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Câmara do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña por crise no Ueno Bank

O Legislativo paraguaio aprovou o impeachment de Santiago Peña após denúncias de conflito de interesses e má gestão de recursos públicos no Ueno Bank.

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Foto: Folha de São Paulo - Mundo
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06/11 às 13:15, atualizado 21:01

Pontos principais

  • A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou o impeachment de Santiago Peña com 78 votos favoráveis.
  • O processo foi formalizado por 35 legisladores após o colapso do Ueno Bank.
  • Peña é acusado de conflito de interesses por sua participação na Ueno Holding.
  • O ex-presidente nomeou Carlos Carvallo, ex-executivo da Financiera Ueno, para a presidência do Banco Central.
  • Investigações apontam a concentração ilegal de recursos do Instituto de Previsão Social no banco.
  • Mensagens vazadas revelaram um racha entre Peña e o vice Pedro Alliana sobre a gestão da crise.
  • O Congresso rejeitou a tentativa de renúncia de Peña, que buscava manter sua imunidade parlamentar.
  • Pedro Alliana assumiu a presidência do país após a destituição formal de Peña.
  • O Ministério Público ordenou a prisão domiciliar de Peña e a custódia de Carlos Carvallo.
  • A agência Moody’s alertou para fragilidades institucionais, mas manteve o rating soberano do país.

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou, em sessão extraordinária realizada na última quinta-feira, o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A decisão, que contou com 78 votos favoráveis, foi motivada por uma crise financeira sem precedentes envolvendo o Ueno Bank, instituição que atendia cerca de três milhões de clientes e entrou em processo de liquidação pelo Banco Central por insuficiência de recursos. O processo foi formalizado por 35 legisladores, que apontaram graves irregularidades na condução da política econômica do país.

As acusações contra o mandatário incluem conflito de interesses devido à sua participação na Ueno Holding e a nomeação estratégica de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera Ueno, para o comando do Banco Central do Paraguai. Além disso, o relatório do impeachment cita o impulso de Peña para alterar leis de conflito de interesses e a concentração indevida de recursos do Instituto de Previsão Social (IPS) no Ueno Bank, superando os limites legais estabelecidos. Paralelamente, mensagens vazadas pela Rádio Monumental 1080 AM revelaram um racha interno entre Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, com Alliana alegando que seus alertas sobre a gravidade da situação financeira foram ignorados pelo presidente.

Após a destituição, Pedro Alliana assumiu a presidência do Paraguai, embora enfrente desafios políticos significativos, incluindo um pedido de impeachment contra sua própria figura no Congresso. O Ministério Público paraguaio determinou a prisão domiciliar de Santiago Peña e a custódia de Carlos Carvallo para aprofundar as investigações sobre lesão de confiança. Enquanto a defesa do ex-presidente tenta recorrer a instâncias internacionais, a agência de classificação de risco Moody’s avaliou que o episódio expõe fragilidades institucionais, mantendo, contudo, a perspectiva estável para o rating soberano do país sob a nova gestão.

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