Mensagens de Vorcaro citam pagamentos a filho de Nunes Marques
Relatório da Polícia Federal aponta diálogos sobre repasses mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro do STF Kassio Nunes Marques.
Pontos principais
- Dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foram entregues a ministros do STF em setembro de 2026.
- Mensagens entre Vorcaro e o ex-diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil a Kevin Marques.
- Em julho de 2025, Rennó questionou Vorcaro se o valor de R$ 500 mil mensais deveria ser mantido para o advogado.
- O ministro Kassio Nunes Marques negou que o filho tenha prestado serviços ao Banco Master e declarou-se impedido de julgar casos envolvendo o ex-banqueiro.
- A defesa de Kevin Marques afirma que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos sem relação com o STF.
- O STF analisa o material da Polícia Federal em meio a uma crise institucional que envolve outros ministros e seus familiares.
Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal, obtido a partir da extração de dados do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trouxe à tona diálogos que sugerem pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. As mensagens, trocadas entre Vorcaro e o então diretor jurídico da instituição, Luiz Rennó, foram entregues aos gabinetes dos ministros da Corte em 14 de setembro de 2026. Em um dos registros, datado de 4 de julho de 2025, Rennó questiona o ex-banqueiro sobre a manutenção do valor de R$ 500 mil mensais destinado ao filho do magistrado.
O conteúdo das conversas também aponta uma possível correlação entre a atuação jurídica e decisões no STF. Em 1 de outubro de 2024, após uma decisão favorável da Corte em processos de indenização do setor sucroalcooleiro — que contou com votos de Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques —, Rennó enviou a Vorcaro o contato de Kevin Marques acompanhado da mensagem "Dominado aqui". O material reforça a necessidade de apuração sobre a natureza dos vínculos entre o Banco Master e familiares de autoridades do Judiciário brasileiro.
Em resposta às revelações, o ministro Kassio Nunes Marques negou que seu filho tenha prestado qualquer serviço ao Banco Master e declarou-se impedido de participar de julgamentos que envolvam o ex-banqueiro ou a instituição. Por sua vez, a defesa de Kevin Marques sustentou que os valores recebidos, totalizando R$ 281,6 mil, referem-se estritamente a serviços jurídicos tributários prestados à empresa Consult Inteligência Tributária, sem qualquer relação com processos em tramitação no STF. O caso amplia a crise no tribunal, que já avalia a conduta de outros ministros citados em diálogos encontrados no mesmo dispositivo apreendido pela Polícia Federal.
Fonte primária
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