DIAP projeta 124 deputados de apoio consistente a Lula em 2027
No Congresso brasileiro, o DIAP projeta para 2027 a menor base consistente de apoio a Lula desde 1990, com 124 deputados e 16 senadores, e prevê uma governabilidade "negociada, custosa e instável".
Pontos principais
- O DIAP projeta 124 deputados e 16 senadores de apoio consistente ao governo Lula na legislatura 2027 a 2031, no cenário de reeleição.
- No atual governo Lula III, o DIAP registra 140 deputados e 17 senadores de apoio consistente.
- Somados os 246 deputados de apoio condicionado, a base potencial chega a 370 deputados, segundo o DIAP.
- Na Câmara, a oposição projetada soma 143 deputados, segundo o DIAP.
- No Senado, o DIAP projeta 31 senadores de apoio condicionado e 34 de oposição, a maior bancada oposicionista da série.
- Para o cientista político Lúcio Rennó, da UnB, a direita, com PL, PP e Republicanos, terá mais da metade das cadeiras no Congresso.
- Para aprovar uma emenda à Constituição, são necessários três quintos de cada Casa: 308 deputados e 49 senadores.
- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, discute redução de incentivos fiscais e mudanças em gastos obrigatórios para reforçar as metas fiscais.
Reeleito em outubro com 64 milhões de votos, Lula começa o quarto mandato com um Congresso mais à direita. O DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) publicou em 13 de outubro um estudo com dois cenários para a legislatura 2027 a 2031: a reeleição de Lula e a eleição de Flávio Bolsonaro. No primeiro, o instituto diz que a maioria "existe no papel", mas está concentrada no apoio condicionado, o segmento mais volátil da série, que exige negociação votação a votação, por meio de emendas, cargos e acordos caso a caso. No Senado, o quadro seria ainda mais complexo.
Cláudio Couto, professor da FGV, diz que a negociação com o centrão será fundamental e que a Casa Civil terá a tarefa de mediar a relação entre os partidos com representação no governo e no Congresso. O DIAP lembra que o Congresso se fortaleceu nas últimas legislaturas, com a ampliação das emendas parlamentares e maior influência sobre o Orçamento e a produção legislativa. Couto resume: "O Congresso vai querer mexer em tudo".
O primeiro teste vem em fevereiro, com a eleição para as presidências da Câmara e do Senado. Para o professor Lúcio Rennó, os presidentes das duas Casas definem a agenda legislativa e controlam a possibilidade de impeachment. Enquanto isso, o governo prevê no Projeto de Lei Orçamentária de 2027 um superávit primário de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões, com a maior parte das despesas já comprometida com gastos obrigatórios.
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