Dado de Lula sobre 33 milhões com fome no Brasil é de antes da posse
No Brasil, o número de 33 milhões com fome citado por Lula vem de pesquisa da Rede Penssan feita entre novembro de 2021 e abril de 2022, antes da posse, e não mede 2023.
Pontos principais
- A Rede Penssan estima 33,1 milhões de pessoas em domicílios com insegurança alimentar grave, a fome.
- O II VIGISAN entrevistou 12.745 domicílios face a face, com coleta de novembro de 2021 a abril de 2022.
- O II VIGISAN não cobre 2023: a coleta terminou em abril de 2022, antes da posse.
- O IBGE estima 8,7 milhões de pessoas (8.671 mil) em domicílios com insegurança alimentar grave no quarto trimestre de 2023.
- O IBGE registra insegurança alimentar grave em 3,2 milhões de domicílios (4,1%) no mesmo trimestre.
- Segundo o IBGE, a insegurança alimentar grave ficou no mesmo patamar entre 2018 e 2023.
- O IBGE avisa que comparações de valores absolutos entre pesquisas podem ser inadequadas.
A Lupa checou a declaração do presidente Lula de que 33 milhões de pessoas passavam fome no Brasil ao retornar à Presidência em 2023. O número existe, mas a pesquisa que o registra foi a campo antes da posse e não cobre 2023.
O IBGE, com a PNAD Contínua, mede 2023 em outra pesquisa e encontra números bem menores.
Fontes primárias
II VIGISAN — Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (2022)
Inquérito face a face em 12.745 domicílios de 577 municípios, executado pela Vox Populi com coleta de novembro de 2021 a abril de 2022. Estima 33,1 milhões de pessoas (33.103 mil) em domicílios com insegurança alimentar grave (IA grave, a fome), 15,5% dos domicílios, e 125,2 milhões com algum grau de IA. O recorte termina em abril de 2022, antes da posse de 2023.
Segurança alimentar 2023 — PNAD Contínua (4º trimestre de 2023)
Primeira divulgação da PNAD Contínua com a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), no 4º trimestre de 2023. Estima 8.671 mil pessoas (8,7 milhões) em domicílios com IA grave, em 3,2 milhões de domicílios (4,1%). IBGE diz que, entre 2018 e 2023, a IA grave se manteve no mesmo patamar.
