Israel realiza eleições cruciais em disputa entre Netanyahu e Eisenkot
Israel vai às urnas nesta terça-feira em um pleito decisivo que testa a permanência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no poder frente ao opositor Gadi Eisenkot.
Pontos principais
- Mais de 7 milhões de eleitores estão aptos a votar para eleger 120 deputados para o Knesset.
- O pleito é o primeiro realizado desde os ataques de 7 de outubro de 2023 e o início da guerra em Gaza.
- Pesquisas de opinião indicam um empate técnico entre o Likud, de Netanyahu, e o partido Yashar, de Gadi Eisenkot.
- O comparecimento às urnas registra níveis recordes, com 45% do eleitorado votando até as 14h.
- O nível de participação às 14h é o mais alto registrado em eleições gerais israelenses desde os anos 1970.
- Gadi Eisenkot defende a criação de uma comissão de inquérito para investigar falhas de segurança no 7 de outubro.
- Benjamin Netanyahu enfrenta críticas por processos judiciais, gestão da guerra e um mandado de prisão internacional.
- O sistema parlamentarista israelense exige a formação de coalizões, o que pode atrasar a definição do novo governo por semanas.
- Cerca de 80 mil cidadãos que vivem no exterior retornaram ao país para participar da votação.
- A campanha foi marcada por temas como a guerra contra o Irã, a reforma do Judiciário e a isenção militar de ultraortodoxos.
Israel realiza nesta terça-feira (27) eleições parlamentares consideradas um dos momentos mais decisivos da história do país. O pleito funciona como um referendo sobre a liderança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que busca a reeleição em meio a um cenário de isolamento internacional, processos por corrupção e a condução de conflitos regionais em Gaza, no Líbano e contra o Irã. O principal desafiante é Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e líder do partido Yashar, que tem capitalizado sobre o descontentamento popular com a gestão de segurança do atual governo.
A votação ocorre sob alta expectativa, com a Comissão Central de Eleições reportando um comparecimento às urnas que pode atingir patamares recordes em mais de 50 anos. Até as 14h no horário local, cerca de 45% do eleitorado já havia comparecido às seções eleitorais, o índice mais alto para este horário desde a década de 1970. A mobilização é tão intensa que cerca de 80 mil israelenses que residem no exterior retornaram ao país especificamente para exercer o direito ao voto, uma vez que a participação fora do território nacional é restrita a missões diplomáticas.
O clima de incerteza é acentuado pelas pesquisas de opinião, que apontam um empate técnico entre os blocos de Netanyahu e Eisenkot. Nenhum dos lados possui, até o momento, uma projeção clara para alcançar a maioria necessária de 61 assentos no Knesset. Enquanto Netanyahu aposta em uma retórica de segurança nacional para manter sua base, a oposição foca na necessidade de alternância de poder e na criação de uma comissão de inquérito independente para apurar as falhas de segurança que permitiram os ataques de 7 de outubro de 2023.
O processo de formação do próximo governo promete ser longo e complexo devido à fragmentação política do sistema parlamentarista israelense. Após o fechamento das urnas e a divulgação das pesquisas de boca de urna, o presidente Isaac Herzog deverá iniciar consultas com os líderes partidários para indicar quem terá a tarefa de articular uma coalizão. Analistas políticos alertam que, caso as negociações não avancem nas próximas semanas, o país poderá enfrentar um impasse prolongado ou até mesmo a convocação de novas eleições, mantendo o governo atual em caráter interino por um período indeterminado.
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