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Senado debate irregularidades em contratos de saúde com organizações sociais

Audiência na CTFC aponta falhas de transparência, fraudes contábeis e precarização do trabalho em contratos de gestão de serviços de saúde.

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04/11 às 20:15, atualizado 21:31

Pontos principais

  • Comissão de Fiscalização e Controle do Senado debateu riscos em contratos de gestão de saúde com organizações sociais.
  • TCU identificou 78 eventos de risco no modelo de gestão, desde a autorização até a prestação de contas.
  • Representantes do TCU e CGU apontaram subcontratações irregulares, falta de transparência e direcionamento de seleções.
  • Conselho Federal de Medicina criticou o modelo por induzir a precarização do trabalho médico.
  • Órgãos de fiscalização sugeriram a criação de um cadastro nacional unificado para entidades do terceiro setor.

A Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado realizou, no dia 4 de novembro de 2026, uma audiência pública para discutir denúncias de irregularidades em contratos de gestão de serviços públicos de saúde firmados com organizações sociais. O debate, convocado pelo senador Dr. Hiran, expôs falhas sistêmicas que incluem subcontratações irregulares, fraudes contábeis e direcionamento de processos seletivos. Segundo representantes da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), a falta de transparência impede o monitoramento adequado dos recursos repassados a estados e municípios.

Durante a sessão, o TCU destacou o Acórdão 2468/2023, que mapeou 78 eventos de risco no modelo de gestão, além de apontar fragilidades na capacidade técnica dos órgãos públicos para fiscalizar essas entidades. O Conselho Federal de Medicina reforçou as críticas, argumentando que o formato atual induz a precarização dos vínculos trabalhistas e o uso de médicos como sócios de empresas para contornar direitos laborais. Como medida de mitigação, órgãos de controle sugeriram a implementação de um cadastro nacional unificado de entidades do terceiro setor para aprimorar a governança e a rastreabilidade dos repasses públicos.

Fonte primária

Senado Federal (CTFC)

Notas taquigráficas — 9ª Reunião da CTFC: fraudes em contratos de saúde com cooperativas e organizações sociais

Audiência pública da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle (CTFC), em 4/11/2026, convocada pelo senador Dr. Hiran (requerimentos 27, 32 e 34/2026). Pelo TCU, Antônio França da Costa cita o Acórdão 2468/2023, que identificou 78 eventos de risco no modelo de organizações sociais, da autorização à prestação de contas, e o Acórdão 33/2026, sobre transparência; diz que a União não sabe para onde vai o recurso repassado a estados e municípios e que apenas 26% dos entes informaram corretamente no Cnes que o estabelecimento é gerido por OS; afirma que mais de 50% dos portais avaliados têm transparência baixa ou insuficiente. Pela CGU, Daniel Gontijo Motta aponta a subcontratação irregular (quarteirização) como padrão recorrente, a ausência de chamamento público e de estudo técnico de vantajosidade, e diz que a CGU já aplicou a Lei Anticorrupção a uma OS. Luis Alves de Freitas Lima, pelo Trabalho e Emprego no Ceará, relata 26 instituições fiscalizadas em dois anos, cerca de 700 profissionais de saúde em quatro estabelecimentos, e um hospital em que 90% dos trabalhadores eram cooperados irregulares; defende ajuste na Lei 12.690. Pelo Ministério da Saúde, Marcos Pedrosa apresenta o Intrad-SUS, indicador de precarização do trabalho, e a proposta de carreira única interfederativa (Resolução CNS 799/2026). Raphael Câmara, do CFM, diz que o modelo serve para “dar calote em médicos” e pede lei que proíba a contratação sem direitos trabalhistas.

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