Matemático da NYU acusa OpenAI de tomar crédito em provas de fluidos
Buckmaster diz que a OpenAI só atacou Navier-Stokes após saber de seu trabalho; a empresa afirma tê-lo resolvido com 10 mil agentes em 88 horas.
Pontos principais
- Buckmaster (NYU Courant) e Levent Alpöge (Anthropic) publicaram em 8 de setembro de 2026 três resultados verificados em Lean, com forçamento suave, para meios porosos incompressíveis, Boussinesq e Euler incompressível em 3D
- Buckmaster diz acreditar ter também blow-up para Navier-Stokes hipo-dissipativa, mas não divulgou o resultado porque a verificação em Lean não terminou e não há um texto apresentável
- O programa parte do trabalho de Diego Córdoba e Luis Martínez-Zoroa sobre forçamento rugoso; Buckmaster diz que Martínez-Zoroa merece uma Medalha Fields por essa base
- A dupla usou o Claude, da Anthropic, e o Codex da OpenAI com o GPT-5.6 Sol; o Astra, mais recente, entrou só para revisar textos e auditar os argumentos, não para gerar as provas
- Em 6 de setembro, Sebastien Bubeck disse a Buckmaster que um modelo interno da OpenAI havia provado blow-up forçado de Navier-Stokes em cerca de 100 páginas, não vistas por ele, com o enunciado 'existência de blow-up forçado em R3 e T3, com forçamento suave, opções c e d de Fefferman'
- Segundo Buckmaster, a alegação inicial de 'pouquíssimo input humano' se mostrou falsa na própria ligação: uma equipe inteira já testava o problema havia dias, inclusive a versão sem forçamento, com grande volume de computação, e até o prompt mostrado a ele fora escrito com ajuda do Codex
- A OpenAI só confirmou, depois de evitar a pergunta por um tempo, que o primeiro prompt foi enviado 'nos últimos dias', já depois de a empresa saber do trabalho da dupla
- A OpenAI propôs publicar seu resultado de Navier-Stokes no dia seguinte ao da dupla, chamando-os de 'os humanos mais próximos do problema' e dizendo que mereciam o Prêmio Clay, ou que Buckmaster escrevesse sozinho um artigo creditando o modelo da OpenAI; ele recusou as duas propostas
- Bubeck pediu duas vezes que Alpöge fosse retirado da autoria por trabalhar na Anthropic, e propôs a Alpöge falar a sós, dizendo não saber se Buckmaster estava 'sendo totalmente racional'; Alpöge recusou
- A OpenAI afirma que um modelo interno mais capaz que o GPT-6 Astra resolveu o problema com 10 mil agentes simultâneos em 88 horas e nega ter visto os prompts da dupla
- Bubeck chamou as alegações de falsas e inflamatórias no X e prometeu resposta mais completa
- Os resultados ficam aquém do problema de Navier-Stokes sem forçamento, um dos Problemas do Milênio com prêmio de US$1 milhão
A disputa mistura dois debates que a matemática assistida por IA vinha adiando: quem assina uma prova produzida em colaboração com modelos e o que acontece com os rascunhos deixados dentro das ferramentas. Buckmaster diz ter perguntado se o modelo da OpenAI havia sido treinado com suas sessões do Codex, onde guardava todo o material do projeto, e afirma ter ouvido que o modelo não consultou dados de usuário, mas nunca recebeu resposta sobre treinamento. Ao dizer que tornaria o caso público, ouviu de Bubeck "Por que você arruinaria sua carreira?" e, ao insistir, "Se você não quer que eu seja legal, não preciso ser legal". Diz não ter visto a prova da OpenAI nem saber se seus dados foram usados, e que apenas relata o que lhe disseram.
O programa de pesquisa foi originado por Diego Córdoba e Luis Martínez-Zoroa, e a dupla o levou de forçamento rugoso para forçamento suave. O medalhista Fields Terence Tao chamou o trabalho de conquista notável. Do lado da OpenAI, Bubeck diz ter entrado na discussão seguindo normas acadêmicas e a empresa nega qualquer acesso aos prompts de Buckmaster ou Alpöge.
Fonte primária
Cobertura da mídia
Dois times reivindicam avanço no problema mais difícil da dinâmica de fluidos
Glitchwire • 8 set, 09:00
Bubeck, da OpenAI, chama alegações de Buckmaster de falsas e inflamatórias
Officechai • 8 set, 09:00
Matemático alega que OpenAI foi atrás de Navier-Stokes após saber de seu trabalho
Analyticsindiamag • 8 set, 09:00
