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Assembleia Geral da ONU

A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU e reúne os 193 Estados-membros, cada um com um voto. Suas resoluções não têm força de lei, mas ela aprova o orçamento, elege membros do Conselho de Segurança e nomeia o secretário-geral. O Debate Geral da 81ª sessão, aberto por Lula em 22 de setembro de 2026, vai até 28 de setembro, marcado pela guerra com o Irã, pela Ucrânia, pela saída de delegações na fala de Netanyahu e pela sucessão de Guterres.

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Foto: Ricardo Stuckert/PR / CC BY-SA 4.0

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O que é a Assembleia Geral da ONU

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O que é a Assembleia Geral da ONU

A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo, de formulação de políticas e de representação das Nações Unidas. Criada em 1945 pela Carta da ONU, reúne os 193 Estados-membros da organização, cada um com direito a um voto de igual peso.

É nela que se discutem todos os temas cobertos pela Carta: paz e segurança internacional, desarmamento, direitos humanos, desenvolvimento econômico e social e questões humanitárias. A Assembleia aprova o orçamento da ONU e fixa a contribuição de cada país, elege os membros não permanentes do Conselho de Segurança, nomeia o secretário-geral e escolhe outros dirigentes do sistema.

Suas resoluções, salvo em matéria orçamentária e administrativa interna, não são juridicamente vinculantes: têm peso político, não força de lei. Essa é a diferença prática mais importante entre a Assembleia e o Conselho de Segurança.

Para que serve

A Assembleia Geral funciona como o fórum universal de debate e cooperação multilateral — o único espaço em que todos os países do mundo sentam à mesma mesa com o mesmo voto, independentemente de tamanho, população ou poder militar.

Além do debate, ela cumpre três funções concretas:

  • Orçamentária: aprova o orçamento da ONU e o rateio entre os Estados-membros.
  • Eleitoral: elege os dez membros não permanentes do Conselho de Segurança e nomeia o secretário-geral, a partir de recomendação do Conselho.
  • Normativa: é o foro onde se negociam tratados, declarações e padrões internacionais, além da codificação do direito internacional.

A Carta também prevê que a Assembleia possa tratar de ameaças à paz quando o Conselho de Segurança estiver paralisado por vetos.

Como funciona: um país, um voto

Cada Estado-membro tem exatamente um voto. Questões consideradas importantes — recomendações sobre paz e segurança, eleição de membros de conselhos, questões orçamentárias — exigem maioria de dois terços dos presentes e votantes. As demais decisões são tomadas por maioria simples.

Na prática, a maior parte das resoluções é adotada por consenso, sem votação formal.

Os trabalhos se dividem entre o plenário e seis Comissões Principais, nas quais cada país pode designar um representante:

ComissãoTema
PrimeiraDesarmamento e segurança internacional
SegundaAssuntos econômicos e financeiros
TerceiraAssuntos sociais, humanitários e culturais
QuartaQuestões políticas especiais e descolonização
QuintaAdministrativa e orçamentária
SextaJurídica

Quando acontece e quanto tempo dura

A Assembleia Geral é permanente, não um evento de uma semana. Cada sessão ordinária é anual: abre em setembro e segue por um ano inteiro, até a abertura da sessão seguinte. O período mais intenso de trabalho vai de setembro a dezembro; depois disso, a sessão é retomada de janeiro a setembro conforme a necessidade.

O que concentra a atenção do mundo é a chamada Semana de Alto Nível, no fim de setembro, quando chefes de Estado e de governo vão a Nova York para o Debate Geral — a série de discursos em que cada país apresenta suas prioridades globais.

A 81ª sessão foi aberta em 8 de setembro de 2026 e vai até 7 de setembro de 2027.

Onde acontece

Foto: Mojnsen / CC BY-SA 4.0

Na sede da ONU em Nova York, no Salão da Assembleia Geral. O Debate Geral é transmitido ao vivo pela UN Web TV, o canal oficial das Nações Unidas, que também mantém o arquivo de vídeo de cada dia de sessão.

A 81ª Assembleia Geral (2026)

O Debate Geral da 81ª sessão acontece de 22 a 26 de setembro e no dia 28 de setembro de 2026, sob o tema "Restaurar a confiança, gerir a transformação: Nações Unidas que entregam para todos".

A presidência da 81ª sessão cabe a Khalilur Rahman, de Bangladesh.

Dois pontos dão peso extra a esta edição:

A sucessão de António Guterres. O segundo mandato do secretário-geral termina em 31 de dezembro de 2026. O processo de seleção começou em novembro de 2025, e o Conselho de Segurança realizou votações informais (straw polls) em 30 de julho, 21 de agosto e 18 de setembro de 2026. Sete candidaturas seguiam ativas — entre elas Rebeca Grynspan (Costa Rica), Rafael Grossi (Argentina/Itália), María Fernanda Espinosa (Equador) e Macky Sall (Senegal). Cabe ao Conselho recomendar um nome e à Assembleia Geral fazer a nomeação formal; até a abertura do Debate Geral, nenhuma recomendação havia sido feita.

A disputa sobre vistos. Pelo segundo ano seguido, o governo dos Estados Unidos negou vistos a uma delegação palestina de alto nível, incluindo o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que discursou por vídeo em 24 de setembro. Washington alegou descumprimento de compromissos de paz, ações contra Israel na Corte Internacional de Justiça e no Tribunal Penal Internacional e o pagamento de auxílios a famílias de presos condenados por ataques. Os palestinos serão representados por seu embaixador junto à ONU. Também houve recusa de vistos a integrantes da comitiva do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ainda que a "delegação central" do Irã tenha sido autorizada a viajar.

Por que o Brasil é o primeiro a discursar

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Por que o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU? | CNN BRASIL

Desde a 10ª sessão, em 1955, o Brasil abre o Debate Geral — com exceção de 1983 e 1984, quando os Estados Unidos falaram primeiro. A tradição não está escrita em nenhum regulamento da ONU: consolidou-se pela prática diplomática.

Há duas explicações correntes, e nenhuma delas é oficial. Uma atribui a primazia a uma homenagem ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, que presidiu a sessão especial de 1947 sobre a partilha da Palestina e, como presidente, falou antes dos Estados-membros. A outra liga a escolha ao contexto da Guerra Fria: o Brasil seria uma opção neutra, que não daria primazia nem aos Estados Unidos nem à União Soviética.

O país anfitrião, os Estados Unidos, fala logo em seguida.

O discurso de Lula em 2026

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Íntegra do discurso do presidente Lula do Brasil na 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o Debate Geral na terça-feira, 22 de setembro de 2026. Segundo o levantamento da imprensa brasileira, foi a décima vez que ele fez o discurso de abertura, tendo já aberto o debate em 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025.

O discurso teve quatro eixos:

  • Crise da ONU. "A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa", disse Lula, que atribuiu a paralisia do Conselho de Segurança a um vício estrutural da Carta e cobrou sua reforma. Citou Gaza, onde acusou o governo de Binyamin Netanyahu de genocídio e disse que os assentamentos na Cisjordânia tornam "cada vez menos viável" a solução de dois Estados; o Estreito de Ormuz, "transformado em trincheira da guerra"; e a guerra entre Rússia e Ucrânia, que "se arrasta há cinco anos".
  • Soberania. "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", afirmou, ao falar da proximidade com "a maior potência militar do mundo". Sobre o crime organizado, em referência à pressão americana contra PCC e CV: "Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime". Chamou de ilegais o embargo econômico e o cerco energético impostos a Cuba, que descreveu como "punição coletiva" a 10 milhões de pessoas.
  • Comércio e tecnologia. Disse que a Organização Mundial do Comércio "respira por aparelhos", criticou o uso de tarifas "como armas de coerção e chantagem" e afirmou que, apesar do tarifaço americano, o Brasil baterá recorde de exportações em 2026. Criticou os "tecno-oligarcas", defendeu a regulação das plataformas digitais e disse que o país não cederá "às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX". Defendeu a regulação ética da inteligência artificial sob a liderança da ONU e atacou as apostas on-line: "A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. [...] O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio".
  • Eleição brasileira. A duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, disse que "a democracia está novamente em xeque", denunciou "ingerência externa em processos eleitorais" e descreveu o pleito como uma escolha "entre democracia e negacionismo".

A delegação dos Estados Unidos — presente com o secretário do Comércio, Howard Lutnick, o representante comercial Jamieson Greer e o secretário do Tesouro, Scott Bessent — não aplaudiu o discurso em nenhum momento. Donald Trump não estava no salão durante a fala.

Às vésperas da Assembleia, Lula assinou com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Quênia, William Ruto, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, um artigo conjunto no Financial Times lançando a iniciativa Partners for Multilateralism (P4M). A proposta é uma estrutura flexível para formar coalizões em defesa do multilateralismo e apoiar reformas que tornem as instituições internacionais mais representativas. Os signatários afirmam que não se trata de criar um novo bloco, e a iniciativa foi apresentada em uma cúpula paralela à Assembleia.

Em 23 de setembro, o Itamaraty divulgou um comunicado do grupo Parceiros pelo Multilateralismo, que reúne, além do Brasil, a União Europeia, o Canadá, a Índia e a Austrália, entre outros. O texto reafirma "os princípios da igualdade soberana, da integridade territorial, da solução pacífica de controvérsias e da proibição da ameaça ou do uso da força" e diz que preocupam o grupo "a crescente polarização, a disseminação de conflitos, as violações do direito internacional e o recurso cada vez mais frequente à política do poder, ao protecionismo, à coerção e à ameaça ou ao uso da força".

Trump e os demais discursos do Debate Geral de 2026

Pela tradição, Donald Trump falou logo depois de Lula, em 22 de setembro. O presidente americano defendeu a guerra no Oriente Médio, repetiu que o Irã "nunca terá uma arma nuclear" e disse que pode "aniquilar a República Islâmica" caso não haja acordo, que pretende tentar "logo após as eleições". Horas depois, anunciou que autoridades americanas e iranianas haviam se reunido por três horas naquele mesmo dia.

Trump também voltou a chamar Nicolás Maduro de "ditador fora da lei" e citou a operação militar de janeiro de 2026 que capturou o venezuelano como demonstração da disposição dos Estados Unidos de usar seu poder militar para proteger interesses no Hemisfério Ocidental.

À margem da Assembleia, ainda em 22 de setembro, Trump se reuniu com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez — o primeiro encontro entre os dois desde a captura de Maduro e a primeira viagem dela aos Estados Unidos no cargo. Mais de 50 manifestantes protestaram diante da sede da ONU pedindo eleições livres na Venezuela, e houve atos também em Caracas. O discurso de Rodríguez na Assembleia estava previsto para 23 de setembro.

Outras falas do primeiro dia também repercutiram. Em seu último discurso à Assembleia como secretário-geral, António Guterres defendeu a cooperação internacional para enfrentar as crises globais. O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que os países resistam ao retorno da "lei da selva" nas relações internacionais e criticou a tentativa de mudar governos pela força. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, condenou o que chamou de "mentalidade genocida" de Israel em Gaza, e o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, também classificou a situação no território palestino como genocídio.

O segundo dia do Debate Geral: Irã e Ucrânia

Pezeshkian responde a Trump. Em 23 de setembro, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse ter reescrito o discurso depois da fala de Trump na véspera: "Eu tinha preparado um discurso, mas depois que os Estados Unidos nos descreveram como terroristas, tive de mudá-lo". Acusou Estados Unidos e Israel de serem os verdadeiros terroristas e de atacarem civis, exibiu um pôster do ex-líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques americanos e israelenses, em 28 de fevereiro de 2026, e imagens de alunas mortas no bombardeio de uma escola que o Pentágono ainda investiga. Afirmou que não haverá paz no Oriente Médio "sem justiça para a Palestina" e que "questões nucleares não serão resolvidas no campo de batalha".

Pezeshkian disse que o Irã nunca vai "dobrar o joelho", mas que está pronto para uma saída diplomática "sem a linguagem da força". Qualquer acordo, afirmou, terá de incluir o fim do bloqueio americano a navios e portos iranianos: "Não pode ser que todos se beneficiem do Estreito de Ormuz enquanto nós temos o acesso negado". O estreito está na prática fechado desde o início da guerra, no fim de fevereiro; um acordo preliminar de junho para reabri-lo desmoronou em poucas semanas.

O discurso veio um dia depois de o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, e o enviado americano Steve Witkoff terem mantido em Nova York, em 22 de setembro, conversas indiretas mediadas pelo Catar, as primeiras desde junho. Trump chamou o encontro de "muito bom"; o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, disse que não houve "nada de novo". O secretário de Estado americano, Marco Rubio, rebateu Pezeshkian dizendo que o Irã não tem autoridade para dar lições sobre direitos humanos depois da repressão aos protestos no início do ano.

Ucrânia no Conselho de Segurança. Rubio se reuniu no mesmo dia com o chanceler russo, Serguei Lavrov, e disse que os dois lados demonstraram interesse em um cessar-fogo limitado envolvendo grãos e energia; a Ucrânia ofereceu suspender ataques à indústria russa de petróleo e gás se a Rússia parar de bombardear sua rede elétrica antes do inverno. Na reunião do Conselho de Segurança sobre a Ucrânia, mais tarde, Lavrov afirmou que a Rússia não pretende pausar o que chama de "operação militar especial". O chanceler ucraniano acusou Moscou de recrutar mercenários de 37 países africanos, e o embaixador americano, Mike Waltz, citou a presença de mercenários cubanos e violações do espaço aéreo da Otan.

Polônia contra a "arrogância imperial" russa. O presidente polonês, Karol Nawrocki, disse que a ONU vive "um dos momentos mais difíceis" desde sua criação e que a Rússia "demonstra a mesma arrogância imperial que no passado levou ao sofrimento inimaginável e à tragédia de duas guerras mundiais". Acusou Moscou de desestabilizar a Europa com agressão aberta, operações híbridas, sabotagem e uma crise migratória provocada, e reafirmou a Otan como garantidora da segurança europeia.

Críticas à própria ONU

Um levantamento do g1 sobre os 70 discursos feitos em 22 e 23 de setembro, a partir das transcrições oficiais, encontrou referências a paz e segurança em todos eles, à mudança do clima em 59 e pedidos de reforma do sistema das Nações Unidas em 55 — entre eles o do Brasil, com propostas de ampliar o Conselho de Segurança e de restringir ou extinguir o veto dos cinco membros permanentes.

O tom mais duro contra a organização veio do presidente da Argentina, Javier Milei, que chamou a ONU de "inútil" e disse que ela "só serve para alimentar uma casta de parasitas arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados". Citou as resoluções sobre as Malvinas, nunca cumpridas pelo Reino Unido, como prova de que a organização não faz valer as próprias decisões.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chamou Vladimir Putin de "paciente zero" da guerra, acusou-o de planejar estendê-la pela Europa, inclusive a território da Otan, e disse que a Rússia usa soldados de 47 países contra a Ucrânia.

Entre as falas fora da agenda de guerra, o presidente de Nauru, David Adeang, pediu que o mundo passe a chamar o país de Naoero, a forma usada pela população local ("Digam o nosso nome: Naoero"), e o primeiro-ministro do Butão, Tshering Tobgay, apresentou-se "não como primeiro-ministro, mas como vendedor" para promover a Gelephu Mindfulness City, cidade planejada com autonomia para definir suas próprias regras de governo e Justiça.

O terceiro e o quarto dias: Abbas, Netanyahu e a China

Abbas por vídeo. Impedido de viajar pela recusa de visto, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, falou em 24 de setembro por um discurso gravado. Chamou a negativa de "ilegal e punitiva", classificou a ofensiva em Gaza de "guerra genocida" e acusou Israel de um "esquema colonialista" para fragmentar o território palestino: "Não deixem outra Nakba nem outros massacres ocorrerem". Pediu que a comunidade internacional impeça os assentamentos na área E1, que dividiriam a Cisjordânia em duas, e que o Conselho de Segurança não deixe morrer a solução de dois Estados. Ao mesmo tempo, saudou o plano de 20 pontos de Trump que encerrou a guerra em Gaza e cobrou a retirada das tropas israelenses e a entrada de ajuda humanitária em larga escala. Na mesma semana, o Conselho da Paz de Trump anunciou US$ 2,45 bilhões para a reconstrução de Gaza.

Netanyahu e a saída das delegações. Horas depois, no mesmo 24 de setembro, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, subiu à tribuna sob vaias, enquanto dezenas de diplomatas deixavam o salão — entre eles a delegação brasileira, formada por funcionários da missão na ONU, repetindo o gesto de 2025. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, teve de pedir ordem mais de uma vez. "Se ainda houver outros covardes morais que não deixaram este salão, por favor, façam isso agora", disse Netanyahu. Em pouco mais de meia hora, defendeu a guerra contra o Irã, negou que Israel cometa genocídio em Gaza, atribuiu a violência de colonos na Cisjordânia a "150 delinquentes juvenis" e atacou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. O discurso foi lido como peça de campanha para a eleição israelense de outubro. Netanyahu é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, que os Estados Unidos, não signatários do Estatuto de Roma, não se consideram obrigados a cumprir; cerca de cem manifestantes foram presos em protestos contra sua presença em Nova York.

No mesmo horário, o chanceler Mauro Vieira e António Guterres participavam de um evento em apoio à UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos, organizado por Brasil, Jordânia e Espanha.

A China sem Xi. Em 25 de setembro, quarto dia do Debate Geral, a China foi representada pelo vice-presidente Han Zheng. Xi Jinping, que desde 2013 discursou no plenário da Assembleia uma única vez, em 2015, preferiu cumprir uma visita de Estado a Washington, onde chegou em 23 de setembro para se reunir com Trump.

Assembleia Geral e Conselho de Segurança: qual a diferença

São órgãos distintos das Nações Unidas, e a confusão entre os dois é comum.

Assembleia GeralConselho de Segurança
ComposiçãoOs 193 Estados-membros15 países: 5 permanentes e 10 eleitos
VotoUm país, um votoMembros permanentes têm poder de veto
DecisõesResoluções sem força vinculante (salvo orçamento e administração interna)Resoluções vinculantes para os Estados-membros
Quem escolhe—Os 10 membros não permanentes são eleitos pela Assembleia Geral

É por isso que a reforma do Conselho de Segurança — pauta permanente da diplomacia brasileira — é discutida na Assembleia, mas não pode ser decidida por ela sozinha.

Decisões históricas

A Assembleia Geral foi o palco de algumas das decisões mais duradouras do sistema internacional:

  • Declaração Universal dos Direitos Humanos — proclamada pela Assembleia Geral em Paris, em 10 de dezembro de 1948, pela resolução 217 A.
  • 27 de janeiro como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto — designado pela resolução A/RES/60/7, adotada em 1º de novembro de 2005. A data marca o aniversário da libertação do campo de Auschwitz. A mesma resolução criou o programa de divulgação "O Holocausto e as Nações Unidas".

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