Mercado mantém ceticismo sobre ajuste fiscal para 2026
Analistas veem desafios estruturais para Lula ou Flávio Bolsonaro conterem o crescimento da dívida pública brasileira até 2031.
Pontos principais
- Estabilizar a dívida até 2031 exigiria um esforço fiscal estimado em R$ 350 bilhões.
- O déficit nominal do Brasil atingiu 9,99% do PIB nos 12 meses encerrados em junho.
- A dívida bruta brasileira alcançou 81,9% do PIB no mesmo período.
- Investidores avaliam que há pouca diferença entre as propostas fiscais dos dois principais candidatos.
- Economistas projetam que a dívida pública continuará em trajetória de alta independentemente do vencedor do pleito.
O mercado financeiro mantém ceticismo quanto à capacidade de qualquer sucessor na presidência em 2026, seja Luiz Inácio Lula da Silva ou o senador Flávio Bolsonaro, de implementar um ajuste fiscal robusto. Analistas apontam que a rigidez orçamentária e a fragmentação do Congresso representam obstáculos estruturais significativos para o controle da dívida pública. Segundo o Barclays, seria necessário um esforço fiscal de R$ 350 bilhões para estabilizar a dívida até 2031. Além disso, investidores avaliam que as propostas fiscais dos dois principais candidatos apresentam pouca distinção, reforçando a expectativa de que a dívida continue a crescer após as eleições de outubro. O cenário é agravado pelo déficit nominal de 9,99% do PIB e pela dívida bruta de 81,9% do PIB, fatores que pressionam a confiança na sustentabilidade fiscal de longo prazo do país e explicam a saída de US$ 4,2 bilhões de capital estrangeiro entre março e junho.
