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Polícia espanhola desmantela acampamento por moradia em Madri

Operação na praça Puerta del Sol retirou 334 pessoas na madrugada de terça-feira, em meio à crise habitacional e eleições antecipadas na Espanha.

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Foto: G1 Mundo
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03/11 às 07:01, atualizado 09:31

Pontos principais

  • A ação policial na praça Puerta del Sol envolveu 400 agentes, sendo 220 da Polícia Nacional e 180 da Polícia Municipal.
  • Ao todo, 334 pessoas foram retiradas do local e duas foram detidas durante a operação.
  • O acampamento, ativo há mais de cinco semanas, protestava contra a crise habitacional no país.
  • A Delegação do Governo em Madri classificou a ação como um último recurso após um processo de atuação gradual.
  • O primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro.

A Polícia Nacional da Espanha, em coordenação com a Polícia Municipal, desmantelou na madrugada desta terça-feira (3) o acampamento de ativistas pelo direito à moradia instalado na praça Puerta del Sol, em Madri. A operação resultou na retirada de 334 pessoas e na detenção de dois indivíduos, sendo acompanhada pela limpeza de barracas e detritos por funcionários municipais. O local servia como ponto central de manifestações sobre a crise habitacional no país há mais de cinco semanas, ganhando visibilidade após a morte de uma idosa de 87 anos em setembro.

Segundo comunicado da Delegação do Governo em Madri, a intervenção foi tratada como um "último recurso" após um processo de atuação gradual. O órgão afirmou que, embora o direito de reunião tenha sido inicialmente respeitado, a natureza do acampamento mudou ao longo do tempo, passando a abrigar majoritariamente pessoas em situação de vulnerabilidade após a saída das organizações que lideravam o movimento. Enquanto autoridades declararam que a ação ocorreu sem distúrbios significativos, organizadores dos protestos denunciaram o uso de força excessiva.

O desmonte do acampamento ocorre em um momento de instabilidade política na Espanha, com o primeiro-ministro Pedro Sánchez tendo convocado eleições legislativas antecipadas para o dia 29 de novembro. A medida foi tomada após o impasse no Parlamento sobre projetos de lei voltados ao setor de moradia, tornando a crise habitacional um dos temas centrais do debate público antes do pleito.

Fonte primária

Delegación del Gobierno en Madrid (comunicado, via Europa Press)

Comunicado da Delegación del Gobierno en Madrid sobre o desalojo da Acampada 26S (Puerta del Sol)

A Delegação diz que o desalojo da Acampada 26S, na Puerta del Sol, foi executado na madrugada de 3/11 pela Polícia Nacional, em coordenação com a Policía Municipal, como medida de "último recurso" após "proceso de actuación gradual". Afirma que o Governo protegeu no início o direito de reunião por haver "finalidade reivindicativa comum", mas que o direito "não é ilimitado" e que, após mais de um mês, houve "cambio en las circunstancias y naturaleza de la acampada": as principais organizações se retiraram, grande parte das pernoites era de "personas sin hogar" e "colectivos vulnerables", e houve "diversos hechos presuntamente delictivos e incidentes" comunicados pela Jefatura Superior de Policía, o que gerou "peligro concreto para personas y bienes". Cronologia no texto: escrito de 26/10 do então delegado Francisco Martín dando prazo "razoable"; segundo requerimento de 29/10 pedindo o desmantelamento "a la mayor brevedad"; em 30/10 os interlocutores dissolveram as comissões e encerraram a reivindicação inicial, mas um grupo "residual" recusou-se a sair. A delegada (Pilar Trinidad) emitiu ofício pedindo restabelecer a normalidade "llevando a cabo las acciones necesarias", com critérios de proporcionalidade e oportunidade e "especial atención a las personas vulnerables". O comunicado não menciona cargas nem gás lacrimogêneo, denunciados pelos acampados; à Europa Press, a Delegação disse que o desalojo "se ha desarrollado sin violencia".

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