Daily Journal
Daily Journal

Lula diz que credibilidade da ONU nunca esteve tão baixa em discurso na Assembleia Geral

No discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, Lula disse que a credibilidade da organização nunca esteve tão baixa e que o mundo é refém da inação do Conselho de Segurança.

Daily Journal
Foto: Agência Brasil - EBC
||
22/09 às 11:32 · atualizado 12:45

Pontos principais

  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu os debates da 81ª Assembleia Geral da ONU em Nova York.
  • Lula disse que a credibilidade da ONU nunca esteve tão baixa e que todos são reféns da inação do Conselho de Segurança, que não cumpre seu papel.
  • Segundo o presidente, 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, com trilhões de dólares financiando uma nova corrida armamentista, e ele convocou os líderes dos Estados-membros do Conselho de Segurança a se reunirem.
  • Sobre Gaza, afirmou que gerações de palestinos carregarão a dor do genocídio de mulheres e crianças perpetrado pelo governo Netanyahu, defendeu a solução de dois Estados e condenou assentamentos na Cisjordânia.
  • Lula citou o Estreito de Ormuz, transformado em palco de conflito, e a guerra entre Rússia e Ucrânia, já em seu quinto ano, para defender que a diplomacia é a única opção, e mencionou o Grupo de Amigos da Paz, liderado por Brasil e China.
  • O presidente disse que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém" e pediu cooperação dos EUA contra o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado, retomando a proposta que entregou pessoalmente ao presidente americano.
  • Lula se comprometeu a manter a redução do desmatamento na Amazônia, hoje pela metade e no menor nível em 11 anos, diante do risco de um super El Niño.

Durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, realizada nesta terça-feira em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a ONU falha em livrar a humanidade do flagelo da guerra e que sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Segundo ele, todos são reféns da inação do Conselho de Segurança, que não cumpre seu papel, falha que atribuiu a um vício estrutural da Carta da ONU que dá às grandes potências o luxo de serem insensíveis. Lula afirmou que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, com trilhões de dólares financiando uma nova corrida armamentista, e convocou os líderes dos Estados-membros do Conselho de Segurança a se reunirem.

Sobre o Oriente Médio, o presidente disse que gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma do genocídio de mulheres e crianças perpetrado pelo governo de Binyamin Netanyahu em Gaza, e que ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade à região. Defendeu a solução de dois Estados para o conflito entre Israel e Palestina e condenou assentamentos na Cisjordânia. Citou ainda o Estreito de Ormuz, transformado em palco de conflito quando deveria seguir sendo passagem vital ao comércio internacional, e a guerra entre Rússia e Ucrânia, já em seu quinto ano sem vencedores no campo de batalha, defendendo que a diplomacia é a única opção e mencionando a iniciativa do Grupo de Amigos da Paz, liderada por Brasil e China.

Lula disse que, apesar da proximidade geográfica inescapável com a maior potência militar do mundo, o Brasil não cabe no quintal de ninguém. Pediu cooperação dos Estados Unidos para bloquear o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado, retomando a proposta que entregou pessoalmente ao presidente americano. Reiterou ainda críticas a embargos econômicos unilaterais, citando o caso de Cuba.

Diante do risco de um super El Niño, que pode trazer chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais a diferentes partes do globo, Lula se comprometeu a manter a redução do desmatamento na Amazônia, hoje pela metade e no menor nível em 11 anos.

Fonte primária

Organização das Nações Unidas / Assembleia Geral (Debate Geral)

Discurso do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU

No discurso de abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em 22/set/2026, Lula afirma que a ONU está falhando em livrar a humanidade do flagelo da guerra e que sua credibilidade 'nunca esteve tão baixa'. Diz que 'somos todos reféns da inação do Conselho de Segurança, que não cumpre seu papel', atribuindo isso a uma falha estrutural da Carta da ONU que dá às grandes potências o luxo de serem insensíveis. Cita que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, com trilhões de dólares financiando uma nova corrida armamentista, e convoca os líderes dos membros do Conselho de Segurança a se reunirem. Sobre Gaza, diz que gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma do genocídio de mulheres e crianças perpetrado pelo governo Netanyahu, e que 'ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade ao Oriente Médio' — defende que 'a diplomacia é a única opção', citando também o Estreito de Ormuz e a guerra Rússia-Ucrânia, já em seu quinto ano, sem vencedores no campo de batalha. Sobre a região, afirma que, apesar da proximidade geográfica inescapável com a maior potência militar do mundo, 'o Brasil não cabe no quintal de ninguém', pedindo cooperação contra o crime organizado — referência à proposta que entregou pessoalmente ao presidente dos EUA. Menciona ainda o compromisso de reduzir o desmatamento, hoje pela metade na Amazônia, no menor nível em 11 anos.

Comentários

Carregando comentários...