Busca de Lula por legado pode gerar imprevisibilidade, diz Eurasia
Christopher Garman, da Eurasia Group, avalia que a preocupação de Lula com o legado no quarto mandato torna o governo brasileiro mais imprevisível, com maior risco nos anos seguintes.
Pontos principais
- Lula deve começar o quarto mandato com postura pragmática, mas mais preocupado com o legado do que no terceiro.
- A maior preocupação de Garman são os anos seguintes, sobretudo se Lula perder popularidade, e não o início do governo.
- Garman diz que o Brasil não precisa de ajuste de 2% a 3% do PIB; uma regra que limite o crescimento dos gastos obrigatórios a menos de 2% real pode reverter boa parte da depreciação dos ativos.
- Os nomes cotados para a Fazenda são o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles; para Garman, o nome sozinho não basta.
- O que importa é se o governo enviará proposta ao Congresso antes da posse de um Senado mais conservador.
- Garman prevê reforma fiscal modesta, focada no controle dos gastos obrigatórios e de seu crescimento futuro.
- Garman diz que juros reais na casa dos 10% aumentam o custo para empresas e famílias endividadas.
- Na segunda-feira (26), após o segundo turno, a bolsa caiu 13,9% e o dólar subiu 8,2%.
No Brasil, Lula começa o quarto mandato com postura pragmática, mas a preocupação com o próprio legado pode levá-lo a decisões difíceis ou a medidas que, mal desenhadas, pressionam as contas e os juros. O maior risco, segundo Christopher Garman, da Eurasia Group, está nos anos seguintes, se Lula perder popularidade.
Para acalmar o mercado, Garman diz que o presidente precisa definir logo o ministro da Fazenda e apresentar regras sustentáveis para os gastos obrigatórios. Depois do ajuste inicial, um Congresso conservador deve dificultar a governabilidade.
