Eleições legislativas nos EUA podem impactar exportações brasileiras
As eleições de novembro de 2026 nos EUA colocam em foco tarifas comerciais e investimentos estratégicos em minerais críticos brasileiros.
Pontos principais
- As eleições legislativas americanas estão agendadas para o dia 3 de novembro de 2026.
- Sobretaxas da Seção 301 do USTR somam 25%, desde 22 de julho, e 12,5%, desde 24 de julho de 2026, podendo chegar a 37,5% sobre um mesmo produto.
- Segundo o MDIC, com base na pauta de 2024, 23,1% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas a essas sobretaxas.
- O USGS inclui o Brasil entre os principais fornecedores americanos de 11 commodities minerais cujas importações superam metade do consumo dos EUA.
- Nióbio, silício e estanho estão entre as três commodities consideradas essenciais à segurança nacional e à economia americanas, segundo o USGS.
- A DFC, agência de financiamento dos EUA, aprovou US$ 565 milhões em dívida para a SVRE Holdings, para melhorar a mina Pela Ema, em Goiás, em fevereiro de 2026.
- Em agosto de 2026, o Departamento de Defesa mobilizou US$ 1,55 bilhão, incluindo US$ 750 milhões de investimento, para um acordo de compra de terras raras da mesma mina.
- Segundo o CRS, o Congresso pode codificar, encerrar ou modificar as sobretaxas sobre o Brasil e definir objetivos para negociações, inclusive de minerais críticos.
- Segundo o CRS, alguns congressistas acusam Trump de usar poderes comerciais para interferir na Justiça brasileira, enquanto outros defendem um acordo com tarifas mais direcionadas.
As eleições legislativas nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro de 2026, trazem incertezas para o comércio com o Brasil. A Suprema Corte decidiu que a lei de poderes econômicos de emergência (IEEPA) não pode ser usada para impor tarifas, e o governo encerrou em fevereiro de 2026 as tarifas baseadas nela. As sobretaxas atuais foram impostas pelo USTR com base na Seção 301, e para mantê-las o governo Trump não precisa de nova aprovação do Congresso.
Para encerrá-las ou codificá-las, seria preciso lei, sujeita a veto presidencial. Uma derrota de Trump nas urnas aumentaria a pressão por revisão, sem garantir a retirada das tarifas.
Nos minerais críticos, uma mudança de maioria no Congresso poderia levar a uma fiscalização mais próxima dos recursos destinados a projetos como o de Goiás, e o Congresso pode definir objetivos para as negociações. O CRS registra que o governo Lula tem hesitado em firmar acordos com exclusividade de compra para os EUA ou para outros países, e não está claro se a política nacional de minerais sancionada em setembro de 2026 permitirá a participação em um acordo plurilateral que o USTR quer negociar.
