Quem é Horacio Cartes
Horacio Cartes é um empresário e político paraguaio, presidente do Paraguai de 2013 a 2018 e presidente do Partido Colorado desde 10 de janeiro de 2023. Nascido em Assunção em 5 de julho de 1956, formou um conglomerado de tabaco, bebidas, carne e banco, e é a figura central do cartismo, a corrente que comanda o partido do governo por meio do movimento Honor Colorado. Em novembro de 2026, rompeu com o presidente Santiago Peña, que havia ajudado a eleger, e apoiou o juicio político que o destituiu em 6 de novembro, na crise do Ueno Bank.
Os Estados Unidos o sancionaram por corrupção em 2022 e 2023 e retiraram as sanções financeiras em 6 de outubro de 2025. Cartes nega as acusações.
Cartes e a crise do Ueno Bank
A crise abriu o rompimento público com Peña. Em 4 de novembro de 2026, Cartes publicou uma carta ao presidente: pediu que agisse "com urgência" e encerrou com "que não haja impunidade para ninguém". No mesmo dia, um segundo comunicado disse que "hoje não fazem falta discursos nem promessas vazias". Fontes do partido disseram à La Política Online que a carta abria a porta ao apoio das bancadas coloradas à destituição.
Em 5 de novembro, a Associação Nacional Republicana (ANR), nome oficial do Partido Colorado, divulgou comunicado assinado por Cartes: "A ANR não apoiará o roubo de fundos públicos, privados e de pensões. Respaldamos a moção de destituição contra o presidente Santiago Peña com o objetivo de restaurar a institucionalidade da República". No mesmo dia, a Câmara aprovou a acusação com 78 votos e rejeitou a acusação contra o vice, Pedro Alliana. Peña anunciou a renúncia, e o Congresso não a aceitou. Em 6 de novembro, o Senado destituiu Peña por 44 votos, com os 25 senadores colorados (BBC, Clarín), e Alliana tomou posse como presidente. O vice eleito na mesma noite é Antonio Barrios, que foi médico de Cartes e ministro da Saúde no governo dele. A Última Hora o descreve como homem de confiança de Cartes. Peña foi detido em casa por ordem dos promotores. Alliana esteve com Cartes na sede do partido em 5 de novembro para tratar da sucessão, segundo a ABC Color.
A ligação com o banco. Não há acusação formal contra Cartes no caso. O elo apontado pela imprensa paraguaia é indireto. Pessoas do grupo dele, como Juan Carlos López Moreira e Francisco Barriocanal, apareceram entre os acionistas de classe K do grupo do banco, ao lado de Peña, segundo o El Prisma e a La Política Online. O Banco Basa, ligado à família Cartes, foi concorrente do Ueno nos depósitos públicos e perdeu 24,4% das aplicações do Instituto de Previsão Social entre agosto de 2023 e agosto de 2026, segundo o El Parámetro.
As sanções dos Estados Unidos e a situação hoje
As sanções vieram em duas etapas e caíram em 2025.
- 22 de julho de 2022: o Departamento de Estado, sob Antony Blinken, designou Cartes como "significativamente corrupto", com base na Seção 7031(c), o que revogou a visa dele e impediu a entrada dos filhos adultos nos EUA. Segundo o comunicado, ele obstruiu uma grande investigação internacional sobre crime transnacional.
- 26 de janeiro de 2023: o Tesouro, por meio da OFAC, incluiu-o na lista de sancionados, com base na lei Magnitsky Global. Também sancionou Tabacos USA, Bebidas USA, Dominicana Acquisition e Frigorífico Chajha. O Tesouro afirmou que ele pagou até US$ 10 mil a filiados do partido por apoio à candidatura e subornos mensais de US$ 5 mil a US$ 50 mil a legisladores, e que prometeu US$ 1 milhão para comprar votos pela reeleição em 2017.
- 24 de março de 2023: por causa das sanções, Cartes anunciou que deixava o Grupo Cartes.
- Depois: a Tabacalera del Este (Tabesa) também entrou na lista.
- 6 de outubro de 2025: a OFAC retirou Cartes e as empresas da lista. Ele disse que "hoje meu nome foi limpo" e agradeceu ao governo de Donald Trump. A embaixada americana em Assunção disse que as sanções já não eram necessárias "para incentivar mudanças de comportamento". A OFAC não o declarou inocente nem refutou as acusações de 2023.
- Julho de 2026: ele voltou aos Estados Unidos, no que o El Nacional descreve como a primeira viagem conhecida desde a revogação da visa, recebido pelo embaixador Gustavo Leite.
Hoje não há sanção financeira da OFAC sobre ele. Sobre a designação de 2022, o quadro público é menos claro: no dia seguinte à retirada, a embaixada falou em dispensa da restrição de visa, e não foi divulgada uma decisão detalhada do Departamento de Estado que encerre a designação.
O empresário: Grupo Cartes, tabaco e banco
Cartes é filho de Ramón Telmo Cartes, representante da Cessna no Paraguai, e estudou mecânica de aviação nos Estados Unidos. O negócio financeiro começou com a Cambios Amambay, de 1989, que em 1992 virou o Banco Amambay, hoje Banco Basa. Um relatório da Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro do Paraguai (Seprelad) cita como sócio fundador o doleiro brasileiro Dario Messer.
Em 1994, Cartes entrou na Tabacalera del Este (Tabesa), a maior fabricante de cigarros do país. Depois vieram bebidas (Bebidas del Paraguay, dona de marcas como Pulp), pecuária e frigorífico (Chajha) e outras áreas, num grupo de cerca de duas dezenas de empresas. Declarou patrimônio de US$ 490 milhões em 2021. Presidiu o Club Libertad a partir de 2001 e dirigiu as seleções da Associação Paraguaia de Futebol nas eliminatórias da Copa de 2010.
Presidente do Paraguai (2013-2018)
Cartes filiou-se ao Partido Colorado só em setembro de 2009. Em janeiro de 2011, uma convenção mudou o estatuto que exigia dez anos de filiação para disputar a Presidência, e isso o habilitou. Em 21 de abril de 2013, venceu com 45,83% dos votos, contra 37,09% de Efraín Alegre, e devolveu o poder aos colorados. Tomou posse em 15 de agosto de 2013 e prometeu uma guerra contra a pobreza.
O governo aprovou leis de responsabilidade fiscal e de parcerias público-privadas. Em 2015, Peña tornou-se ministro da Fazenda dele, até 2017. A maior crise veio em março de 2017, com a emenda que permitiria a reeleição: manifestantes queimaram parte do Congresso, e o jovem liberal Rodrigo Quintana morreu. Cartes desistiu de concorrer de novo. Em maio de 2018, levou a embaixada paraguaia em Israel para Jerusalém, decisão que o sucessor reverteu em setembro.
Em 28 de maio de 2018, apresentou renúncia para assumir uma cadeira no Senado, mas a retirou em 26 de junho, sem consenso para aceitá-la. Concluiu o mandato em 15 de agosto de 2018 e foi sucedido por Mario Abdo Benítez, seu adversário interno.
Partido Colorado e Honor Colorado
Cartes foi cofundador do movimento Honor Colorado, em novembro de 2010. Pedro Alliana presidiu o partido com o apoio dele de 2016 a janeiro de 2023, quando Cartes assumiu o cargo. Em 2023, o grupo elegeu a chapa Peña e Alliana.
Em outubro de 2026, a disputa pela candidatura presidencial de 2028 dividiu o movimento. Cartes comunicou a Alliana, em 13 de outubro, que ele não seria mais o candidato e passou a apoiar o ministro Juan Carlos Baruja, que desistiu em 18 de outubro. Os 15 governadores colorados ficaram com Alliana.
Investigações e polêmicas
- Câmbio: nos anos 1980, foi processado por fraude cambial contra o Banco Central e chegou a ser preso; a Corte Suprema encerrou o caso em 2008.
- Avião em 2000: a polícia antidrogas apreendeu um avião com droga em uma fazenda dele. Cartes negou envolvimento e disse que o avião fez um pouso de emergência.
- DEA: um telegrama diplomático de 2010, divulgado pelo WikiLeaks, citou uma investigação da agência americana sobre lavagem de dinheiro em torno dele.
- Caso Messer: em novembro de 2019, a Justiça brasileira ordenou a prisão preventiva dele numa investigação ligada à Lava Jato e a Dario Messer, citado como "irmão de alma" dele pelo então ministro do Interior. O Superior Tribunal de Justiça confirmou depois um habeas corpus a favor dele.
- Lavagem e cigarros: em 2022, o ministro do Interior Arnaldo Giuzzio o denunciou à Seprelad, e um relatório do órgão descreveu suspeita de contrabando de cigarros da Tabesa. Não há condenação nesse caso.
- Declarações: na campanha de 2013, comparou gays a macacos. Em 2018, respondeu "balas de borracha" sobre protestos e depois pediu desculpas.
Saúde e vida pessoal
Em 26 de fevereiro de 2026, foi internado de urgência em Assunção, depois de convulsões, e saiu quatro dias depois com um marca-passo. Foi casado com María Montaña, de quem se divorciou em 2005, e tem três filhos: Juan Pablo, Sofía e María Sol.
Linha do tempo
- 5 de julho de 1956: nasce em Assunção.
- 1989: nasce a Cambios Amambay, depois Banco Amambay.
- 2009: filia-se ao Partido Colorado.
- 21 de abril de 2013: é eleito presidente.
- Março de 2017: a tentativa de reeleição termina com o Congresso em chamas e um morto.
- 15 de agosto de 2018: deixa a Presidência.
- 22 de julho de 2022: os EUA o designam "significativamente corrupto".
- 10 de janeiro de 2023: assume a presidência do Partido Colorado.
- 26 de janeiro de 2023: a OFAC o sanciona.
- 6 de outubro de 2025: a OFAC o retira da lista.
- 13 de outubro de 2026: retira o apoio à candidatura de Alliana em 2028.
- 5 de novembro de 2026: o partido, em comunicado assinado por ele, apoia a destituição de Peña.
- 6 de novembro de 2026: o Senado destitui Peña por 44 votos, com os 25 senadores colorados (Clarín), e Pedro Alliana assume, com Antonio Barrios de vice.
Perguntas frequentes
Quem é Horacio Cartes? É um empresário paraguaio, presidente do Paraguai de 2013 a 2018 e presidente do Partido Colorado desde 2023.
Horacio Cartes ainda é sancionado pelos EUA? Não pela OFAC: ele e as empresas saíram da lista em 6 de outubro de 2025. Em julho de 2026, voltou a viajar aos Estados Unidos.
Qual a relação de Horacio Cartes com o Ueno Bank? Não há acusação formal contra ele no caso. Pessoas do grupo dele foram acionistas do grupo do banco, e, em novembro de 2026, ele apoiou a destituição de Peña pela crise.
Quais são as empresas de Horacio Cartes? O Grupo Cartes reunia tabaco (Tabesa), bebidas, frigorífico e banco. Ele anunciou a saída do conglomerado em março de 2023.
Qual a fortuna de Horacio Cartes? Ele declarou US$ 490 milhões em 2021.
Quantos filhos tem Horacio Cartes? Três.
Horacio Cartes foi internado? Sim, em 26 de fevereiro de 2026, depois de convulsões. Teve alta quatro dias depois, com um marca-passo.
