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Ueno Bank

O Ueno Bank é um banco digital paraguaio do Grupo Vázquez, com 2,9 milhões de clientes, posto em resolução pelo banco central em 2 de novembro de 2026 por falta de capital. Os pagamentos da garantia começaram em 5 de novembro. A crise levou seis dirigentes à prisão preventiva e 27 pessoas à imputação. O presidente Santiago Peña, ex-acionista do grupo, teve o impeachment aprovado na Câmara e anunciou a renúncia, que o Congresso não aceitou.

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Foto: Reuters

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O que é o Ueno Bank

O Ueno Bank é um banco digital paraguaio, controlado pelo Grupo Vázquez, que o Banco Central do Paraguai (BCP) colocou em processo de resolução em 2 de novembro de 2026, por insuficiência de capital. Tinha 2.941.996 clientes em junho de 2026, segundo os registros do próprio banco, num país de pouco mais de 6 milhões de habitantes, e era o maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, com quase 1,1 milhão de cartões em setembro de 2026.

A resolução suspendeu de uma vez o aplicativo, os cartões e as agências. O caso virou crise política: derrubou o presidente do banco central, levou à imputação de 27 pessoas e à prisão preventiva de seis dirigentes, e abriu um processo de impeachment (juicio político) contra o presidente Santiago Peña, que foi acionista do grupo até março de 2025. Parte da imprensa brasileira passou a chamar o banco de "Master do Paraguai", em referência ao Caso Banco Master.

O que aconteceu com o Ueno Bank

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Paraguaios protestam após quebra de banco digital Ueno e renúncia do presidente do BC

O BCP decidiu por unanimidade, em 2 de novembro de 2026, abrir o procedimento previsto na Lei 2.334/03, que regula a garantia de depósitos e a resolução de instituições financeiras. O motivo legal foi o índice de solvência abaixo de 50% do mínimo exigido. A documentação divulgada sobre o caso aponta índice de 5,56%, contra 12% exigidos. A medida foi comunicada na madrugada de 3 de novembro.

As inspeções do BCP encontraram falhas na avaliação de risco de crédito, créditos elevados a empresas ligadas aos controladores e ajustes contábeis acima de 1,6 trilhão de guaranis. Em outubro, a Fitch havia mantido a nota internacional BB, mas mudou a perspectiva para negativa. Em 29 de outubro, o banco anunciou um plano de capitalização de US$ 100 milhões, com execução prevista para os 60 dias seguintes e dependente de autorizações.

O Ueno administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos, dos quais cerca de US$ 380 milhões do Instituto de Previdência Social (IPS). Cerca de 32 mil aposentados do IPS recebiam pelo banco. A Superintendência de Valores suspendeu em 3 de novembro os resgates de 13 fundos de investimento de cinco administradoras, até que os ativos ligados ao Ueno fossem reavaliados. O BCP e o governo dizem que o caso é isolado; em 4 de novembro, o BCP afirmou que nenhuma outra instituição está em resolução ou fiscalização especial.

Quem são os donos

O Grupo Vázquez, conglomerado de mais de 20 empresas nas áreas financeira, de tecnologia, varejo, agronegócio e imóveis, controla o banco. A composição publicada em 20 de outubro de 2026 mostra uma cadeia de sociedades: o banco pertence à U Paraguay, cuja acionista é a U Holdings, registrada em Luxemburgo. Na U Holdings, o Grupo Vázquez tinha 86,73%, o OTP Bank 9,99% e minoritários 3,28%. O principal acionista do Grupo Vázquez é Federico Miguel Vázquez Villasanti, conhecido como Miguel Vázquez.

A história começa em duas empresas. A Financiera El Comercio foi fundada em 1976. A Credicentro, de crédito pessoal, foi criada por Víctor Hugo Vázquez em 1984 e virou Ueno Holding em 2022. O Grupo Vázquez comprou a Financiera El Comercio em 2021, lançou a marca ueno ao público em 28 de fevereiro de 2022 e obteve a licença de banco em novembro de 2023. Em 28 de junho de 2024, absorveu o Visión Banco, o que deu escala à instituição. No mesmo ano, deu nome aos estádios de Cerro Porteño e Olimpia. Em dezembro de 2025, a OTP investiu US$ 30 milhões, e o banco tinha emitido US$ 350 milhões em títulos internacionais com vencimento em 2031.

Qual a ligação com Santiago Peña

Foto: Presidencia de la República del Ecuador / Domínio público

Peña foi acionista da Ueno Holding, empresa do mesmo grupo, não do banco. Em 18 de março de 2025, tinha 1,58% do capital, ou 6,144 bilhões de guaranis, e era o quarto maior acionista. Em abril de 2025, depois de reportagens do ABC Color, ele disse ter saído no fim de março, quando o Grupo Vázquez extinguiu a sociedade e lhe pagou as ações. Afirmou que investiu em 2019 na antiga Credicentro e que "nunca" foi acionista nem investidor do banco. A Controladoria paraguaia disse então que não havia conflito de interesses, porque a participação ficava abaixo do limite legal de 10%.

O segundo vínculo é Carlos Carvallo. Ele presidiu a financeira Ueno até agosto de 2023 e Peña o nomeou presidente do BCP. O BCP sustenta que Carvallo se afastou das decisões sobre o banco. Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno, negou relação de Peña com o banco. Os deputados que assinaram a acusação sustentam o contrário e citam também a mudança na lei de conflito de interesses e a concentração de dinheiro do IPS no banco acima dos limites normativos.

O que os clientes podem fazer

O Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) cobre até 75 salários mínimos por pessoa e por banco, hoje 228,3 milhões de guaranis, cerca de US$ 38 mil ou R$ 211 mil. O limite vale para a soma das contas do mesmo titular, e as dívidas vencidas com o banco são descontadas antes do pagamento.

A lei sancionada em 4 de novembro de 2026 criou um adiantamento de até 40 salários mínimos, 121,76 milhões de guaranis, que substituiu o primeiro anúncio de até 10 milhões. O BCP fala em cerca de 1,9 milhão de beneficiários. O funcionamento anunciado é este:

  • Quem tem conta em outro banco: recebe o crédito nessa conta, sem fazer nenhum pedido.
  • Quem só tinha conta no Ueno: cerca de 280 mil clientes ganham uma conta temporária de 90 dias, aberta sem as exigências habituais, em outro banco.
  • Aposentados do IPS: o instituto informou que manterá os pagamentos e transferirá os beneficiários para outro banco.
  • Aviso oficial: a mensagem vem do endereço fgdpagos@bcp.gov.py, com saldo, descontos e banco de destino. O e-mail não é obrigatório: desde a tarde de 5 de novembro, o banco de destino pode ser consultado em bcp.gov.py/web/institucional/fgd-pagos.
  • Quem recebe primeiro: em 5 de novembro, o BCP anunciou o início dos pagamentos por quem tem até 10 milhões de guaranis, não deve ao banco e tem conta em outra instituição. Esse grupo recebe o saldo inteiro. Os próximos grupos serão anunciados aos poucos.
  • Prazo do adiantamento: a lei dá até cinco dias úteis. O BCP disse em 4 de novembro que pretendia concluir os créditos em 6 de novembro.
  • Quem fica de fora: pessoas ligadas ao banco não têm direito e, se receberem, devem devolver o valor em 24 horas.

O restante da garantia, até 228,3 milhões de guaranis, segue o prazo legal de 15 dias corridos a partir da resolução, ou seja, até 17 de novembro, prorrogável até 2 de dezembro. O valor acima do limite não tem garantia: depende do balanço que a Superintendência de Bancos fará dos ativos e passivos. O BCP pediu o embargo dos bens da instituição e diz buscar a transferência de depósitos a outros bancos por processo competitivo.

Brasileiros têm dinheiro no Ueno Bank?

Sim. Brasileiros e descendentes que vivem no Paraguai estão entre os clientes afetados, segundo O Globo. A garantia do FGD cobre residentes e não residentes, sem regra por nacionalidade. Até 4 de novembro, as autoridades não tinham informado se uma conta no Brasil pode receber o dinheiro nem como ficaria a conversão de moeda. Na fronteira, comerciantes de Ciudad del Este relataram temor com pagamentos a fornecedores, e até 4 de novembro não havia confirmação de prejuízo direto a empresas brasileiras.

A investigação

O Ministério Público imputou 27 pessoas em 4 de novembro de 2026: oito dirigentes do banco e 19 ligadas a empresas sob investigação. As acusações são de lesão de confiança, tentativa de estelionato, conduta indevida em situação de crise e violação do dever de manter livros comerciais. Imputação não é condenação. O juiz Humberto Otazú admitiu o caso e deu aos promotores até 4 de maio de 2027 para concluir a investigação.

A principal operação descrita pelo Ministério Público ocorreu em 15 de junho de 2026. A Vinanzas, empresa que os promotores dizem pertencer ao próprio grupo, comprou do banco uma carteira de créditos de US$ 74,4 milhões. Um dia antes, tinha US$ 93,8 mil em saldo, e o dinheiro da compra, segundo os promotores, saiu do próprio banco, passando por outras empresas. Para o Ministério Público, a venda simulada escondia a situação real do patrimônio do banco.

Os promotores também descrevem créditos e descobertos a empresas como Mowi, Grupo Hendy e Grupo M, com garantias insuficientes, e dinheiro repassado em seguida a outras sociedades do grupo.

Os promotores pediram prisão preventiva só para Miguel Vázquez e prisão domiciliar com tornozeleira para outros dirigentes. Em 5 de novembro, o juiz Rodrigo Estigarribia foi além e decretou a prisão preventiva de seis deles: Vázquez, o presidente Juan Manuel Gustale, Julio Daniel Rey Fernández, Alejandro Gómez Abente, Diego Duarte Schussmuller e Miguel Ángel Almada Frutos. O juiz citou a gravidade dos fatos, o número de vítimas e o risco de fuga e de obstrução. Diana Mongelós e Mariana Torres, que têm filhos pequenos, ficam em prisão domiciliar com tornozeleira.

No mesmo dia, a Procuradoria-Geral criou uma equipe de três promotores para apurar denúncias contra Peña. Entre os fatos a investigar estão enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Senadores de oposição anunciaram ampliar a denúncia que apresentaram.

O impeachment de Santiago Peña

Peña pediu a renúncia de Carvallo em 3 de novembro de 2026. Liana Caballero assumiu como interina e, no dia seguinte, Pedro de Jesús Acosta a substituiu. O diretor Marco Aurelio González também renunciou. Peña indicou o ex-presidente do BCP Raúl Vera Bogado para o cargo, o que depende de aval do Congresso.

Em 4 de novembro, 35 deputados protocolaram a acusação contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, com base no artigo 225 da Constituição, que prevê juicio político por mau desempenho de funções. Em 5 de novembro, Horacio Cartes, ex-presidente e líder do Partido Colorado, anunciou apoio ao processo. As bancadas coloradas o seguiram, e a Câmara abriu a sessão extraordinária pouco depois das 10h30.

Pouco depois das 13h, Peña anunciou a renúncia em vídeo. A Câmara aprovou mesmo assim a acusação contra ele, com os 78 deputados presentes, e rejeitou a de Alliana, por 48 votos a 30. À tarde, a sessão conjunta das duas Casas votava a renúncia quando governistas colorados saíram do plenário, e ela caiu sem quórum. A renúncia não foi aceita nem rejeitada.

O ponto em disputa é a imunidade. Ex-presidente que renuncia vira senador vitalício, com foro, e quem é condenado em juicio político perde esse direito. O Senado foi convocado para a noite de 5 de novembro para se constituir em tribunal, e precisa de 30 dos 45 votos para condenar. Peña disse que vai se defender. Mais detalhes na página de Santiago Peña.

O que acontece agora

O Senado decide o futuro de Peña. O senador Derlis Maidana disse que ele será chamado às 9h de 6 de novembro para se defender ou mandar representantes. Se a renúncia for aceita ou ele for destituído, Alliana assume e completa o mandato até agosto de 2028, a menos que também seja afastado. Nesse caso, a linha de sucessão do artigo 234 passa ao presidente do Senado, Basilio Núñez. Se Alliana subir, o Congresso escolhe o novo vice por maioria absoluta, 63 votos, porque o cargo ficaria vago nos dois últimos anos do mandato.

No banco, os próximos marcos são os créditos do adiantamento, o balanço da Superintendência de Bancos e o prazo de 17 de novembro para pagar a garantia.

Linha do tempo

  • 1976: fundação da Financiera El Comercio.
  • 1984: Víctor Hugo Vázquez funda a Credicentro.
  • 2021: o Grupo Vázquez compra a Financiera El Comercio. Carlos Carvallo assume a presidência.
  • 28 de fevereiro de 2022: a marca ueno é lançada ao público.
  • Agosto de 2023: Carvallo deixa o Ueno e passa a presidir o BCP.
  • 1º de dezembro de 2023: o Ueno começa a operar como banco.
  • 28 de junho de 2024: absorção do Visión Banco.
  • Março de 2025: Peña deixa de ser acionista da Ueno Holding.
  • 15 de junho de 2026: venda da carteira de US$ 74,4 milhões à Vinanzas, que o Ministério Público considera simulada.
  • 29 de outubro de 2026: o banco anuncia plano de capitalização de US$ 100 milhões.
  • 2 de novembro de 2026: o BCP aprova a resolução do banco, comunicada na madrugada do dia 3.
  • 3 de novembro de 2026: Carvallo renuncia a pedido de Peña; oito dirigentes são detidos.
  • 4 de novembro de 2026: 27 imputados; lei do adiantamento sancionada; 35 deputados apresentam a acusação contra Peña e Alliana.
  • 5 de novembro de 2026: seis dirigentes vão à prisão preventiva. Cartes apoia o juicio político, Peña anuncia a renúncia, a Câmara aprova a acusação por 78 votos, e a sessão sobre a renúncia cai sem quórum. O BCP inicia os pagamentos pelo primeiro grupo.

Perguntas frequentes

O Ueno Bank faliu?

O banco está em processo de resolução, com as operações suspensas, desde 2 de novembro de 2026. A Lei 2.334/03 prevê apurar o patrimônio, pagar a garantia e transferir ativos e depósitos a outros bancos. Clientes acima do limite garantido dependem desse balanço.

Por que o Ueno Bank quebrou?

O índice de solvência caiu abaixo da metade do mínimo legal depois de ajustes no balanço. O BCP cita créditos elevados a empresas ligadas aos controladores, e o Ministério Público investiga uma venda simulada de carteira de US$ 74,4 milhões.

Santiago Peña é dono do Ueno Bank?

Não consta como dono do banco. Ele teve 1,58% da Ueno Holding, empresa do mesmo grupo, até março de 2025, e afirma nunca ter sido acionista do banco.

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