Brasil rebaixa relações diplomáticas com a Argentina após ataques de Milei
O governo brasileiro decidiu manter o embaixador em Brasília e reduzir o nível da representação diplomática em resposta a ofensas de Javier Milei a Lula.
Pontos principais
- O Itamaraty oficializou o rebaixamento das relações diplomáticas com a Argentina para o nível de encarregado de negócios.
- O embaixador brasileiro, Julio Bitelli, foi convocado para consultas e não retornará a Buenos Aires enquanto a crise persistir.
- A decisão foi motivada por ataques verbais recorrentes de Javier Milei, que chamou o presidente Lula de 'ladrão' e 'corrupto'.
- O governo argentino classificou a medida como unilateral e acusou o Brasil de agir por motivações ideológicas.
- O chanceler Mauro Vieira descartou, por ora, o rompimento total das relações entre os dois países.
- A tensão escalou após a participação de Milei em eventos políticos no Brasil, onde criticou autoridades brasileiras.
O governo brasileiro oficializou o rebaixamento das relações diplomáticas com a Argentina, mantendo o embaixador Julio Bitelli em Brasília por tempo indeterminado. A medida, considerada inédita na história recente entre os dois países, é uma resposta direta à escalada de ataques verbais proferidos pelo presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em diversas ocasiões, incluindo eventos políticos em São Paulo e entrevistas à imprensa, Milei utilizou termos ofensivos para se referir ao mandatário brasileiro, além de questionar decisões judiciais e acusar o governo de interferência política. O Itamaraty comunicou a decisão ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, estabelecendo que a representação brasileira no país vizinho será conduzida por um encarregado de negócios enquanto a crise retórica não for contida. O chanceler Mauro Vieira afirmou que, apesar do distanciamento institucional, o Brasil não pretende romper totalmente os laços diplomáticos com a Argentina. Em contrapartida, o governo argentino criticou a postura brasileira, classificando a decisão como uma medida unilateral motivada por questões ideológicas. A Chancelaria argentina defendeu que as relações entre Estados deveriam priorizar os interesses permanentes das populações, em vez de se submeterem a divergências políticas entre governantes. O episódio marca um ponto crítico na relação bilateral, refletindo o desgaste crescente entre as duas administrações desde a posse de Milei.
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