Prefixados do Tesouro têm alta histórica após reeleição de Lula
As taxas dos prefixados do Tesouro registraram recorde de alta após a reeleição de Lula, elevando o risco de marcação a mercado para investidores que resgatam papéis antes do vencimento.
Pontos principais
- O Prefixado 2031 teve a maior alta diária da série do Tesouro Nacional em 26 de outubro, subindo 2,93 pontos percentuais para 15,75% ao ano.
- Os vencimentos de 2029, 2031 e 2032 superaram a marca de 15% ao ano no primeiro pregão pós-eleição.
- A marcação a mercado pode gerar perdas nominais para investidores que necessitam resgatar títulos antes da data de vencimento.
- O Tesouro Nacional realizou recompras de R$ 31,6 bilhões e cancelou leilões de venda para garantir liquidez ao mercado.
- O mercado financeiro mantém cautela com a definição da política fiscal e a nomeação da nova equipe econômica do governo.
- Dados da B3 indicam 66,5% de probabilidade de manutenção da taxa Selic em 13,75% na próxima reunião do Copom.
As taxas dos títulos prefixados do Tesouro Direto registraram uma disparada histórica no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo dados do Tesouro Nacional, o Prefixado 2031 saltou de 12,82% para 15,75% ao ano na taxa de compra da manhã, marcando a maior variação diária desde o início da série em 2004. Outros vencimentos, como o de 2029, também apresentaram altas expressivas, refletindo a cautela do mercado financeiro diante das incertezas sobre a condução da política fiscal e a composição da nova equipe econômica.
Essa volatilidade acende um alerta para os investidores sobre os riscos da marcação a mercado, que ajusta o valor dos títulos conforme a variação das taxas diárias. Embora o rendimento seja garantido para quem mantém o investimento até o vencimento, aqueles que precisam resgatar os recursos antecipadamente podem sofrer perdas nominais significativas. Em resposta ao cenário de instabilidade, o Tesouro Nacional optou por cancelar leilões de venda e realizou recompras de R$ 31,6 bilhões para dar liquidez ao sistema.
Além da pressão nos prefixados, o mercado monitora indicadores macroeconômicos e a precificação de juros futuros. A B3 aponta atualmente 66,5% de chance de manutenção da Selic em 13,75% na próxima reunião do Copom, enquanto analistas observam o impacto da política fiscal sobre os DIs. Apesar de especulações sobre mudanças tributárias, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, negou planos oficiais para a cobrança de IOF sobre investimentos isentos como LCI e LCA.
