Estudo do Inpe aponta desmatamento como motor de emissões na Amazônia
Pesquisadores do Inpe, em artigo publicado na Nature, atribuem as emissões de carbono da Amazônia sobretudo à ação humana, com a seca amplificando os incêndios; reduzir o fogo é essencial para evitar um ponto de inflexão.
Pontos principais
- Entre 2010 e 2024, a Amazônia emitiu em média 0,32 PgC por ano (um PgC é um bilhão de toneladas de carbono), e as queimadas foram a principal fonte, com 0,40 PgC por ano.
- Anos úmidos com pouca atividade humana (2011 a 2014, 2017 e 2018) emitiram 0,11 PgC por ano.
- Anos de atividade humana intensa e baixo estresse climático (2019 a 2022) emitiram 0,43 PgC por ano, com taxa de desmatamento 97% maior que nos anos úmidos.
- Anos quentes e secos (2010, 2015, 2016, 2023 e 2024) têm média de 0,49 PgC por ano; a área queimada é 92% maior que nos anos úmidos, e 98% dos incêndios desse grupo são de origem humana.
- 2024 é o ano de maior emissão da série, com 0,81 ± 0,09 PgC, e também o mais quente, mais seco e com mais área queimada desde 2010.
- De 1979 a 2024, a temperatura média subiu 1,13 °C e a chuva anual caiu 8%; os autores atribuem essa tendência ao desmatamento e à degradação.
- Os autores ressalvam que as emissões do fogo em 2023 e 2024 podem estar subestimadas, porque a razão CO/CO₂ usada nos cálculos tende a cair com o tempo.
Pesquisadores do Inpe analisaram 15 anos de medições de CO₂ feitas por aviões sobre a Amazônia, em artigo publicado na revista Nature, e concluíram que as emissões de carbono da floresta têm origem sobretudo humana. Os anos foram divididos em três grupos, conforme o desmatamento, a degradação e o clima: os úmidos, com pouca atividade humana; os de atividade humana intensa e baixo estresse climático; e os quentes e secos, ligados ao El Niño e ao aquecimento do Atlântico Tropical Norte. Segundo os autores, a seca amplifica a inflamabilidade da floresta e o efeito do fogo.
O período chuvoso de 2023 teve o maior sumidouro de carbono da série, depois de três anos seguidos de La Niña. Para os autores, reduzir drasticamente os incêndios é essencial para evitar um ponto de inflexão no bioma, o que exige desmatamento zero, controle das queimadas e restauração florestal. A variação entre anos é grande e, segundo eles, a série de 15 anos ainda não define o papel da Amazônia no ciclo global do carbono.
