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Ameaças de bomba em voos na Europa em 2026

Desde 2 de novembro de 2026, dezenas de voos na Europa receberam ameaças falsas de bomba, a maioria por e-mail, com desvios, escolta de caças e inspeções. Até 6 de novembro, nenhum explosivo foi encontrado e todos os aviões pousaram em segurança. Nenhum governo apontou responsável: um e-mail citou o movimento russo Male State, cujo fundador nega envolvimento. A União Europeia ativou a troca de informações, e as investigações seguem em cada país.

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Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters

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O que são as ameaças de bomba em voos na Europa

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Voos na Europa fazem pousos de emergência por ameaça de bomba; nenhum explosivo foi encontrado

Desde 2 de novembro de 2026, dezenas de voos comerciais na Europa receberam ameaças falsas de bomba, a maioria por e-mail. Até 6 de novembro, nenhum explosivo foi encontrado, nenhum avião deixou de pousar em segurança e ninguém ficou ferido. Nenhum governo apontou um responsável.

As contagens variam. A Reuters somou ao menos 35 voos até 5 de novembro, 27 deles naquele dia, e o Guardian registrou ao menos mais 18 em 6 de novembro. A Eurocontrol, autoridade europeia de tráfego aéreo, contabilizou menos: 7 em 3 de novembro e 14 em 5 de novembro, ou 0,05% dos cerca de 26,3 mil voos daquele dia. A Organização da Aviação Civil Internacional (Icao) contava ao menos 16 países afetados em 6 de novembro.

A onda atingiu também Ryanair, Aer Lingus, Wizz Air, Finnair, easyJet, LOT, Iberia e outras companhias. Em 6 de novembro, chegou a redações na Irlanda, como a emissora RTÉ e o jornal Irish Independent, que evacuaram funcionários.

Quem está por trás das ameaças

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Why are airports across Europe receiving hoax bomb threats? | BBC News

Ninguém sabe ainda. A Icao informou que nenhum governo identificou responsáveis e que nenhum grupo assumiu a autoria.

  • Male State: o e-mail enviado aos aeroportos de Roma em 5 de novembro foi assinado por "combatentes do Male State" e falava em atacar um "regime feminista". O nome coincide com o de um movimento russo de extrema direita e misógino, criado em 2016 pelo blogueiro Vladislav Pozdnyakov e proibido na Rússia em 2021. Pozdnyakov disse à Reuters que o grupo não existe mais e não teve envolvimento. Reuters e AFP não confirmaram quem enviou as mensagens.
  • Rússia: não há prova pública. O correspondente de segurança da BBC, Frank Gardner, registrou que nenhuma evidência concreta ligava as ameaças a Moscou até 5 de novembro. A consultoria Osprey Flight Solutions vê "probabilidade realista" de conexão com a campanha híbrida russa, mas alerta contra atribuição precipitada.
  • Imitadores: especialistas ouvidos pela Reuters e a Osprey não descartam pessoas agindo por imitação ou motivo pessoal.

O e-mail de Roma veio de um endereço que parece ligado aos serviços de saúde de Bogotá, na Colômbia, segundo a BBC, e ao menos um alerta de 6 de novembro parece ter chegado por telefone.

Os governos falam em coordenação sem dar nomes. O chanceler da Espanha, José Manuel Albares, disse que a "hipótese mais razoável" é uma "agressão híbrida e uma forma de guerra psicológica". O governo da Irlanda falou em provável "campanha coordenada de perturbação". O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, citou uma "estratégia para aumentar o caos".

Como funciona o ataque

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Why bomb threats are disrupting flights across Europe | DW News

A ameaça custa quase nada para quem envia e muito para quem recebe. O e-mail de Roma trazia número do voo, companhia e horário de chegada, segundo a imprensa italiana. Em Madri, três mensagens chegaram em menos de 20 minutos, intervalo que pode indicar ação automatizada ou coordenada, segundo a Cyviation, empresa de cibersegurança da aviação.

O que acontece a cada alerta:

  1. Avaliação: uma equipe classifica a ameaça como vermelha, âmbar ou verde, conforme a credibilidade, explica o sindicato britânico de pilotos (Balpa).
  2. Decisão a bordo: com alerta crível, o comandante decide guiado por uma lista de segurança e procura pousar o quanto antes, em até 30 minutos, segundo o sindicato espanhol Sepla.
  3. Escolta: quatro países enviaram caças para acompanhar voos.
  4. Inspeção: equipes antibomba vistoriam o avião depois do pouso.

Philip Baum, professor da Universidade de Coventry, estima que cada desvio custe até US$ 250 mil às companhias. A escolta militar sai dos cofres públicos. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (Easa) afirma que o risco de cada ameaça falsa é baixo, mas que o volume de desvios pressiona o sistema.

Quem investiga

Cada país conduz a própria apuração, porque a responsabilidade é nacional, lembrou o comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, que ativou o mecanismo da União Europeia de troca de informações sobre segurança da aviação. Ele disse que é cedo para concluir se os casos estão ligados.

  • Dinamarca: a polícia investiga as ameaças ao tráfego em Copenhague.
  • Reino Unido: a polícia de aviação de Londres ajudou a classificar como trote as ameaças a Heathrow e Birmingham. O governo fala em "trotes maliciosos".
  • Irlanda: a polícia e especialistas em cibersegurança apuram as ameaças às redações.
  • França: o promotor de Évreux, Rémi Coutin, disse que apura se o piloto da Aer Lingus se recusou a pousar na base militar, preferindo um aeroporto civil, segundo Reuters e AFP.

Rastrear o autor pode levar meses. Em setembro de 2024, milhares de e-mails ameaçaram escolas na República Tcheca, na Eslováquia e na Letônia, e o suspeito só foi preso em julho de 2025, na Ucrânia.

O que muda para o passageiro

Até 6 de novembro, a Eurocontrol descrevia impacto mínimo na rede. O passageiro de um voo afetado pode ser desviado, ficar horas à espera de inspeção e seguir em outro avião, como ocorreu com os 151 passageiros do voo Dublin-Roma.

Os direitos, segundo a autoridade britânica de aviação (CAA), a revista de consumo Which? e o portal Your Europe, da União Europeia:

  • Indenização: é improvável, porque a ameaça tende a ser classificada como circunstância extraordinária, fora do controle da companhia.
  • Assistência: continua valendo. A companhia deve oferecer comida, bebida e hotel, conforme a espera.
  • Reembolso ou nova rota: em caso de cancelamento, o passageiro escolhe entre o dinheiro de volta e a remarcação.

O contexto de sabotagem na Europa

As ameaças vêm depois de uma série de incidentes no continente: subestações de energia na Alemanha, ciberataques a refrigeradores de supermercados, ao serviço de sangue da França e incursões de drones. Muitas autoridades atribuem essa campanha à Rússia, como retaliação ao apoio à Ucrânia, descrevendo ações baratas e fáceis de negar, segundo a Reuters. Moscou não foi formalmente ligada aos voos.

O que acontece com os responsáveis

Quem for identificado pode ser preso. Na Espanha, a pena vai de três meses a um ano, ou multa de até 216 mil euros. Na França, chega a dois anos de prisão. No Reino Unido, a sete anos, segundo o El País.

Linha do tempo

  • 2 de novembro de 2026: voo da Wizz Air de Londres Luton para Sófia é desviado para Budapeste.
  • 3 de novembro de 2026: ao menos sete voos e um navio de cruzeiro recebem ameaças. O aeroporto de Modlin, na Polônia, fecha por um período.
  • 5 de novembro de 2026: ao menos 27 voos são afetados. O voo EI402 da Aer Lingus, Dublin-Roma, é desviado para a base de Évreux, na França, sob escolta de caças.
  • 6 de novembro de 2026: ao menos 18 novos voos são afetados, e redações irlandesas evacuam funcionários.

Perguntas frequentes

O que está acontecendo com os voos na Europa?

Desde 2 de novembro de 2026, dezenas de voos receberam ameaças falsas de bomba, principalmente por e-mail. Alguns foram desviados ou escoltados por caças. Nenhum explosivo foi encontrado.

Quem está por trás das ameaças de bomba?

Ainda não se sabe. Um e-mail foi assinado em nome do Male State, movimento russo proibido em 2021, cujo fundador nega envolvimento. Nenhum governo atribuiu a autoria.

A Rússia é responsável pelas ameaças?

Nenhum país acusou formalmente a Rússia, e não há prova pública. Autoridades como o chanceler espanhol falam em agressão híbrida, e especialistas citam o contexto das ações atribuídas a Moscou.

É seguro voar na Europa?

As autoridades mantêm a operação. Todos os aviões pousaram em segurança, e a Easa considera baixo o risco de cada ameaça falsa.

Quem teve o voo desviado tem direito a indenização?

Provavelmente não, segundo a CAA britânica, por ser circunstância extraordinária. A companhia continua obrigada a dar assistência e, se cancelar o voo, a oferecer reembolso ou nova rota.

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