Despesas financeiras pressionam varejo brasileiro apesar da Selic
Estudo aponta que o peso dos juros no varejo cresceu drasticamente, tornando a solvência dependente de reestruturação além da política monetária.
Pontos principais
- Despesas financeiras das 15 varejistas mais pressionadas subiram de 5,1% da receita líquida em 2018 para 12,3% em 2026.
- Estudo da Málaga & Associados analisou 30 empresas listadas na B3, destacando a fragilidade estrutural do setor.
- Companhias como CVC, Marisa e Grupo Casas Bahia possuem custos financeiros que superam suas margens operacionais.
- O Grupo Casas Bahia solicitou recuperação judicial em agosto para reestruturar dívidas de R$ 17,3 bilhões.
- Consultoria alerta que o risco fiscal e a dívida pública limitam o alívio que a queda da Selic pode proporcionar às empresas.
O varejo brasileiro enfrenta um cenário de crescente pressão financeira, com o peso dos juros sobre a receita líquida das companhias mais do que dobrando desde 2018. Segundo o estudo 'O preço da dívida no varejo brasileiro', da Málaga & Associados, a solvência do setor tornou-se um desafio estrutural que transcende a trajetória da taxa Selic. Empresas como CVC, Marisa e Grupo Casas Bahia exemplificam a crise, apresentando despesas financeiras que superam suas margens operacionais. O caso do Grupo Casas Bahia, que recorreu à recuperação judicial para reestruturar R$ 17,3 bilhões em dívidas, ilustra a urgência do problema. Especialistas alertam que, diante do atual cenário de risco fiscal e expansão da dívida pública, as empresas não devem pautar seus planos de recuperação exclusivamente na expectativa de cortes nos juros, sendo necessária uma revisão profunda em seus modelos de negócio e estruturas de capital.
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