Alinhamento ideológico com EUA não garante ganhos comerciais ao Brasil
Especialistas alertam que a afinidade política com o governo Trump não assegura vantagens comerciais automáticas nas relações entre Brasil e EUA.
Pontos principais
- Exportações brasileiras para os EUA recuaram 6,5% entre janeiro e setembro de 2026.
- O setor do agronegócio registrou queda de 17,8% nas vendas para o mercado americano.
- Brasil e EUA estabeleceram um grupo de trabalho em setembro para debater tarifas.
- Governo brasileiro rejeitou proposta americana de 2025 que condicionava sobretaxas à estabilização do mercado de soja.
Analistas políticos e econômicos ressaltam que a política comercial dos Estados Unidos é pautada por interesses estratégicos nacionais, independentemente da proximidade ideológica entre os chefes de Estado. Mesmo com o cenário eleitoral brasileiro de 2026, que coloca Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro frente a frente, a expectativa de ganhos automáticos nas negociações com a gestão de Donald Trump é vista com ceticismo pelo mercado.
Os dados recentes reforçam a complexidade da relação bilateral, com uma queda de 6,5% nas exportações brasileiras para os EUA nos primeiros nove meses de 2026. O setor do agronegócio foi o mais impactado, apresentando retração de 17,8%. Embora um grupo de trabalho tenha sido criado em setembro para discutir entraves tarifários, o histórico de divergências, como a rejeição brasileira a condições impostas sobre o comércio de soja em 2025, mantém o ambiente de negociação desafiador.
