Delcy Rodríguez é a atual presidente interina da Venezuela desde janeiro de 2026, assumindo após a captura de Nicolás Maduro. Sua ascensão foi validada pelo Tribunal Supremo de Justiça e reconhecida pelas Forças Armadas, marcando uma nova fase política no país. Rodríguez tem implementado reformas, como a lei de anistia e propostas para o setor petrolífero, buscando estabilizar a economia e redefinir as relações com os Estados Unidos, apesar das tensões e da recente notícia de uma possível acusação criminal dos EUA contra ela.
Delcy Eloína Rodríguez Gómez é uma política venezuelana que assumiu a presidência interina da Venezuela em 5 de janeiro de 2026, após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. Anteriormente vice-presidente de Maduro, sua ascensão ao poder foi validada pelo Tribunal Supremo de Justiça e reconhecida pelas Forças Armadas venezuelanas. Sua trajetória política é marcada por cargos de crescente importância no governo chavista e por ser uma das vozes mais contundentes do regime contra pressões internacionais, o que a tornou alvo de sanções de diversos países e blocos. Em janeiro de 2026, Rodríguez rebateu publicamente as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a tutela americana sobre a Venezuela, afirmando que o país possui um governo em exercício e que não há agentes externos governando. Em 14 de janeiro de 2026, ela se reuniu com o empresário brasileiro Joesley Batista em Caracas para discutir a situação do governo atual do país. Em 15 de janeiro de 2026, Rodríguez propôs uma reforma da lei de hidrocarbonetos para facilitar investimentos dos EUA no setor petrolífero, buscando incorporar fluxos de investimento em novos setores e destinar os fundos do petróleo a trabalhadores e serviços públicos. Ela também sinalizou uma postura mais diplomática em relação aos EUA, afirmando que viajaria a Washington "por conta própria, sem ser arrastada" se necessário. Em 16 de janeiro de 2026, Delcy Rodríguez avançou na consolidação de sua autoridade, promovendo mudanças no alicerce do chavismo e buscando fortalecer seu poder no país. Em 17 de janeiro de 2026, foi revelado que Delcy Rodríguez esteve na mira dos EUA como "alvo prioritário" desde 2022, o que contrasta com a postura recente de Donald Trump, que a tem elogiado como interlocutora preferencial de Washington, sugerindo uma complexidade nas relações diplomáticas. Em 25 de janeiro de 2026, menos de um mês após assumir o cargo, Rodríguez já havia promovido uma reorganização ministerial significativa, afastando aliados de Maduro e consolidando um novo círculo de confiança focado em perfis técnicos e econômicos para o que tem sido chamado de "chavismo 3.0". Ela também se reuniu com o diretor da CIA, Jon Ratcliffe, e assinou um acordo para a comercialização de petróleo venezuelano com os Estados Unidos. No mesmo dia 25 de janeiro de 2026, durante um evento com petroleiros no estado de Anzoátegui, Rodríguez declarou publicamente que a Venezuela não aceitará mais ordens de Washington, criticando a interferência estrangeira e afirmando que "já basta de potências estrangeiras" e que a política venezuelana deve resolver suas próprias divergências e conflitos internos. Ela também mencionou que o país já sofreu as consequências do "fascismo e extremismo". Em 30 de janeiro de 2026, Delcy Rodríguez anunciou uma proposta de lei de anistia geral para centenas de presos no país, visando promover a coexistência pacífica, restabelecer a justiça e a convivência entre os venezuelanos, cobrindo o período de violência política de 1999 até os dias atuais, mas excluindo crimes como homicídio, tráfico de drogas, corrupção e violações graves aos direitos humanos. Em 19 de fevereiro de 2026, Rodríguez sancionou a lei de anistia geral, que foi promulgada no dia seguinte, 20 de fevereiro de 2026, e visa libertar centenas de detidos, incluindo ativistas e defensores dos direitos humanos. A medida, no entanto, foi recebida com reservas por grupos de defesa dos direitos dos prisioneiros e pela oposição, que criticam a exclusão de militares e a exigência de supervisão judicial para a aprovação dos pedidos de anistia. Em 20 de fevereiro de 2026, a presidente interina defendeu a lei de anistia como um passo para uma "Venezuela mais democrática, justa e livre". No dia 21 de fevereiro de 2026, a Justiça venezuelana concedeu liberdade a 379 presos políticos, um dia após a promulgação da lei. A anistia é vista como parte da agenda de Rodríguez para uma maior abertura petrolífera e uma virada nas relações com os Estados Unidos. A Espanha anunciou sua intenção de pedir à União Europeia a suspensão das sanções contra Delcy Rodríguez em resposta a essas medidas. No mesmo dia, o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, se reuniu em Caracas com Delcy Rodríguez, o ministro da Defesa Vladimir Padrino e o ministro do Interior Diosdado Cabello. Em 3 de março de 2026, foi divulgado que o governo Trump está preparando uma acusação criminal contra Delcy Rodríguez por corrupção e lavagem de dinheiro, focada em seu suposto envolvimento na lavagem de fundos da PDVSA entre 2021 e 2025, uma estratégia para aumentar a influência dos EUA sobre Caracas. Apesar de o Departamento de Justiça ter negado a informação, a agência Reuters reafirmou sua reportagem. Os EUA também apresentaram a Rodríguez uma lista de ex-autoridades e associados que desejam que ela prenda ou mantenha sob custódia para possível extradição, incluindo Alex Saab e Raul Gorrín, ambos detidos na Venezuela. Essa ameaça legal surge em contraste com os elogios públicos de Trump a Rodríguez por sua cooperação.
Delcy Rodríguez nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969. É filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista, um partido marxista, e irmã de Jorge Rodríguez Gómez, ex-vice-presidente e ex-prefeito de Caracas, figura proeminente do chavismo. Seu pai foi uma figura revolucionária que foi torturada e morta sob custódia policial na década de 1970.
Formada em direito do trabalho pela Universidade Central da Venezuela, com pós-graduação em Paris e Londres, Delcy Rodríguez atuou como professora universitária e presidiu uma associação de advogados trabalhistas. Sua carreira política teve início em 2003, durante o governo de Hugo Chávez, em funções técnicas ligadas à Vice-Presidência e ao Ministério de Energia e Minas. Ao longo dos anos, consolidou-se no núcleo do poder chavista, tanto na política interna quanto na diplomacia, e tornou-se integrante da direção nacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Também liderou brevemente o movimento Somos Venezuela, criado em 2018. Apesar de não ter sido uma figura central no governo de Hugo Chávez, sua influência cresceu significativamente, especialmente em conjunto com seu irmão Jorge Rodríguez, com quem compartilha uma aliança estratégica e o controle dos poderes Executivo e Legislativo, respectivamente. Essa dinâmica é descrita como um "dragão de duas cabeças", onde a lealdade é ao poder em si, e não a uma ideologia específica.
Desde 2022, Delcy Rodríguez era considerada um "alvo prioritário" pelos Estados Unidos, uma informação que veio à tona em janeiro de 2026 e que contrasta com a recente abordagem do presidente Donald Trump. Trump tem elogiado Rodríguez e a considera uma interlocutora preferencial de Washington, indicando uma possível mudança ou dualidade na política externa americana em relação à Venezuela.
Em 5 de janeiro de 2026, após a operação militar dos EUA que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, Delcy Rodríguez foi nomeada presidente interina da Venezuela pelo Tribunal Supremo de Justiça, sendo a primeira na linha de sucessão. Ela tomou posse em cerimônia no mesmo dia, com o apoio das Forças Armadas, que a reconheceram para um mandato de 90 dias, prorrogável. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Rodríguez estava cooperando com o governo americano, declarando que o governo interino de Rodríguez estaria sob sua tutela e que os EUA controlariam o petróleo venezuelano. Trump chegou a se reunir com executivos da indústria petroleira para discutir a extração de petróleo no país. Em resposta, em 13 de janeiro de 2026, Rodríguez rebateu as declarações de Trump, incluindo uma publicação em que ele aparecia em uma montagem como presidente interino da Venezuela, afirmando que "não há nenhum agente externo governando a Venezuela" e que "aqui há um governo que manda na Venezuela, aqui há uma presidente em exercício e há um presidente refém nos EUA". Trump também fez declarações sobre Cuba, afirmando que o país não teria mais acesso ao petróleo ou dinheiro da Venezuela, e que Cuba deveria "fazer um acordo antes que seja tarde". O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, negou que Cuba recebesse compensação monetária por serviços de segurança prestados à Venezuela e defendeu o direito de comércio do país. Em 14 de janeiro de 2026, Delcy Rodríguez recebeu o empresário brasileiro Joesley Batista em Caracas para uma reunião sobre a situação do governo venezuelano. Em 15 de janeiro de 2026, Delcy Rodríguez anunciou uma proposta para reformar a lei de hidrocarbonetos do país, visando facilitar investimentos dos Estados Unidos no setor petrolífero venezuelano. Ela afirmou que a reforma permitiria a incorporação de fluxos de investimento em novos setores e áreas sem infraestrutura, com os fundos provenientes do petróleo sendo destinados a trabalhadores e serviços públicos. O governo americano já havia gerado US$ 500 milhões com a venda de petróleo venezuelano, depositados em contas controladas pelos EUA. Neste mesmo dia, Rodríguez expressou um desejo de diplomacia com os EUA, marcando uma mudança na retórica, e declarou que, se precisasse viajar a Washington, o faria "por conta própria, sem ser arrastada". O discurso de Rodríguez ocorreu logo após a líder da oposição, Maria Corina Machado, se encontrar com Donald Trump na Casa Branca. Trump, por sua vez, elogiou a cooperação de Rodríguez e manteve sua posição de que Machado não seria uma alternativa realista para a Venezuela. Em 16 de janeiro de 2026, Delcy Rodríguez iniciou um processo de consolidação de poder, buscando fortalecer sua autoridade e promover mudanças no alicerce do chavismo após a queda de Maduro.
Em 25 de janeiro de 2026, Delcy Rodríguez já havia promovido uma série de mudanças significativas em seu governo. Ela se reuniu com o diretor da CIA, Jon Ratcliffe, em Caracas, e assinou um acordo que permite aos Estados Unidos comercializar até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano. A reorganização ministerial incluiu a remoção de aliados de Maduro, como o empresário Álex Saab, que era ministro das Indústrias e Produção Nacional, o que foi interpretado como uma mensagem ao ex-presidente e uma possível concessão aos EUA. O novo círculo de confiança de Rodríguez é descrito como mais técnico e com forte enfoque econômico, buscando um "chavismo 3.0" que se adapte à nova realidade e às exigências dos Estados Unidos, mantendo o controle interno e buscando estabilizar a economia. Entre os desafios, estão equilibrar a relação com Washington, manter a fachada de soberania e evitar pressões internas e da oposição. No mesmo dia, Rodríguez, em um evento público com petroleiros no estado de Anzoátegui, declarou que a Venezuela não aceitará mais ordens de Washington, criticando a interferência estrangeira e as consequências do "fascismo e extremismo" no país, e afirmando que as divergências internas devem ser resolvidas pela política venezuelana. Em 30 de janeiro de 2026, Delcy Rodríguez anunciou uma proposta de lei de anistia geral para centenas de presos, a ser levada à Assembleia Nacional. A iniciativa visa "curar as feridas" do confronto político, restabelecer a justiça e a convivência entre venezuelanos, cobrindo o período de violência política de 1999 até os dias atuais, com exceção de crimes como homicídio, tráfico de drogas, corrupção e violações graves aos direitos humanos.
Em 19 de fevereiro de 2026, Delcy Rodríguez sancionou a lei de anistia geral, que foi promulgada no dia seguinte, 20 de fevereiro de 2026. Esta legislação busca libertar centenas de detidos, incluindo ativistas e defensores dos direitos humanos, e abrange crimes cometidos em períodos de conflito político desde 1999, incluindo atos relacionados às eleições de 2024 e 2025. No entanto, a lei exclui condenados por violações de direitos humanos, crimes de guerra, homicídio, tráfico de drogas, corrupção e aqueles acusados de promover ou financiar ações de potências estrangeiras contra a Venezuela, o que pode manter detidos nomes da oposição. A exigência de que tribunais de primeira instância aprovem os pedidos de anistia em até 15 dias gerou ceticismo, pois os mesmos juízes e promotores que fizeram as acusações originais decidirão sobre os benefícios. A oposição no exterior criticou a medida como uma tentativa de limpar a imagem do governo sem resolver a perseguição política, e casos classificados como rebelião militar, mesmo envolvendo civis, continuam inelegíveis para o perdão legal. O Foro Penal, uma organização de direitos humanos, contabiliza mais de 600 pessoas sob custódia por motivações políticas e registrou 448 libertações desde o início de janeiro, quando o governo anunciou a intenção de soltar um número significativo de detidos. Em 20 de fevereiro de 2026, Delcy Rodríguez defendeu a medida em discurso na televisão estatal, afirmando que ela representa um passo na construção de "uma Venezuela mais democrática, justa e livre". No dia 21 de fevereiro de 2026, a Justiça venezuelana concedeu liberdade a 379 presos políticos, um dia após a promulgação da lei. O deputado Jorge Arreaza, que preside a comissão legislativa responsável pela lei, anunciou as libertações. Apesar disso, a ONG Foro Penal estima que quase 650 presos políticos ainda permanecem detidos. Especialistas e familiares, como Hiowanka Ávila, irmã de Henryberth Rivas (detido em 2018 por suposta tentativa de assassinato de Maduro), expressam dúvidas sobre o alcance da lei, que pode excluir militares envolvidos em atividades classificadas como "terroristas". O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, interpretou a lei como um sinal de maturidade política. Familiares de presos, como Narwin Gil, que participou de uma greve de fome, continuam a pedir ações concretas. O diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, criticou o processo de solicitação de anistia, que não é automático. O dirigente opositor Juan Pablo Guanipa, aliado de María Corina Machado, obteve "liberdade plena" em 21 de fevereiro de 2026, após ter sido detido e colocado em prisão domiciliar. A anistia faz parte da agenda de Delcy Rodríguez, que inclui uma maior abertura petrolífera e uma virada na relação com os Estados Unidos. A Espanha anunciou, em 21 de fevereiro de 2026, que pedirá à União Europeia a suspensão das sanções contra Delcy Rodríguez em resposta às medidas tomadas. No mesmo dia, o chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, reuniu-se em Caracas com Delcy Rodríguez, Vladimir Padrino e o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
Em 3 de março de 2026, a agência Reuters divulgou que o governo Trump está preparando uma acusação criminal contra Delcy Rodríguez por corrupção e lavagem de dinheiro. Promotores federais em Miami estariam elaborando as acusações, focando no suposto envolvimento de Rodríguez na lavagem de fundos da empresa estatal de petróleo PDVSA, em atividades ocorridas entre 2021 e 2025. A Reuters afirmou que a informação foi comunicada verbalmente a Rodríguez, alertando-a sobre o risco de processo caso não cumpra as exigências de Trump. O Departamento de Justiça dos EUA negou a reportagem, mas a Reuters reafirmou sua veracidade. Além da acusação, autoridades norte-americanas apresentaram a Rodríguez uma lista de pelo menos sete ex-autoridades e associados que desejam que ela prenda ou mantenha sob custódia na Venezuela para uma possível extradição. Entre os nomes destacados estão Alex Saab, que foi detido pelo serviço de inteligência venezuelano Sebin no início de fevereiro e Raul Gorrín, também detido pelo Sebin no mês anterior. Essa estratégia é vista como uma forma de fortalecer a influência dos EUA sobre Caracas, apesar dos elogios públicos de Trump à cooperação de Rodríguez.
21 de fev, 2026
25 de jan, 2026