Revista The New Yorker aponta possível derrota de Lula para Flávio Bolsonaro
Ishaan Tharoor, na coluna Global Notes da The New Yorker, avalia que as chances no segundo turno presidencial do Brasil favorecem Flávio Bolsonaro, e que uma derrota de Lula encerraria sua carreira.
Pontos principais
- No primeiro turno, em 4 de outubro, Lula ficou dois pontos atrás de Flávio Bolsonaro, em resultado que Tharoor chama de surpresa.
- Desde 1989, o candidato mais votado no primeiro turno venceu todos os segundos turnos presidenciais; Lula perdeu o de 1989.
- Mesmo com vitória apertada, Lula governaria sob uma estrutura federal dominada pela direita, segundo Tharoor.
- Tharoor aponta custo de vida, segurança pública e dificuldade de falar com trabalhadores de aplicativos como fragilidades de Lula, apesar de o desemprego estar no menor nível desde 2012.
- Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos em prisão domiciliar, depois que as autoridades brasileiras concluíram que ele participou de uma trama golpista para derrubar Lula.
- Flávio tem deixado claro que pretende libertar o pai e punir as principais figuras do Judiciário que levaram adiante o processo contra ele, segundo Tharoor.
- Se Lula perder, só México, Guatemala e Uruguai manteriam governos de esquerda eleitos na América Latina, segundo Tharoor.
- Tharoor liga a eleição à guinada da América Latina para a direita e à visão ideológica do governo Trump para o hemisfério.
Tharoor compara Lula a Joe Biden: ambos são veteranos de um status quo mais liberal que não conseguiu deter o trumpismo nem o bolsonarismo como movimentos. Lula foi condenado em 2018 a doze anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, foi solto 580 dias depois e teve as acusações anuladas em 2021. Ao vencer Jair Bolsonaro em 2022, conquistou um terceiro mandato.
Tharoor lembra ainda o atrito com Washington. Trump impôs tarifas à economia brasileira e sanções a Alexandre de Moraes, o ministro do STF mais envolvido no processo contra Jair Bolsonaro. As sanções foram retiradas, mas a Casa Branca tem avaliado reimpô-las. Lula aposta em milhões de brasileiros desiludidos que não votaram no primeiro turno.
