Daily Journal
Daily Journal

Gadi Eisenkot

Gadi Eisenkot é um general da reserva e político israelense, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel de 2015 a 2019. Integrou o gabinete de guerra após o 7 de outubro de 2023 e perdeu um filho em combate em Gaza. Em 2025 fundou o partido Yashar!, de perfil centrista, que liderou pesquisas em 2026. Disputou a eleição geral de 27 de outubro de 2026 como principal adversário de Benjamin Netanyahu.

Daily Journal
Foto: Yahav Trudler (Yahav Studio) / CC BY-SA 3.0

Atualizado em

|||1 revisão

Quem é Gadi Eisenkot

Gadi Eisenkot é um general da reserva e político israelense. Foi o 21º chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI), de 16 de fevereiro de 2015 a 15 de janeiro de 2019, com a patente de rav aluf (tenente-general). Depois de passar pelo Knesset e pelo gabinete de guerra formado após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, fundou em setembro de 2025 o partido Yashar!, que liderou na eleição geral de 27 de outubro de 2026 como principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Nasceu em 19 de maio de 1960, em Tiberíades, filho de imigrantes marroquinos, e cresceu em Eilat. É formado em história pela Universidade de Tel Aviv, tem mestrado em ciência política pela Universidade de Haifa e um mestrado pelo US Army War College. A Universidade Reichman lhe concedeu um doutorado honorário em 2019.

Eisenkot x Netanyahu

A campanha de 2026 opôs Eisenkot a Netanyahu em torno da responsabilidade pelo 7 de outubro e da condução da guerra. Eisenkot defende uma comissão estatal independente de inquérito sobre o ataque, que o governo resiste a instalar, e acusou o premiê, em setembro de 2026, de pôr a própria sobrevivência política acima dos interesses do país. Em 20 e 21 de julho, Netanyahu e o Likud publicaram um vídeo feito com inteligência artificial em que Eisenkot corria em direção a um jovem e depois desviava para abraçar Mansour Abbas, líder do partido árabe Ra'am. Críticos disseram que o jovem lembrava Gal, o filho de Eisenkot morto em Gaza; o Likud negou a intenção e trocou o jovem por uma mulher numa nova versão. Eisenkot disse ter sentido "profundo desprezo" por Netanyahu e seu entorno.

A disputa entre os dois já vinha do período militar. Em 2016, no caso do soldado Elor Azaria, que matou um palestino ferido e rendido em Hebron, Eisenkot insistiu no julgamento em corte marcial enquanto Netanyahu defendia clemência.

No dia da votação, Eisenkot votou em Herzliya com a mulher, Hannah, e disse estar convencido de que a noite terminaria com mudança. O Yashar acusou Netanyahu de preparar o terreno para alegações infundadas de fraude, depois de o premiê afirmar que eleitores árabes e o partido Ra'am tentavam "roubar a eleição".

Partido Yashar! e posições políticas

Eisenkot fundou o Yashar! em 16 de setembro de 2025 e se apresenta como centrista. Segundo a revista The Week, o programa do partido inclui:

  • manutenção dos assentamentos na Cisjordânia e rejeição de um Estado palestino no momento atual;
  • fim das isenções do serviço militar para ultraortodoxos e árabes israelenses, com serviço militar ou serviço nacional para todos;
  • quebra de monopólios em setores como alimentos e cosméticos e corte no número de ministérios;
  • verba para reconstruir o norte do país, atingido pelo conflito com o Líbano;
  • comissão estatal independente sobre o 7 de outubro.

As posições sobre a questão palestina mudaram com o tempo. Em 2020 ele defendia a solução de dois Estados; em 2025 disse que um Estado palestino "não é relevante" depois do 7 de outubro. Como chefe do Estado-Maior, em 2018, opôs-se a uma guerra total em Gaza, divergência com o então ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, que acabou deixando o cargo.

Críticos apontam o histórico político curto, de cerca de quatro anos no Knesset, a formação de comandante militar distante da negociação de coalizões e um plano econômico pouco detalhado.

Pesquisas e eleição de 2026

As pesquisas de 2026 puseram o Yashar à frente do Likud. Uma pesquisa do Canal 13 em julho deu 23 cadeiras ao Yashar e 22 ao Likud; a do Canal 12 publicada em 25 de agosto, 24 contra 22, com Eisenkot preferido por 44% para primeiro-ministro, contra 34% de Netanyahu. Em outubro, o Canal 12 voltou a mostrar o partido de Eisenkot à frente.

O Knesset tem 120 cadeiras, a maioria é de 61 e a cláusula de barreira é de 3,25%. As pesquisas finais das três principais emissoras davam ao bloco liderado pelo Yashar uma vantagem de 2 a 6 cadeiras sobre a coalizão de Netanyahu, sem que nenhum dos dois blocos chegasse a 61. Com isso, os partidos árabes, em especial o Ra'am, de Mansour Abbas, passaram a ser vistos como fiel da balança. A composição exata do bloco de oposição variou entre as fontes; em agosto, a The Week incluía nele o partido de Naftali Bennett e o Yisrael Beytenu, de Lieberman.

A eleição foi realizada em 27 de outubro de 2026. Às 14h, o comparecimento era de 44,9%, o maior já registrado para esse horário, segundo a Comissão Central de Eleições. A apuração e a formação do governo estão em Eleições em Israel 2026.

Carreira militar

Eisenkot foi convocado em 1978 e serviu na Brigada Golani até 1992. Comandou uma companhia na Primeira Guerra do Líbano, em 1982, e a própria Golani entre 1997 e 1998. Foi secretário militar dos primeiros-ministros Ehud Barak e Ariel Sharon (1999–2001), comandou a 366ª Divisão (2001–2003) e a Divisão da Judeia e Samaria (2003–2005), chefiou a Diretoria de Operações (2005–2006) e o Comando Norte (2006–2011).

Foi vice-chefe do Estado-Maior de 2013 a 2015 e chefe do Estado-Maior de fevereiro de 2015 a janeiro de 2019, quando foi sucedido por Aviv Kohavi.

Trajetória política

Eisenkot foi eleito para o Knesset em 2022 pela Unidade Nacional, de Benny Gantz. Em 12 de outubro de 2023, cinco dias após o ataque do Hamas, tomou posse como ministro sem pasta e observador do gabinete de guerra. Deixou o governo em junho de 2024, quando a Unidade Nacional saiu da coalizão.

Em 30 de junho de 2025 anunciou a saída da Unidade Nacional e, em 2 de julho, renunciou ao mandato no Knesset. Fundou o Yashar! em 16 de setembro de 2025.

Família e o filho morto em Gaza

Eisenkot é casado com Hannah desde 1984, tem cinco filhos e mora em Herzliya. Seu filho, o sargento-mor Gal Meir Eisenkot, de 25 anos, foi morto em combate em Gaza em dezembro de 2023, quando o pai integrava o gabinete de guerra. Dois sobrinhos também morreram na guerra: Maor Cohen Eisenkot, em dezembro de 2023, e Yogev Pazy, em novembro de 2024.

Notícias relacionadas

Comentários