Milei edita decreto para expulsar estrangeiros por ofensas à Argentina
Medida permite barrar ou expulsar estrangeiros que profiram mensagens de ódio contra o país, em meio a tensões diplomáticas com o governo brasileiro.
Pontos principais
- O Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) autoriza a expulsão ou impedimento de entrada de estrangeiros que promovam ódio, discriminação ou violência contra a Argentina.
- A norma abrange ofensas direcionadas à população argentina e aos símbolos nacionais, sendo justificada pelo governo como resposta a uma suposta campanha contra o país.
- O decreto já está em vigor, mas depende de validação pela Comissão Bicameral Permanente do Parlamento argentino para ser mantido.
- Juristas argentinos criticam a medida por considerá-la inconstitucional e questionam o uso de DNU para alterar a Lei de Migrações.
- A decisão ocorre após ataques verbais de Milei ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, gerando crise diplomática com o Brasil.
- O governo brasileiro convocou o embaixador argentino para explicações e mantém o embaixador Júlio Bitelli em Brasília para consultas.
O presidente argentino, Javier Milei, editou um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) que altera a Lei de Migrações do país, permitindo a expulsão ou o impedimento de entrada de estrangeiros que profiram mensagens de ódio, discriminação ou ofensas contra a Argentina e seus símbolos nacionais. A medida, assinada na última quarta-feira, é apresentada pelo governo como uma resposta ao que o mandatário descreveu como uma campanha sinistra contra o país. Embora a norma já esteja em vigor, sua manutenção definitiva depende de aprovação pela Comissão Bicameral Permanente do Parlamento argentino.
A iniciativa enfrenta forte resistência jurídica interna, com especialistas questionando a constitucionalidade do uso de um decreto para temas dessa natureza sem a devida tramitação legislativa. A controvérsia legal se soma ao desgaste nas relações bilaterais entre Brasil e Argentina, que já enfrentavam um momento crítico após ataques verbais de Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, durante um evento em São Paulo.
Em resposta à escalada, o governo brasileiro convocou o embaixador argentino para prestar esclarecimentos e mantém o embaixador brasileiro, Júlio Bitelli, em Brasília por tempo indeterminado. Embora o Itamaraty tenha sinalizado uma postura de serenidade e o governo argentino tenha indicado, por meio de assessores, que não pretende romper relações, a medida é vista como um agravante na crise diplomática. O cenário segue sendo monitorado de perto pelas autoridades brasileiras, enquanto o debate sobre a legalidade do decreto ganha força nos tribunais argentinos.
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