Empresas do varejo enfrentam pressão financeira com alta de juros
Estudo aponta que despesas financeiras consomem fatia crescente da receita de varejistas, independentemente da trajetória da taxa Selic.
Pontos principais
- Despesas financeiras das 15 varejistas mais pressionadas subiram de 5,1% da receita líquida em 2018 para 12,3% em 2026.
- Estrutura de capital e modelo de negócio tornaram-se determinantes para a solvência das empresas, além do patamar da taxa de juros.
- Companhias como CVC, Marisa e Grupo Casas Bahia possuem despesas financeiras que superam suas margens operacionais.
- Consultoria alerta que empresas não devem basear planos de recuperação apenas na expectativa de queda da Selic devido ao risco fiscal.
Um estudo da Málaga & Associados revela que o setor de varejo brasileiro enfrenta um cenário de pressão financeira crescente, onde as despesas com juros consomem uma parcela cada vez maior da receita das companhias. A análise, que abrange 30 empresas listadas na B3, indica que a solvência dessas organizações está sendo desafiada não apenas pelo nível da taxa Selic, mas por fragilidades estruturais em seus modelos de negócio e na gestão de capital. O levantamento destaca que, para empresas como CVC, Marisa e Grupo Casas Bahia, os custos financeiros já superam as margens operacionais de referência, complicando a sustentabilidade do passivo. Especialistas alertam que o setor não deve pautar estratégias de recuperação exclusivamente na queda dos juros, dado o atual cenário de incerteza fiscal e o aumento da dívida pública, que limitam o alívio financeiro esperado pelo mercado.
