Operação no Paraná mira fundos ligados à QI Tech por lavagem e sonegação
No Paraná, operações contra sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro atingem fundos ligados à QI Tech, que também perdeu processo sobre pirâmide financeira em São Paulo.
Pontos principais
- Gaeco de Londrina e Receita Federal cumpriram 64 mandados de busca e apreensão em 28 municípios de PR, SP, SC e RS.
- As ordens de sequestro e indisponibilidade somam R$ 271,5 milhões: R$ 143,4 milhões na Operação Enxágue e R$ 128,1 milhões na Operação Catéter.
- A Justiça de Londrina autorizou o bloqueio de cerca de R$ 63,8 milhões em dez FIDCs administrados pela Singulare, adquirida pela QI Tech em novembro de 2024.
- Nove FIDCs administrados pela Singulare aportaram R$ 63,7 milhões na companhia investigada, segundo as apurações.
- Em junho, a Justiça de São Paulo manteve a inclusão da QI Tech em cobrança superior a R$ 2 milhões ligada ao grupo GR Canis Majoris.
- A QI Tech diz não ser alvo das operações e afirma que as transações investigadas são anteriores à compra da Singulare.
Em operações no Paraná, o Gaeco de Londrina, do Ministério Público, e a Receita Federal apuram sonegação de ICMS, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no comércio de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura. Segundo o Ministério Público do Paraná, empresas de fachada, as chamadas “noteiras”, registradas em nome de laranjas emitiam notas sem operações reais, e as indústrias compradoras se apropriavam dos créditos de ICMS destacados nelas. Os FIDCs aparecem nas duas investigações como canais para converter títulos sem lastro em recursos com aparência de legalidade, antecipando títulos das noteiras.
A ação que levou à decisão paulista foi aberta por um investidor que tentava recuperar valores aplicados em empresas do grupo GR Canis Majoris, depois que buscas patrimoniais não localizaram bens suficientes nas devedoras. Para alcançar a QI Sociedade de Crédito Direto e fundos estruturados, ele pediu a desconsideração da personalidade jurídica, sob o argumento de que prestadores de infraestrutura de pagamentos participaram da movimentação dos recursos.
Mais de R$ 31 milhões voltaram aos fundos em 645 operações, 564 delas para um único fundo, fluxo que os investigadores consideram incompatível com uma antecipação normal de recebíveis e com indícios de recompra de títulos sem lastro.
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