fundo fiduciário no Catar, sob aprovação dos EUA, para evitar confisco por credores e garantir que os fundos sejam usados para necessidades essenciais. Os fundos são alocados na economia venezuelana por meio de leilões do Banco Central da Venezuela (BCV), com 80% destinados a setores prioritários como alimentos e medicamentos, 15% para outros setores produtivos e 5% para pessoas físicas, com um mecanismo de auditoria posterior pelos EUA. Em 14 de fevereiro de 2026, o Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, tornou-se o funcionário americano de mais alto escalão a visitar a Venezuela em mais de duas décadas, reunindo-se com Delcy Rodríguez para discutir a transformação da relação bilateral e o compromisso de Trump em trazer comércio, paz, prosperidade e oportunidades ao povo venezuelano em parceria com os Estados Unidos.
Reservas de Petróleo e Geologia
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 300 bilhões de barris de reservas "comprovadas", o que representa quase um quinto do total mundial. No entanto, esse número autodeclarado é alvo de questionamento de especialistas, que argumentam que ele pode estar inflado e que a produção potencial difere da real. O conceito de "reserva comprovada" envolve não apenas a existência física do petróleo, mas também a probabilidade de 90% de recuperação econômica e técnica com a tecnologia disponível. Grande parte do petróleo venezuelano, especialmente na Faixa Petrolífera do Orinoco, é pesado, ácido, com alto teor de enxofre e caro de extrair e refinar. Apesar disso, o petróleo pesado venezuelano é especialmente importante para a produção de diesel e combustível de aviação, tendo usos distintos do petróleo leve.
A formação dessas vastas reservas é resultado de uma combinação rara de fatores geológicos. A Venezuela está situada no extremo norte da América do Sul, em uma área de interação complexa entre a placa tectônica Sul-Americana, a placa do Caribe e a placa de Nazca. Esse choque de placas tectônicas deu origem a bacias sedimentares profundas, sistemas de falhas, dobras e armadilhas estruturais que retiveram o petróleo. A presença de grandes cadeias montanhosas, como os Andes, em combinação com extensas bacias planas, criou condições ideais para a geração e preservação de hidrocarbonetos. A Faixa Petrolífera do Orinoco, considerada a maior acumulação de hidrocarbonetos do mundo, e os campos do Lago de Maracaibo, são exemplos dessa formação.
No subsolo venezuelano, existe uma espessa sequência de rochas sedimentares de grão fino do período Cretáceo, ricas em matéria orgânica (plâncton e algas), que serviram como "rocha geradora" de excelente qualidade para o petróleo. Milhões de anos de soterramento, altas pressões e reações químicas transformaram esse material orgânico em petróleo. A "rocha reservatório", composta por arenito de boa qualidade, é extremamente eficiente para reter o petróleo. Além disso, inúmeras falhas geológicas funcionaram como vias de migração do petróleo para as "armadilhas" geológicas, permitindo sua acumulação em volumes extraordinários.
A história da exploração petrolífera venezuelana remonta a 1910, com a indústria inicialmente controlada por empresas privadas como Shell, Exxon e Chevron até 1975. A primeira grande descoberta ocorreu em 1914, com o campo de Mene Grande, na Bacia Ocidental do Lago de Maracaibo. Nos anos seguintes, foram descobertos outros campos relevantes, incluindo o gigantesco Campo Costero Bolívar. Na Bacia Oriental, a produção comercial começou em 1937 com o campo de Oficina. Ao final da década de 1930, a Venezuela já era o terceiro maior produtor mundial de petróleo, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Soviética. Ao longo de mais de um século, foram descobertos cerca de 75 bilhões de barris de reservas recuperáveis em aproximadamente 320 campos petrolíferos, incluindo 28 considerados gigantes.