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Endividamento das famílias causa cortes de vagas no varejo em 12 meses

Estudo do Ibevar-FIA aponta que o endividamento para gastos básicos gera um ciclo de inadimplência que impacta o nível de emprego no setor varejista.

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Foto: Times Brasil
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25/08 às 05:15, atualizado 11:06

Pontos principais

  • O endividamento das famílias brasileiras é impulsionado em 22,3% pela necessidade de cobrir despesas básicas como alimentação e vestuário.
  • O modelo econométrico do Ibevar-FIA identifica uma defasagem de até 12 meses entre o aumento do endividamento e a redução de postos de trabalho.
  • O varejo restrito atua como o principal motor de sustentação de empregos, sendo diretamente afetado pela queda no consumo das famílias.
  • Pesquisadores estimam 55% de probabilidade de agravamento do cenário econômico nos próximos 12 meses devido a pressões fiscais.
  • O comportamento de corte de gastos domésticos, como cancelamento de serviços, é um indicador antecedente que precede a inadimplência explícita.

Um estudo realizado pelo Ibevar-FIA Business School estabeleceu uma correlação direta entre o endividamento das famílias brasileiras e a redução de vagas de emprego no setor de varejo. Segundo a pesquisa, a perda do poder de compra força os consumidores a utilizarem crédito para manter gastos essenciais, como alimentação e vestuário, o que desencadeia um ciclo de inadimplência que impacta a ocupação no mercado de trabalho em um horizonte de até 12 meses. O varejo restrito é apontado como o setor mais vulnerável, visto que a sustentação de seus empregos depende diretamente do volume de vendas, que sofre retração conforme o nível de endividamento das famílias aumenta.

O levantamento destaca que o processo de crise financeira doméstica segue um padrão previsível, iniciando-se com a reorganização de despesas e o cancelamento de serviços antes que o consumidor recorra a empréstimos ou entre em inadimplência grave. Esse cenário é agravado pelo atual contexto macroeconômico, marcado por uma taxa Selic elevada em 14%, que encarece o custo do crédito e pressiona o orçamento de empresas e famílias. Com a projeção de um crescimento do PIB mais contido para os próximos anos, especialistas alertam que a combinação entre restrição de crédito e fragilidade financeira das famílias eleva o risco de uma desaceleração econômica mais acentuada, com 55% de probabilidade de agravamento das condições nos próximos 12 meses.

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